Brasil

Autódromo de Interlagos: morte de empresário completa 5 meses sem resposta

Adalberto Amarílio dos Santos desapareceu após participar de um evento no local; o corpo dele foi encontrado em um buraco ainda com aliança, mas sem roupas

Cinco meses após a morte do empresário Adalberto Amarílio Júnior, de 35 anos, o caso continua sem solução. O corpo dele foi encontrado dentro de um buraco em uma área de obras do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, quatro dias depois de desaparecer. As investigações, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ainda tentam esclarecer quem participou do crime e por que o empresário foi assassinado.

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Desaparecimento e descoberta do corpo

Adalberto foi ao autódromo no dia 30 de maio, para participar de um evento de motociclistas. Segundo a esposa, Fernanda Dândalo, ele enviou uma mensagem por volta das 19h40 dizendo que voltaria para casa cerca de uma hora depois. Um amigo que o acompanhava contou que o empresário havia consumido cerveja e maconha e se despediu pouco antes das 20h, quando Adalberto disse que iria até o kartódromo de Interlagos para buscar o carro, estacionado em uma área de acesso restrito.

Depois disso, ele não foi mais visto. O rastreamento do celular indicava que o aparelho permanecia dentro do autódromo. Quatro dias depois, em 3 de junho, o corpo do empresário foi encontrado em uma vala de cerca de três metros de profundidade, parcialmente coberto por areia, sem calça e sem sapatos. Ele ainda estava com a aliança, o capacete e o celular.

Laudos e primeiras suspeitas

A principal linha de investigação passou a ser um desentendimento entre Adalberto e os seguranças do evento. O empresário teria discutido com vigilantes após perceber que o acesso ao carro estava bloqueado por tapumes instalados ao redor da obra. Testemunhas relataram que ele foi agredido, imobilizado com um “mata-leão” e arrastado por pelo menos três homens até o local onde foi enterrado.

Investigações e seguranças suspeitos

Mais de 200 seguranças trabalharam no evento de motociclistas naquele dia. Inicialmente, todos foram ouvidos, mas com o avanço da apuração, o número de suspeitos caiu para 15 e, depois, para apenas três.

Entre os investigados está Leandro Thallis, de 45 anos, lutador de jiu-jítsu com antecedentes por furto, ameaça e associação criminosa. Ele era encarregado pela equipe de segurança contratada para o evento, mas seu nome não constava na lista oficial entregue à polícia. Segundo o DHPP, ele e outros dois seguranças omitidos pela empresa estavam no autódromo no dia do crime, mas não compareceram ao evento no dia seguinte.

A polícia apreendeu sete celulares e cinco computadores, em busca de mensagens e arquivos apagados que possam esclarecer o caso. Na casa de Leandro, também foram encontradas 21 munições de revólver calibre .38, sem registro de porte de arma. Ele foi liberado após pagar fiança de cerca de R$ 2 mil.

Novos indícios e impasses

A investigação também tenta desvendar a origem de vestígios de sangue encontrados no carro de Adalberto. A perícia identificou material genético do próprio empresário e de uma mulher — que não é a esposa dele. Ainda não se sabe quando o sangue foi depositado no veículo nem se tem relação direta com o crime.

Como o trecho onde o corpo foi encontrado não tinha câmeras de segurança, o DHPP passou a usar recursos tecnológicos para cruzar dados de antenas de telefonia e identificar celulares que estiveram na área entre os dias 30 de maio e 3 de junho.

Cinco meses sem respostas

Apesar das apreensões, dos depoimentos e das análises periciais, o caso segue sem conclusão. O DHPP continua apurando a participação dos seguranças, enquanto tenta descobrir o que aconteceu nas últimas horas de vida do empresário.

Adalberto Amarílio Júnior deixou esposa e dois filhos.

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