Brasil

72% das pistolas ilegais que circulam na capital do país são nacionais

Arma é a 9mm, que passou a ser liberada para civis com decretos de Bolsonaro; dados são de 2022

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Leonardo Cavalcanti
19/05/2023, 18:50 • Atualizado em 31/10/2023, 18:44
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A escalada na apreensão de pistolas no Distrito Federal tem batido recordes em sequência. Apenas no ano passado, 754 armas desse tipo, que circulavam ilegalmente, foram recolhidas pelas forças de segurança, um número maior do que o de revólveres. Levantamento exclusivo do SBT News revela agora que 72% do modelo 9mm - recordista nas batidas policiais - são nacionais. Todos da fabricante Taurus, uma empresa com sede em São Leopoldo (RS).

Os modelos eram de uso restrito até 2019, quando foram publicados, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, os decretos que flexibilizaram o acesso a armas no país. 

Ao todo, em 2022, foram apreendidas 214 pistolas 9mm da marca Taurus. Em segundo lugar vem, com 46 armas (15%), a Czech Arms Factory, a CZ, da República Checa. Em terceiro lugar, aparece a austríaca Glock, com 22 pistolas (7%) recolhidas pelos policiais do DF. As demais fábricas - as alemãs SIG e Heckler e Mauser; as italianas Beretta e Tanfoglio; as norte-americas Browning e Smith & Wesson; e a argentina Bersa aparecem com 17 apreensões (6%).

Os dados das armas apreendidas foram fornecidos por meio de pedido da Lei de Acesso à Informação

"Os números revelam que armas nacionais compradas legalmente alimentam o mercado do crime", afirma Bruno Langeani, gerente do Instituto Sou da Paz. "Aqui não cabe mais o argumento de contrabando e tráfico de armas para alimentar o crime, afinal a maior parte das armas é brasileira." Isso não excluem as pistolas estrangeiras, que também podem ter origem no mercado legal, principalmente compradas por integrantes de forças de segurança.

O preço médio de uma pistola nacional é de R$ 4,5 mil. Algumas das armas apreendidas, como a Heckler & Koch, chegam, entretanto, a R$ 12 mil. Entre 2018 e 2022, houve uma mudança no perfil das marcas das 9mm apreendidas. Antes do governo Bolsonaro, em 2018, as da Taurus representavam 37% das apreensões. A Glock, ganhadora de parte das licitações de secretárias de segurança, cresceu e números absolutos, mas caiu em percentual, antes representava 22% - a austríaca agora perdeu a segunda posição para a checa CZ.

Em resposta à reportagem, a assessoria da Taurus informou que, caso seja fornecido por "meio de órgão policial" a numeração das pistolas apreendidas, será possível identificar a origem das armas. "A empresa possui um forte compromisso com o uso responsável de seus produtos, viabilizando aos órgãos competentes a identificação personalizada das armas produzidas, observando o rigoroso cumprimento da legislação."

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