Brasil

RJ: Apenas 44,9% dos desaparecimentos são solucionados no estado

Média de resolução dos casos nos estados é de 58,3%, indica Centro de Estudos de Segurança e Cidadania

S
SBT News
27/05/2022, 00:17 • Atualizado em 31/10/2023, 02:10
compartilhar
cartaz de desaparecidos

cartaz de desaparecidos

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Dos cerca de 5 mil desaparecimentos registrados por ano, no estado do Rio de Janeiro, apenas 44,9% são solucionados pelos órgãos competentes, segundo pesquisa divulgada, nesta 5ª feira (26.mai), pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec).

Considerado um dos piores resultados do país, o índice de resolução de casos no Rio de Janeiro está bem abaixo da média dos estados, que é de 58,3%. Segundo o Cesec, das 27 unidades da federação (UF), apenas 21 apresentaram informações sobre a taxa de retorno dos casos; os dados são referentes a 2019.

"A média de localizados, nas 21 UFs onde havia essa informação em 2019, foi de 58,3% e algumas das que tinham altas taxas de registros foram também as que apresentaram maiores percentuais de retorno, às vezes acima de 100% por incluírem localizações de pessoas desaparecidas em anos anteriores: Santa Catarina (107,9%), Rio Grande do Sul (100,2%) e Distrito Federal (88,2%)", indica o relatório "Teia de Ausências" do Cesec.

Para a realização da pesquisa, foram ouvidas entidades públicas e privadas que auxiliam na investigação destes casos, no estado do Rio de Janeiro, como a Defensoria e o Ministério Público, o Disque-Denúncia e a Fundação para Infância e Adolescência (FIA), além de organizações de apoio às famílias de desaparecidos, como Mães Braços Fortes, Mães Virtuosas e Portal Kids.
 

Desigualdade social x Apuração dos casos

O Cesec chama a atenção para a influência da desigualdade social nos índices de sucesso do estado, destacando a dificuldade da população mais pobre em conseguir ajuda do Poder Público, visto que, em todo o Rio de Janeiro, existe apenas uma delegacia especializada em desaparecimentos, localizada na capital fluminense. 

"A desvantagem socioeconômica acrescenta a essa experiência, já por si dramática e angustiante, o peso da nossa gigantesca desigualdade", afirma o documento, ressaltando que, nos últimos 10 anos, a Baixada Fluminense e as cidades de São Gonçalo e Niterói corresponderam, juntas a 38% dos desaparecimentos de todo o estado e 46% dos casos da região metropolitana.

Desta forma, o Cesec indica que, devido a falta de profissionais em frente à grande demanda, a Delegacia de Descoberta de Paradeiros [DDPA] deixa de investigar mais de 55% da ocorrências do estado. O documento alerta ainda para a subnotificação dos retornos de pessoas desaparecidas, apontado como provável causa a falta de comunicação entre as famílias e as autoridades.
 

Registro de desaparecidos

Além da dificuldade de atendimento, por questões socioeconômicas, o relatório aponta negligências por parte de autoridades que, devido a preconceitos e estereótipos, não estariam priorizando determinadas ocorrências. Para o Cesec, há "desprezo, despreparo e até brutalidade por parte de agentes", que tentam deslegitimar o registro de alguns casos.

"A experiência comum dos familiares é de esperarem muito tempo para ser atendidos, enfrentarem forte resistência à realização do registro pelos policiais, serem ordenados a voltar um ou mais dias depois (não obstante a lei que determina início imediato da busca) e aconselhados a procurar a pessoa desaparecida primeiro nos hospitais e no Instituto Médico Legal", diz o documento.

O estudo traça ainda um paralelo entre o perfil dos desaparecidos e a taxa de sucesso dos casos. Dados do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), mostram que 29% das pessoas sem paradeiro conhecido são pretas, 41% são pardas e 29% brancas. Já em relação ao gênero, a grande maioria são homens, 64,56%, e 35,44% mulheres.

Assim, os números indicam que homens negros correspondem a 70% dos desaparecimentos no Rio. "Se, por um lado, as estatísticas do Rio de Janeiro mostram que o fenômeno geral do desaparecimento de pessoas pode atingir famílias de diferentes raças, idades e camadas sociais, percebe-se, por outro, que as trajetórias de busca percorridas por famílias negras e pobres são muito mais árduas e os recursos sociais e institucionais disponíveis, muito mais escassos", conclui a pesquisa.

**Com informações da Agência Brasil


Leia também:
+ "Os generais do exército não são solução", diz Weintraub

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Caiado diz que Flávio perdeu espaço para enfrentar Lula

Caiado diz que Flávio perdeu espaço para enfrentar Lula

Imagem da notícia: AGU vai defender Moraes em caso Rumble nos EUA

AGU vai defender Moraes em caso Rumble nos EUA

Imagem da notícia: Dino dá cinco dias para União revisar reestruturação da CVM

Dino dá cinco dias para União revisar reestruturação da CVM

Imagem da notícia: Reino Unido bane redes sociais para menores de 16 anos

Reino Unido bane redes sociais para menores de 16 anos

Imagem da notícia: Caiado diz que Flávio perdeu espaço para enfrentar Lula

Caiado diz que Flávio perdeu espaço para enfrentar Lula

Imagem da notícia: AGU vai defender Moraes em caso Rumble nos EUA

AGU vai defender Moraes em caso Rumble nos EUA

Imagem da notícia: Dino dá cinco dias para União revisar reestruturação da CVM

Dino dá cinco dias para União revisar reestruturação da CVM

Imagem da notícia: Reino Unido bane redes sociais para menores de 16 anos

Reino Unido bane redes sociais para menores de 16 anos

Últimas notícias

Vídeo: veja momento da colisão entre helicópteros no Rio

Aeronaves se chocaram no ar; seis pessoas morreram

Ponte onde jovem morreu está abandonada, diz vereadora

Bruna Magalhães (PRTB) cobra o governo federal por medidas na Ponte do Esqueleto, em Limeira, onde jovem de 21 anos morreu após salto de rope jump

Helicópteros que bateram no Rio não tinham alerta de colisão

Especialista em segurança de voo afirma que visibilidade entre os pilotos no momento da aproximação deve ser investigada; acidente deixou 6 mortos

Moraes nega pedido para adiar julgamento de Eduardo

Ex-deputado filho de Jair Bolsonaro pode ser condenado por coação no processo da tentativa de golpe; análise da Primeira Turma do STF começa nesta terça (16)

Cacique Raoni é internado em estado grave em Mato Grosso

Líder indígena de 94 anos está na UTI com suspeita de sepse causada por pneumonia; quadro exige monitoramento intensivo

Anvisa mantém suspensão de lotes de produtos Ypê

Resolução publicada no DOU restringe venda e uso de itens fabricados antes de março e abril de 2026 após falhas identificadas na produção