Brasil

Brasil já perdeu 33% das áreas naturais de seu território

Dados englobam o período de 1985 a 2023 e fazem parte de um levantamento da MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (21)

S
SBT News
21/08/2024, 14:52 • Atualizado em 22/08/2024, 00:59
compartilhar
Brasil já perdeu 33% das áreas naturais de seu território, afirma MapBioma | Foto: Greenpeace

Brasil já perdeu 33% das áreas naturais de seu território, afirma MapBioma | Foto: Greenpeace

Desde a chegada da colonização europeia, o Brasil já perdeu 33% de áreas naturais do território. Os dados alarmantes foram divulgados pela MapBiomas, nesta quarta-feira (21). Segundo o levantamento, em 1985, o Brasil tinha 76% do território coberto por vegetação nativa; em 2023 eram 64,5%.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Nesse período, a área de pastagem expandiu 79%, ou 72,5 milhões de hectares a mais, em relação a 1985, e a de agricultura cresceu 228%, ou um acréscimo de 42,4 milhões de hectares.

Em 1985, 48% dos municípios tinham o predomínio da agropecuária; enquanto em 2023, esse predomínio chegou a 60% dos municípios.

Somente nos últimos 39 anos, o Brasil perdeu 110 milhões de hectares de terra nativa. Essas áreas naturais incluem vegetação nativa, superfície de água e áreas naturais não vegetadas, como praias e dunas. Metade desse total (55 milhões de hectares) ocorreu na Amazônia.

Em área total, Amazônia e Cerrado são os biomas que mais perderam área de vegetação nativa. Na Amazônia, foram 55 milhões de hectares, ou uma redução de 14% nos últimos 39 anos.

Com isso, a Amazônia brasileira é hoje 81% coberta por florestas e vegetação nativa — o que a coloca muito próximo da margem estimada pelos cientistas para seu ponto de não retorno, estimado entre 80% e 75% de vegetação nativa.

Esses 81% incluem 8,1 milhões de hectares (3%) de vegetação secundária, ou seja, que cresceu novamente depois de ser desmatada.

Áreas antrópicas totalizam 33% do território brasileiro | Fonte: MapBiomas
Áreas antrópicas totalizam 33% do território brasileiro | Fonte: MapBiomas

A extensão e rapidez da mudança da cobertura e uso da terra são alguns dos fatores que elevam o risco climático do Brasil – tema do Seminário Anual de lançamento da Coleção 9 de mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas.

O levantamento mostra também que, no Cerrado, 38 milhões de vegetação nativa foram suprimidos entre 1985 e 2023 — uma queda de 27%. Cerca de 10% do Cerrado (9,7 milhões de hectares) são cobertos por vegetação secundária.

Proporcionalmente em relação ao próprio tamanho, Cerrado e Pampa são os biomas que mais perderam área de vegetação nativa. No caso do Pampa, a perda entre 1985 e 2023 foi de 28% (3,3 milhões de hectares). Destaca-se ainda o fato de que um quarto da vegetação nativa remanescente do Pampa (26%, ou 2,1 milhões de hectares) é secundária.

No Pantanal, a redução mais acentuada foi na superfície de água, que passou de 21% em 1985 para 4% em 2023. Como consequência, as áreas de vegetação herbácea e arbustiva aumentaram de 36% em 1985 para 50% do bioma em 2023 – mas apenas 2% da cobertura vegetal do Pantanal (200 mil hectares) são de vegetação secundária.

A Caatinga perdeu 14% de vegetação nativa (8,6 milhões de hectares) entre 1985 e 2023, enquanto quase um quarto do bioma (23%, ou 11,5 milhões de hectares) já são de vegetação secundária.

Pampa, Caatinga e Mata Atlântica são os biomas com maior proporção de vegetação secundária em 2023. No caso deste último bioma, já são 6,9 milhões de hectares (21%).

A perda de vegetação nativa na Mata Atlântica foi de 10%, ou 3,7 milhões de hectares em 39 anos. Com isso, as formações florestais diminuiram de 28% para 26% no bioma. As atividades agropecuárias, por sua vez, passaram de 63% para 65%.

Histórico da cobertura e uso da terra nos biomas 1985-2023 | Fonte: MapBiomas
Histórico da cobertura e uso da terra nos biomas 1985-2023 | Fonte: MapBiomas

Dos 27 estados da federação, apenas um – o Rio de Janeiro – teve aumento de vegetação nativa no período avaliado, que passou de 30% para 32% de seu território.

Os demais 26 estados tiveram redução, sendo que as mais expressivas foram em Rondônia (de 93% em 1985 para 59% em 2023), Maranhão (de 88% para 61%), Mato Grosso (de 87% para 60%) e Tocantins (de 85% para 61%). A área de pastagem passou de 6% para 38% em Rondônia; de 5% para 29% no Maranhão; de 6% para 24% no Mato Grosso; e de 7% para 30% no Tocantins.

Os estados com maior proporção de vegetação nativa são Amapá (95%), Amazonas (95%) e Roraima (93%). Já os estados com menor proporção de vegetação nativa são Sergipe (20%), São Paulo (22%) e Alagoas (23%).

"A perda da vegetação nativa nos biomas brasileiros tende a impactar negativamente a dinâmica do clima regional e diminui o efeito protetor durante eventos climáticos extremos. Em síntese, representa aumento dos riscos climáticos", esclarece o coordenador geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

O MapBiomas também analisou pela primeira vez a perda de cobertura vegetal nas florestas públicas não destinadas – áreas sob domínio público, mas que ainda não têm um uso específico definido como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Concessões Florestais, e que aguardam uma destinação formal. Elas ocupam 13% da Amazônia Legal e têm 92% de sua área coberta por vegetação nativa, o equivalente a 60 milhões de hectares.

Levantamento constatou que Terras Indígenas continuam sendo as mais protegidas

As áreas mais preservadas do Brasil continuam sendo as Terras Indígenas (TIs) que cobrem 13% do território nacional. De 1985 a 2023, elas perderam menos de 1% de sua área de vegetação nativa, enquanto nas áreas privadas foram 28%.

Vegetação nativa em Terras Indígenas | Fonte: MapBiomas
Vegetação nativa em Terras Indígenas | Fonte: MapBiomas

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Paciente com suspeita de Ebola é internado em São Paulo

Paciente com suspeita de Ebola é internado em São Paulo

Imagem da notícia: Descarte de figurinhas da Copa exige reciclagem específica

Descarte de figurinhas da Copa exige reciclagem específica

Imagem da notícia: 5º dia útil de junho muda com feriado de Corpus Christi?

5º dia útil de junho muda com feriado de Corpus Christi?

Imagem da notícia: Justiça libera egípcio retido por 51 dias em Guarulhos

Justiça libera egípcio retido por 51 dias em Guarulhos

Imagem da notícia: Paciente com suspeita de Ebola é internado em São Paulo

Paciente com suspeita de Ebola é internado em São Paulo

Imagem da notícia: Descarte de figurinhas da Copa exige reciclagem específica

Descarte de figurinhas da Copa exige reciclagem específica

Imagem da notícia: 5º dia útil de junho muda com feriado de Corpus Christi?

5º dia útil de junho muda com feriado de Corpus Christi?

Imagem da notícia: Justiça libera egípcio retido por 51 dias em Guarulhos

Justiça libera egípcio retido por 51 dias em Guarulhos

Últimas notícias

Saiba o que fazer se perdeu o prazo de entrega do IR

Quem precisava declarar e não o fez está sujeito a multa e fica com CPF pendente de regularização

Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões neste sábado

Apostas podem ser feitas em casas lotéricas ou pela internet até as 20h

Paraguai manda retirar telões de Bolsonaro agredindo jogador

Cartazes exibidos na Cidade do Leste continham montagem do ex-presidente sobre atleta paraguaio; empresa fala em ataque hacker

JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

Relatório aprovado por seis votos a um contesta a versão oficial da morte do ex-presidente e aponta indícios de uma ação criminosa planejada pelo governo Geisel

Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Veja vídeo do momento do resgate de cinco dos sete mineradores; buscas continuam pelos dois homens desaparecidos

EUA recuam sobre regra para obtenção de green card

Departamento havia informado que imigrantes teriam de retornar ao país de origem para aguardar a emissão do documento; medida não será aplicada de forma ampla