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Comportamento de alunos afeta 89% dos professores no Brasil

Relatório da OCDE aponta ainda saída de docentes e baixa satisfação com as condições de trabalho; especialista destaca importância de apoio das escolas

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Caroline Vale
Comportamento dos alunos desafia 89% dos professores no Brasil. | Sumaia Vilela / Agência Brasil

Comportamento dos alunos desafia 89% dos professores no Brasil. | Sumaia Vilela / Agência Brasil

O comportamento dos alunos é um dos desafios da rotina dos professores brasileiros. Segundo o relatório Education at a Glance 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 89,4% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental afirmam precisar lidar frequentemente ou sempre com comportamentos de estudantes que atrapalham as aulas. A média da organização é de 72,1%.

O levantamento foi divulgado em setembro e reúne indicadores sobre os sistemas educacionais de diversos países. Neste Dia dos Professores, celebrado nesta quinta-feira (15), os dados ajudam a discutir as condições de trabalho dos educadores e os desafios para manter profissionais na carreira.

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Ao SBT News, Luciana Patrocinio, diretora de soluções complementares na Cogna Educação, afirma que lidar com essas situações exige preparo e apoio da comunidade escolar. “O professor precisa lidar com conflitos e diferentes comportamentos enquanto preserva as condições de aprendizagem de toda a turma. Isso exige preparo para compreender cada situação, estabelecer limites, construir vínculos e intervir de maneira adequada”, afirma.

A especialista destaca que a responsabilidade não deve ficar concentrada no professor. “Essa responsabilidade precisa ser compartilhada com a escola”, diz. Entre as medidas que podem ajudar estão regras de convivência claras, procedimentos de mediação de conflitos, diálogo com as famílias e formação continuada para professores e lideranças escolares.

"A formação continuada dos professores e das lideranças deve contemplar competências socioemocionais, gestão de conflitos e cultura de paz. Esse trabalho precisa fazer parte da rotina escolar, com prevenção e acompanhamento, para que a equipe tenha recursos para agir antes que os problemas se agravem", pontua.

Saída de professores e condições de trabalho

O relatório também aponta dificuldades para manter profissionais na docência. No Brasil, 10,3% dos professores qualificados do ensino fundamental e médio deixaram a profissão em 2022. Na média da OCDE, o índice foi de 6,4% em 2024/2025. Os períodos de referência são diferentes, e o indicador brasileiro inclui aposentadorias e desligamentos, não apenas pedidos de demissão.

Outro dado mostra que apenas 44,3% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental estão satisfeitos com as condições de trabalho, sem considerar a remuneração. Em relação aos salários, a proporção cai para 22,3%.

Na avaliação de Luciana, a permanência na carreira depende de uma combinação de fatores, como remuneração, sobrecarga da jornada, infraestrutura, segurança, reconhecimento e apoio da gestão. “A decisão de permanecer na docência está relacionada às condições que o professor encontra para realizar seu trabalho e às perspectivas de desenvolvimento que enxerga para o futuro”, afirma.

"Um ponto importante é o tempo disponível para planejar as aulas, acompanhar os estudantes e organizar o trabalho pedagógico (...). Também pesa a relação com a comunidade escolar: o professor precisa se sentir respeitado e encontrar respaldo para enfrentar as dificuldades do cotidiano. Somadas às aposentadorias, a evasão de profissionais experientes amplia o desafio de renovação e reposição da força de trabalho docente. Preencher uma vaga não garante, por si só, a continuidade do trabalho com o mesmo repertório e experiência", destaca a especialista.

Apoio aos docentes

Para a diretora, a preparação para a realidade das escolas precisa começar durante a graduação, com experiências práticas supervisionadas. “Uma das principais lacunas aparece quando a experiência prática acontece apenas no final do curso ou sem acompanhamento suficiente”, diz.

"É necessário preparar o educador para as dimensões relacionais do trabalho, como mediar conflitos, dialogar com as famílias e atuar em contextos diversos. O professor precisa aprender a reconhecer as necessidades dos alunos e a mobilizar o apoio da equipe escolar", opina.

Ela também defende que o suporte continue após a formação inicial, por meio de acompanhamento de profissionais experientes e capacitação ligada aos desafios cotidianos da escola.

Além disso, a especialista aponta a necessidade de garantir tempo para planejamento, avaliação e formação, infraestrutura adequada e apoio à saúde mental dos profissionais. Para ela, a valorização docente precisa criar condições para que os professores desenvolvam seu trabalho e tenham perspectivas de crescimento ao longo da carreira.

"Essa mudança exige uma atuação conjunta das escolas, das redes de ensino e das secretarias, considerando as necessidades de cada território. Tornar a docência uma escolha profissional desejada e sustentável depende de condições para ensinar, continuar aprendendo e enxergar futuro na educação", completa Luciana Patrocinio.

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