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Histórias Inspiradoras de Adoção: amor e acolhimento transformam vidas

No Dia Nacional da Adoção, conheça relatos emocionantes de crianças e adolescentes que encontraram lares repletos de carinho e dedicação

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Victor Ferreira
26/05/2024, 00:09 • Atualizado em 26/05/2024, 00:09
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Histórias Inspiradoras de Adoção: amor e acolhimento transformam vidas

"Uma das primeiras frases que a gente falou para a Stephanie, quando ela ainda estava no serviço de acolhimento, foi se ela aceitava ser nossa filha." Com essas palavras, os pais Betho Fers e Érick Silva deram um passo que mudaria toda a vida da pequena.

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O processo iniciado pelos pais veio em 2016, um ano depois do Supremo Tribunal Federal conceder o direito a casais homoafetivos, e foi concluído após dois anos, quando eles foram acionados para buscar a Stephanie e levá-la para casa. Uma nova fase para cada um dos três.

"A gente escolhe todos os dias amar, cuidar, a gente escolhe todos os dias ser os pais que queríamos ser desde que entramos com o processo", declara Betho. "Acho que a definição de adoção para mim é o respeito à história dessa criança que está chegando na nossa vida," diz Érick Silva, outro pai da Stephanie.

A adoção concluída pela família contrasta com as listas de pais e crianças no país. Apenas em São Paulo, há mais de 36,3 mil pretendentes para adoção e 4,8 mil crianças para serem adotadas, segundo o Tribunal de Justiça do estado.

A disparidade entre os números de famílias e órfãos se dá, muitas vezes, pela idealização de crianças mais novas, brancas, sem irmãos ou deficiência - o oposto das características das que esperam por um lar. A importância da causa volta ao centro de debate pelo Dia Nacional da Adoção, comemorado neste sábado (25).

Outra história marcante também mostra crianças e adolescentes que encontraram um lar cheio de amor e acolhimento. Uma família que no sentido mais completo que essa palavra pode trazer consigo.

Wallace, Naiara, André, Flavio, Kethlyn. Com cinco filhos, o sofá da família Meireles precisa ser grande para caber todo mundo, assim como tudo na casa. "Sete pratos, é muita comida, viu", brinca a matriarca, Isabelle Meireles.

"Quando eu conheci o Tiago na faculdade, eu alimentei esse desejo de ter família com ele e a gente sonhou junto. Em 2017, nós começamos nosso projeto de habilitação e aí nós conhecemos a história dos nossos três primeiros filhos," conta a missionária.

Dois anos depois, veio o quarto. "Quando conhecemos a Naiara, a história dela mexeu muito com a gente porque ela ia fazer 18, iria morar sozinha. O que iria acontecer com ela?", relembra a mãe.

O período também é lembrado pela filha. "Na hora que eu estava morando no abrigo, eu nunca imaginei que eu ia ser adotada, nunca imaginei", relata Naiara.

Mais alguém, no mesmo abrigo, havia passado por quatro tentativas de adoção. Era o Flávio, agora conhecido como filho.

"Agradecer por tudo, agradecer por me dar uma luz, ter me criado, ser o garoto que eu estou sendo hoje... alegre e radiante", conta Flávio Meireles.

Com exceção da Kethlyn, que tinha sete anos quando encontrou a família que esperava por ela, todos os outros filhos do Tiago e da Isabelle foram adotados quando tinham dez anos ou mais. Faixa etária que concentra quase 60% das crianças e adolescentes que estão nos abrigos.

Na outra ponta, vem o problema: menos de 2% dos adotantes aceitam receber um filho com dez anos ou mais.

A psicóloga e diretora técnica da Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção, Mayra Aiello, explica a disparidade: "Essa conta ainda não fecha, no meu entendimento, porque muitas vezes a gente está partindo de um perfil idealizado. De uma criança que não existe".

Mayra também lembra que, em qualquer idade, há tempo e oportunidade de escrever uma história.

"Um receio que as pessoas têm é por causa da grande ênfase que a gente tem de estudos que falam da janela de desenvolvimento na primeira infância, que é do zero aos seis anos. Muitas vezes as pessoas acabam se apegando a isso como se não tivesse algumas questões específicas, principalmente de afeto, como se o indivíduo não pudesse desenvolver posteriormente. Nunca é tarde para se criar laços afetivos, para se criar vínculos", declara.

A possibilidade de se criar uma família com o perfil é representada pela família Meirelles, como defende a mãe. "A gente deu essa chance e temos essa família que eu falo com muito orgulho, que eu amo. E acho a nossa família linda", conclui.

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