Alerta falso: "Tudo leva a crer que foi hacker", diz governo
Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil afirmou que "tudo indica que não é pessoa do sistema cadastrada e que tenha acesso regular"

A Anatel disse em nota que "não há, neste momento, qualquer motivo para preocupação por parte da população em decorrência das mensagens recebidas" | Reprodução
O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou neste sábado (20) que "tudo leva a crer" que o falso alerta extremo emitido em nome do órgão, com a palavra "misantropia", foi resultado de um ataque hacker ao sistema responsável por disparos de avisos sobre emergências.
Wolff disse a jornalistas, durante coletiva de imprensa, que "tudo indica que não é pessoa cadastrada no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil e que tenha acesso regular a esse sistema". "Tudo nos levar a crer que foi ataque hacker, um crime cibernético", reforçou. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil é vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Ele ponderou que ainda não dá para "cravar" como se deu a invasão ou a identificação de um ou mais suspeitos pelo disparo indevido, já que a análise da área de tecnologia da informação (TI) do órgão e a investigação da Polícia Federal (PF) ainda estão em fase inicial.
A avaliação de momento do governo federal é que 10 alertas foram disparados ilegalmente: nove a partir da tecnologia Cell Broadcast, em sistema sob gestão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e um pela plataforma de mensagens via SMS.
O secretário informou que ainda não é possível estimar quantos celulares receberam a notificação falsa, mas projetou que milhões de pessoas em vários locais, como Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, foram impactadas pela mensagem. O número de unidades da federação afetadas também depende da apuração da PF. Paranaenses foram os primeiros a receber a notificação, cerca de uma hora antes de outras regiões.
"O que parece ter ocorrido é que a pessoa ou as pessoas entraram, se cadastraram no sistema e fizeram alerta a partir de Curitiba. Não sei onde estava ou quem é. A gente bloqueou. Uma outra ou a mesma entrou em outro lugar com outro cadastro e fez disparo de outro alerta. Até então, a gente tem notícia de que isso foi feito nove vezes usando o sistema Cell Broadcast e uma usando SMS", descreveu.
Wolff disse que a investigação deverá esclarecer se cada alerta falso corresponde a um estado, mas explicou que o sistema não permite que um funcionário de um local mande avisos para populações de outra UF.
"Uma pessoa só é capaz de entrar no sistema e fazer alerta para aquele estado. Jamais conseguiria para outro. Ainda não consigo dizer se houve um alerta por estado ou duas vezes para o mesmo estado. Isso faz parte da avaliação da TI e, em especial, da Polícia Federal", falou.
O secretário reconheceu que o caso "é muito ruim" para a credibilidade do sistema, "ainda mais porque a gente trata da segurança das pessoas, de vidas". "Lógico que para a confiabilidade isso não é bom", admitiu.
Wolff afirmou que uma nova versão do sistema, já em desenvolvimento, vai "considerar o que aconteceu nesse ataque" para aprimoramentos nas camadas de segurança, "principalmente com relação a quem pode logar e como pode logar". Ainda não há data prevista para que essa atualização entre em vigor.
"Temos que avaliar e ter informações bastante seguras de como aconteceu, como essas pessoas conseguiram furar nossa segurança. Ver se isso tá atendido por essa versão em andamento. No menor tempo possível, é prioridade do governo federal colocar essa nova versão que garante mais segurança ao sistema e aos usuários", acrescentou.














