Petrópolis amanhece sob chuva fina e novos deslizamentos
Pancadas da noite anterior voltaram a inundar ruas com lama, carros e casas destruídas. Em meio à tragédia, moradores tentam buscar o que restou

Primeiro Impacto
Ainda sob os efeitos da tragédia dos últimos dias, Petrópolis amanheceu na 6ª feira (18.fev) com chuva fina e céu encoberto após as pancadas de chuva da noite anterior. Muitas ruas que já estavam parcialmente limpas voltaram a ficar cheias de terra e lama, com carros e casas destruídas.
A previsão é de chuva intermitente durante todo o dia, trazendo instabilidade para as encostas e dificultando os trabalhos das equipes de resgate. Ainda há 116 desaparecidos e 120 mortos.
Pela manhã, apenas - e poucos - voluntários faziam trabalhos em alguns bairros da cidade, mesmo sob o risco do terreno instável e úmido. Com várias barreiras de acesso causadas pela inundação e acúmulo de lixo e sujeira, a Defesa Civil e outros órgãos de apoio não conseguem responder as demandas frente à magnitude da tragédia.
No bairro de Castelânea, uma grande pedra corre risco de desabar. Um morador idoso que teve a casa parcialmente destruída resistia em sair de casa, mas foi retirado do local a contragosto pela Defesa Civil. O homem alegava que não tinha para onde ir e foi levado para um abrigo. A casa desabou após um carro colidir com o imóvel, ainda arrastado com as chuvas da noite anterior. Um outro veículo ficou escorado em uma residência.
Duas moradoras tentavam encontrar pertences pessoas em meio a escombros, lama e móveis destruídos. Apesar da tragédia, nenhum familiar das mulheres foi atingido ou morto pelo deslizamento. Entre as buscas, um bicho de pelúcia de uma garotinha, acostumada com o brinquedo.
O proprietário de uma padaria na Praça Pasteur observava, em meio aos escombros e lama, o estabelecimento totalmente invadido pela lama. A filha do comerciante conseguiu entrar no local três dias após a tragédia, tentando buscar algo. Segundo o empresário, a filha conseguiu sair com vida do local no dia da tempestade, na 3ª (15.fev). O prejuízo estimado é de mais de R$ 100 mil e, segundo o comerciante, a seguradora provavelmente negará a cobertura do prejuízo por conta da situação de alagamento.
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