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MPF pede esclarecimentos sobre mudança na cor do Rio Tapajós no Pará

Moradores e cientistas suspeitam de contaminação de mercúrio vindo de garimpo em Alter do Chão (PA)

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Rio Tapajós (Foto: Sara Shuman/Flickr)
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O Ministério Público Federal (MPF) pediu esclarecimentos a órgãos ambientais sobre a mudança na cor da água do Rio Tapajós, em Alter do Chão, no Pará. Uma das suspeitas é de contaminação provocada por garimpo ilegal na região turística conhecida como "Caribe amazônico". 

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"Nós temos uma preocupação muito com nossos parentes que dependem quase que exclusivamente do rio, da pesca, da navegação, da água, tem várias pessoas que ainda tomam água do rio. É uma coisa muito perigosa", afirma o artesão Laudeco Borari.  

Técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Pará identificaram a água de Alter do Chão mais turva, no meio do rio. Amostras foram coletadas para análise. O trabalho é feito em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria de Meio Ambiente de Santarém, pequena cidade no território paraense.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente estadual, ainda não é possível afirmar se a mudança da cor é resultado de ação do homem ou das chuvas acima da média, mas a fiscalização do garimpo na região foi intensificada. Uma draga usada para extrair ouro, sem licença de operação, foi apreendida pela Capitania dos Portos nesta semana em Santarém.

O MPF já cobrou dos órgãos ambientais quais ações serão adotadas e o cumprimento da determinação judicial que obrigou a prefeitura de Santarém a fornecer estudos sobre as condições das praias de Alter do Chão.  

"Inclusive no sentido de suspender qualquer tipo de garimpo nas proximidades à margem do rio, conforme já tem requerimento inclusive judicial pelo Ministério Público, essa coloração, isso como um alerta mais de questões que nós já sabemos e que muitas vezes mesmo a população não entende a gravidade disso", afirma o procurador da república Gustavo Kenner Alcântara.  

Para o doutor em clima e ambiente da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Roseilson do Vale, a população deveria suspender os banhos de rio até a conclusão dos testes. "O grande perigo são os elementos químicos que eles usam na garimpagem, principalmente o mercúrio. No organismo, o mercúrio no corpo humano afeta principalmente o sistema nervoso central", explica o especialista.

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