CNJ abre processo contra desembargador por assédio
Investigação aponta sete possíveis vítimas de importunação sexual e estupro atribuídas a Magid Láuar, que segue afastado cautelarmente
SBT News
Desembargador Magid Nauef Láuar | Reprodução
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Magid Nauef Láuar. A decisão foi tomada durante a 9ª Sessão Ordinária de 2026, realizada nesta terça-feira (9), e mantém o magistrado afastado cautelarmente de suas funções.
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A investigação teve início após a abertura de uma Reclamação Disciplinar em fevereiro deste ano. Inicialmente, o procedimento buscava apurar a conduta do desembargador em um julgamento que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. Posteriormente, o caso foi ampliado para incluir denúncias de supostos crimes sexuais atribuídos ao magistrado.
O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, votou pela abertura do PAD e pela manutenção do afastamento cautelar. O entendimento foi acompanhado pelos demais conselheiros do CNJ e pelo presidente do órgão e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.
Segundo Campbell, as apurações revelaram relatos de supostas vítimas que acusam o desembargador de importunação sexual e estupro. Para investigar as denúncias, a Corregedoria Nacional de Justiça enviou uma equipe de juízes auxiliares às cidades de Teófilo Otoni e Governador Valadares, em Minas Gerais.
De acordo com o relator, foram identificadas ao menos sete possíveis vítimas. Os depoimentos apontariam um padrão de comportamento em que as abordagens ocorreriam em contextos de vulnerabilidade e subordinação das vítimas.
“Do depoimento das vítimas foi possível extrair um padrão sistemático de comportamento assumido que selecionava as vítimas a partir da resistência que essas podiam oferecer às suas investidas. A abordagem era precedida de uma situação de subordinação que propiciava o contato e enfraquecia eventuais resistências, sendo que muitas encontravam-se em situação de vulnerabilidade e tenra idade”, afirmou o ministro.
Campbell também destacou que não há prescrição iminente dos fatos investigados. Conforme informado, algumas ocorrências teriam sido registradas em 2011, com prazos prescricionais que se estenderiam até 2027 e 2030, dependendo do caso analisado.
Denúncias contra o desembargador
As denúncias ganharam repercussão nacional após a decisão do desembargador no caso envolvendo a adolescente de 12 anos. Na ocasião, Magid Nauef Láuar votou pela absolvição do acusado sob o argumento de que existiriam circunstâncias específicas que afastariam a aplicação da Súmula 593 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entendimento que considera estupro de vulnerável qualquer ato sexual praticado com menores de 14 anos, independentemente de consentimento.
Após a repercussão negativa do caso, o magistrado reviu seu posicionamento e determinou a prisão do réu. Paralelamente, surgiram denúncias de abuso sexual feitas por um sobrinho e outras supostas vítimas, levando o CNJ a aprofundar as investigações.
O Conselho também iniciou auditoria para verificar se eventuais denúncias anteriores de assédio ou abuso sexual chegaram aos canais internos do TJMG e, em caso positivo, se foram devidamente apuradas.
CNJ abre processo contra desembargador por assédioInvestigação aponta sete possíveis vítimas de importunação sexual e estupro atribuídas a Magid Láuar, que segue afastado cautelarmenteBrasil2026-06-09T17:52:37.440ZO Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Magid Nauef Láuar. A decisão foi tomada durante a 9ª Sessão Ordinária de 2026, realizada nesta terça-feira (9), e mantém o magistrado afastado cautelarmente de suas funções. A investigação teve início após a abertura de uma Reclamação Disciplinar em fevereiro deste ano. Inicialmente, o procedimento buscava apurar a conduta do desembargador em umcontra uma menina de 12 anos. Posteriormente, o caso foi ampliado para incluir denúncias de supostos crimes sexuais atribuídos ao magistrado. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, votou pela abertura do PAD e pela manutenção do afastamento cautelar. O entendimento foi acompanhado pelos demais conselheiros do CNJ e pelo presidente do órgão e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Investigações Segundo Campbell, as apurações revelaram relatos de supostas vítimas que acusam o desembargador de importunação sexual e estupro. Para investigar as denúncias, a Corregedoria Nacional de Justiça enviou uma equipe de juízes auxiliares às cidades de Teófilo Otoni e Governador Valadares, em Minas Gerais. De acordo com o relator, foram identificadas ao menos sete possíveis vítimas. Os depoimentos apontariam um padrão de comportamento em que as abordagens ocorreriam em contextos de vulnerabilidade e subordinação das vítimas. “Do depoimento das vítimas foi possível extrair um padrão sistemático de comportamento assumido que selecionava as vítimas a partir da resistência que essas podiam oferecer às suas investidas. A abordagem era precedida de uma situação de subordinação que propiciava o contato e enfraquecia eventuais resistências, sendo que muitas encontravam-se em situação de vulnerabilidade e tenra idade”, afirmou o ministro. Campbell também destacou que não há prescrição iminente dos fatos investigados. Conforme informado, algumas ocorrências teriam sido registradas em 2011, com prazos prescricionais que se estenderiam até 2027 e 2030, dependendo do caso analisado. Denúncias contra o desembargador As denúncias ganharam repercussão nacional após a decisão do desembargador no caso envolvendo a adolescente de 12 anos. Na ocasião, Magid Nauef Láuar votou pela absolvição do acusado sob o argumento de que existiriam circunstâncias específicas que afastariam a aplicação da Súmula 593 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entendimento que considera estupro de vulnerável qualquer ato sexual praticado com menores de 14 anos, independentemente de consentimento. Após a repercussão negativa do caso, o magistrado reviu seu posicionamento e determinou a prisão do réu. Paralelamente, surgiram e outras supostas vítimas, levando o CNJ a aprofundar as investigações. Em fevereiro, a , por determinação do CNJ. Equipamentos eletrônicos foram recolhidos durante a operação. O Conselho também iniciou auditoria para verificar se eventuais denúncias anteriores de assédio ou abuso sexual chegaram aos canais internos do TJMG e, em caso positivo, se foram devidamente apuradas.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/cnj-abre-processo-contra-desembargador-por-crimes-sexuais