Decisão sobre devolução de dinheiro é das instituições financeiras envolvidas na operação
Marcos Guedes
Pagamento era feito via Pix para uma conta indicada pelos fraudadores | Divulgação/Pix
Nove em cada dez pedidos de devolução de dinheiro perdido em golpes por Pix foram recusados nos quatro primeiros meses deste ano. É o que mostra levantamento do SBT com base nos dados de fraude divulgados pelo Banco Central.
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Foram 11,8 milhões de pedidos abertos por vítimas e 10,7 milhões negados pelas instituições financeiras, taxa de recusa de 90,3%. Entre os casos aceitos, R$ 264,7 milhões voltaram integralmente às vítimas, cerca de 10% do valor reconhecido no período.
Os números de janeiro a abril são os mais recentes disponíveis. Apesar de o Banco Central informar que publica as estatísticas 30 dias após o encerramento de cada mês, os dados de maio em diante ainda não foram divulgados.
Como funciona o pedido de devolução
O mecanismo criado pelo Banco Central para tentar recuperar esse dinheiro é o MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Ele pode ser acionado quando há suspeita de fraude, golpe, crime ou falha operacional.
A vítima deve procurar a instituição onde mantém a conta e registrar a reclamação, em até 80 dias depois da transação.
A partir da notificação, a instituição que recebeu o dinheiro bloqueia cautelarmente os recursos que ainda estiverem disponíveis na conta. O caso é analisado pelas instituições envolvidas em até sete dias corridos. Se a fraude for confirmada, o dinheiro é devolvido, desde que ainda exista saldo na conta de destino. Se não houver saldo suficiente, podem ocorrer devoluções parciais caso novos recursos entrem na conta dentro do prazo previsto.
Quem decide se o pedido será aceito não é o Banco Central, e sim as instituições financeiras envolvidas na operação. Procurado, o Banco Central não respondeu aos questionamentos da reportagem, enviados desde segunda-feira (24).
O chamado golpe do Pix não é uma modalidade única de crime. O termo reúne diferentes tipos de fraude em que o Pix é usado para transferir rapidamente o dinheiro obtido das vítimas. Entre eles estão falsas centrais bancárias, falsos conhecidos, vendas inexistentes, comprovantes adulterados, QR Codes ou chaves alteradas e falsas oportunidades de investimento.
Na maioria dos casos, o Pix é apenas o meio usado para movimentar o dinheiro. A fraude acontece antes, por engenharia social, personificação, invasão de contas ou outras formas de manipulação.
Pesquisa do IPESPE encomendada pelo Observatório Febraban, divulgada em junho de 2025, mostra quais golpes os brasileiros mais citam: clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%) e golpe do Pix (24%).
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registra 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, alta de 429,8% em relação a 2018. O crime se tornou o principal delito patrimonial do país.
O número real é maior. Segundo o mesmo levantamento, 15,8% da população acima de 16 anos, cerca de 26,3 milhões de pessoas, foi vítima de algum golpe no último ano, e 83,2% dos brasileiros dizem temer ser vítimas de fraude pela internet ou pelo celular.
O Anuário aponta que o estelionato deixou de ser praticado por indivíduos isolados e passou a operar em escala industrial, com divisão de tarefas, metas de arrecadação e bônus por desempenho. Facções como PCC e Comando Vermelho passaram a investir em estruturas dedicadas a fraudes digitais, por serem de baixo risco e alta rentabilidade.
Golpe no Pix: 9 em cada 10 reembolsos são negadosDecisão sobre devolução de dinheiro é das instituições financeiras envolvidas na operaçãoBrasil2026-08-28T17:31:35.937ZNove em cada dez pedidos de devolução de dinheiro perdido em golpes por Pix foram recusados nos quatro primeiros meses deste ano. É o que mostra levantamento do SBT com base nos dados de fraude divulgados pelo Banco Central. Foram 11,8 milhões de pedidos abertos por vítimas e 10,7 milhões negados pelas instituições financeiras, taxa de recusa de 90,3%. Entre os casos aceitos, R$ 264,7 milhões voltaram integralmente às vítimas, cerca de 10% do valor reconhecido no período. Os números de janeiro a abril são os mais recentes disponíveis. Apesar de o Banco Central informar que publica as estatísticas 30 dias após o encerramento de cada mês, os dados de maio em diante ainda não foram divulgados. Como funciona o pedido de devolução O mecanismo criado pelo Banco Central para tentar recuperar esse dinheiro é o MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Ele pode ser acionado quando há suspeita de fraude, golpe, crime ou falha operacional. A vítima deve procurar a instituição onde mantém a conta e registrar a reclamação, em até 80 dias depois da transação. A partir da notificação, a instituição que recebeu o dinheiro bloqueia cautelarmente os recursos que ainda estiverem disponíveis na conta. O caso é analisado pelas instituições envolvidas em até sete dias corridos. Se a fraude for confirmada, o dinheiro é devolvido, desde que ainda exista saldo na conta de destino. Se não houver saldo suficiente, podem ocorrer devoluções parciais caso novos recursos entrem na conta dentro do prazo previsto. Quem decide se o pedido será aceito não é o Banco Central, e sim as instituições financeiras envolvidas na operação. Procurado, o Banco Central não respondeu aos questionamentos da reportagem, enviados desde segunda-feira (24). O tamanho do problema O chamado golpe do Pix não é uma modalidade única de crime. O termo reúne diferentes tipos de fraude em que o Pix é usado para transferir rapidamente o dinheiro obtido das vítimas. Entre eles estão falsas centrais bancárias, falsos conhecidos, vendas inexistentes, comprovantes adulterados, QR Codes ou chaves alteradas e falsas oportunidades de investimento. Na maioria dos casos, o Pix é apenas o meio usado para movimentar o dinheiro. A fraude acontece antes, por engenharia social, personificação, invasão de contas ou outras formas de manipulação. Pesquisa do IPESPE encomendada pelo Observatório Febraban, divulgada em junho de 2025, mostra quais golpes os brasileiros mais citam: clonagem ou troca de cartão (45%), golpe do WhatsApp (34%), falsa central bancária (31%) e golpe do Pix (24%). O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registra 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, alta de 429,8% em relação a 2018. O crime se tornou o principal delito patrimonial do país. O número real é maior. Segundo o mesmo levantamento, 15,8% da população acima de 16 anos, cerca de 26,3 milhões de pessoas, foi vítima de algum golpe no último ano, e 83,2% dos brasileiros dizem temer ser vítimas de fraude pela internet ou pelo celular. O Anuário aponta que o estelionato deixou de ser praticado por indivíduos isolados e passou a operar em escala industrial, com divisão de tarefas, metas de arrecadação e bônus por desempenho. Facções como PCC e Comando Vermelho passaram a investir em estruturas dedicadas a fraudes digitais, por serem de baixo risco e alta rentabilidade.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/golpe-no-pix-9-em-cada-10-reembolsos-sao-negados
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