Justiça torna réu dono de clínica terapêutica acusado de tortura: "depósito humano", diz denúncia
Dependentes clínicos recebiam doses forçadas de medicamentos, os "danoninhos" para dopagem; clientes eram espancados, trancados e ameaçados, diz MP
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Bianka Santos, Rhuan Teixeira
Clínica clandestina em Ribeirão Pires | Reprodução/ Google Maps
O Tribunal de Justiça aceitou, na terça-feira (1º), a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o dono da Clínica Terapêutica Comunidade Libertar, que funcionava de modo clandestino em Ribeirão Pires, Região Metropolitana de São Paulo. Douglas Navarro Alves é acusado de cárcere privado, tortura e lesão corporal contra 37 pacientes.
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Segundo a denúncia, familiares de dependentes químicos pagavam entre R$ 800 e R$ 1.300 de mensalidade para o atendimento na clínica. No entanto, as condições de higiene e alimentação seriam precárias no local, que não tinha alvará da vigilância sanitária e não era orientada por equipes multidisciplinares. A clínica funcionou durante o ano de 2023.
De acordo com o MP, os pacientes eram submetidos a violência física e psicológicacomo forma de controle. As vítimas recebiam doses forçadas de medicamentos psiquiátricos, chamados de "danoninhos", para dopagem, eram espancados, trancados, tomavam banhos gelados, além de sofrerem ameaças, xingamentos e humilhações.
"Tratava-se, em realidade, de verdadeiro depósito humano, no qual eram adotadas práticas violadoras de direitos fundamentais", diz o MPSP.
Além disso, havia internos que também eram mantidos contra a própria vontade, por tempo indeterminado, sem qualquer autorização médica ou judicial. A justificativa da unidade era sob o pretexto de tratamento de saúde mental.
Durante uma vistoria da Vigilância Sanitária, cinco dos 37 internos deixaram a clínica após contato com suas famílias. Douglas Navarro prometeu avisar os familiares dos demais internos e encerrar as atividades.
No entanto, ele tentou transferir os outros pacientes para novas instituições sem o consentimento das famílias, numa tentativa de enganar a fiscalização.
Ao descobrirem, alguns internos fugiram e denunciaram os abusos à Subprefeitura de Ribeirão Pires. Na tentativa de recapturá-los, o denunciado atropelou três vítimas com seu carro.
Douglas Navarro foi notificado pela Justiça e tem 10 dias para apresentar a defesa. O SBT News tenta localizá-lo. O espaço segue aberto para manifestação.
Justiça torna réu dono de clínica terapêutica acusado de tortura: "depósito humano", diz denúnciaDependentes clínicos recebiam doses forçadas de medicamentos, os "danoninhos" para dopagem; clientes eram espancados, trancados e ameaçados, diz MPBrasil2025-04-04T18:43:02.647ZO Tribunal de Justiça aceitou, na terça-feira (1º), a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o dono da Clínica Terapêutica Comunidade Libertar, que funcionava de modo clandestino em Ribeirão Pires, Região Metropolitana de São Paulo. Douglas Navarro Alves é acusado de cárcere privado, tortura e lesão corporal contra 37 pacientes. Segundo a denúncia, familiares de dependentes químicos pagavam entre R$ 800 e R$ 1.300 de mensalidade para o atendimento na clínica. No entanto, as condições de higiene e alimentação seriam precárias no local, que não tinha alvará da vigilância sanitária e não era orientada por equipes multidisciplinares. A clínica funcionou durante o ano de 2023. De acordo com o MP, os pacientes eram submetidos a violência física e psicológica como forma de controle. As vítimas recebiam doses forçadas de medicamentos psiquiátricos, chamados de "danoninhos", para dopagem, eram espancados, trancados, tomavam banhos gelados, além de sofrerem ameaças, xingamentos e humilhações. "Tratava-se, em realidade, de verdadeiro depósito humano, no qual eram adotadas práticas violadoras de direitos fundamentais", diz o MPSP. Além disso, havia internos que também eram mantidos contra a própria vontade, por tempo indeterminado, sem qualquer autorização médica ou judicial. A justificativa da unidade era sob o pretexto de tratamento de saúde mental. Atropelamento Durante uma vistoria da Vigilância Sanitária, cinco dos 37 internos deixaram a clínica após contato com suas famílias. Douglas Navarro prometeu avisar os familiares dos demais internos e encerrar as atividades. No entanto, ele tentou transferir os outros pacientes para novas instituições sem o consentimento das famílias, numa tentativa de enganar a fiscalização. Ao descobrirem, alguns internos fugiram e denunciaram os abusos à Subprefeitura de Ribeirão Pires. Na tentativa de recapturá-los, o denunciado atropelou três vítimas com seu carro. Douglas Navarro foi notificado pela Justiça e tem 10 dias para apresentar a defesa. O SBT News tenta localizá-lo. O espaço segue aberto para manifestação.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/justica-torna-reu-dono-de-clinica-terapeutica-acusado-de-tortura-deposito-humano-diz-denuncia