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Enchentes no RS: IBGE revela dimensão do impacto nas casas

Dados mostram que a maioria dos domicílios enfrentou ocorrências relacionadas às enchentes, com impacto na estrutura das casas e no bem-estar da população

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Exame.com
04/07/2026, 15:41 • Atualizado em 04/07/2026, 15:41
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Levantamento mapea impactos das enchentes no Rio Grande do Sul | AFP

Levantamento mapea impactos das enchentes no Rio Grande do Sul | AFP

Uma pesquisa inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dimensiona a escala dos impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e aponta efeitos prolongados sobre moradia, renda, saúde e mobilidade da população.

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O levantamento, chamado Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), estima que 6.333.727 moradores estavam nas áreas mais afetadas pelo evento climático. O total de domicílios nessas regiões foi calculado em 2.328.093.

A operação foi realizada entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, em 133 municípios, como parte de uma força-tarefa do IBGE voltada a medir os impactos sociais de desastres climáticos extremos.

Segundo a pesquisa, 88% dos domicílios registraram algum tipo de ocorrência relacionada às enchentes. As interrupções de serviços básicos foram generalizadas: tanto o fornecimento de água quanto o de energia elétrica foram afetados em 66,3% das residências.

Infraestrutura e impacto imediato nas casas

Além disso, 68,7% dos domicílios relataram impactos no bairro ou nas ruas próximas, incluindo ruas e rodovias danificadas, alagadas ou interditadas. Mais da metade da população avaliou que houve prejuízos diretos nas residências: o levantamento indica que 55,5% dos moradores relataram danos na estrutura dos domicílios.

Na análise mais grave, 11,7% das moradias foram classificadas como destruídas ou muito danificadas — sendo 81.272 unidades destruídas e 190.253 muito danificadas.

A mudança de endereço atingiu 14,6% dos moradores afetados, o equivalente a 922.233 pessoas.

Entre quem se mudou, 37,9% afirmaram que a decisão foi motivada diretamente pelas enchentes. O fenômeno foi mais concentrado entre famílias de menor renda, com 28,3% dos deslocados vivendo em domicílios com renda de até R$ 2.000,00.

Saúde mental e efeitos sociais

Os impactos sobre o bem-estar foram amplos. Segundo a pesquisa, 67,5% dos entrevistados relataram saúde mental abalada após o desastre.

Também foram registradas interrupções na vida social e no convívio com familiares ou amigos (58,4%), além de dificuldades de deslocamento para trabalho, escola ou creche (57,3%).

Antes das enchentes, 58,3% dos moradores com 14 anos ou mais estavam inseridos no mercado de trabalho. Durante o evento, 56,4% interromperam suas atividades.

No período da coleta, o nível de ocupação havia praticamente retornado ao patamar anterior, com 3.035.991 pessoas ocupadas, contra 3.043.889 antes do desastre.

A renda também ajuda a dimensionar a exposição ao evento: 66,8% dos moradores estavam na faixa de até R$ 5.000 mensais.

Educação e interrupção escolar

Entre os 1.696.612 estudantes registrados em abril de 2024, 78,9% interromperam a frequência escolar durante as enchentes. Desses, 94,8% já haviam retomado os estudos no momento da pesquisa.

A pesquisa identificou que 484.221 domicílios (20,8%) receberam auxílio financeiro de entes públicos entre abril e maio de 2024. Em paralelo, 196.293 domicílios tiveram pelo menos um morador que precisou de atendimento médico em razão das enchentes.

Nos casos mais críticos, 652.107 domicílios ficaram inacessíveis, exigindo resgates — majoritariamente feitos por transporte aquático (70,0%) e por voluntários (74,9%). A avaliação dos serviços públicos após o desastre mostra um cenário misto. Houve piora mais frequente em itens como acesso à saúde, esgotamento sanitário, escoamento da água da chuva e transporte coletivo.

Por outro lado, energia elétrica, iluminação pública e limpeza urbana apresentaram mais avaliações de melhora do que de piora. Sobre as ações de recuperação, 41,0% dos moradores consideraram o trabalho satisfatório, enquanto 39,2% avaliaram como insatisfatório.

Diferenças regionais

A pesquisa cobriu seis regiões intermediárias no estado. Porto Alegre concentrou cerca de 59% dos domicílios e moradores das áreas analisadas. Na região metropolitana, 55,0% dos domicílios tiveram danos estruturais, incluindo 5,1% destruídos e 10,9% muito danificados.

Em algumas regiões, mais de 70% dos moradores relataram impactos nos bairros e arredores das residências, com destaque para Santa Cruz do Sul e Lajeado, além de Porto Alegre e Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo.

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