Quem são os jogadores citados em investigação de prostituição na Itália
Promotoria menciona cerca de 70 atletas em documentos, mas nenhum é investigado; quatro pessoas são suspeitas de explorar o esquema
João Venturi
SBT Brasil
Uma investigação na Itália sobre uma suposta rede de prostituição envolvendo clientes VIP citou nomes de jogadores de futebol de destaque, mas nenhum deles é alvo de investigação.
O caso é conduzido pela Promotoria de Milão, que apura a atuação de um grupo suspeito de organizar encontros e explorar a atividade.
Entre os nomes mencionados nos documentos estão o zagueiro Alessandro Bastoni, da Inter de Milão; o atacante Rafael Leão, do AC Milan; e o atacante Victor Osimhen, do Galatasaray, que à época atuava pelo Napoli.
De acordo com as autoridades italianas, cerca de 70 atletas são citados em registros analisados, incluindo três brasileiros. No entanto, não há indícios de participação criminosa por parte deles.
Quem são os investigados?

Quatro pessoas são investigadas diretamente no caso e estão em prisão domiciliar. São elas Emanuele Butini, Débora Honte, Alécio Salamone e Hamilton Fraga Luz Luan
O grupo é suspeito de formar uma organização voltada à exploração da prostituição. Segundo a investigação, a rede promovia festas de alto padrão com jantares, hospedagem em hotéis e eventos privados para clientes considerados VIP.
Uma testemunha afirmou que as mulheres eram recrutadas para os encontros e precisavam repassar parte do valor recebido à organização. Elas também arcavam com custos de hospedagem e logística. Mais de 1 milhão de euros foram apreendidos durante a operação.
O que diz a lei na Itália?
Na Itália, a prostituição não é crime quando exercida de forma voluntária por adultos. O que é proibido é a exploração, intermediação ou organização da atividade por terceiros — justamente o foco da investigação atual.
A polícia italiana segue apurando quem está por trás do esquema e a extensão da rede. Até o momento, os advogados dos suspeitos não foram localizados para comentar o caso.
Entenda o caso
A Promotoria de Milão investiga um suposto esquema milionário de festas de luxo que, segundo as autoridades, envolvia drogas, exploração sexual e a participação de jogadores da elite do futebol europeu.
De acordo com o jornal La Gazzetta dello Sport, cerca de 70 atletas que disputam o Campeonato Italiano estariam ligados ao caso. Entre eles, há jogadores de clubes como Inter de Milão, AC Milan, Juventus, Sassuolo e Hellas Verona.
Segundo as investigações, o esquema teria começado em 2019 e continuado mesmo durante a pandemia de Covid-19.
Durante o período de restrições, as festas clandestinas ocorriam na sede de uma empresa que oferecia pacotes de eventos de luxo. Fora do lockdown, os encontros eram realizados em hotéis e casas noturnas, com jantares, shows e eventos privados.
A organização seria comandada por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi. Além deles, Alécio Salamone e Hamilton Fraga Luz Luan também são investigados por exploração de serviços sexuais e lavagem de dinheiro.
De acordo com a polícia italiana, a empresa usada pelos suspeitos atuava como fachada para o esquema. Os serviços eram divulgados nas redes sociais, com perfis seguidos por jogadores e celebridades.
Os clientes podiam escolher pacotes que incluíam viagens internacionais, como para Mykonos, um dos destinos mais procurados no verão europeu.
A Promotoria identificou movimentações financeiras suspeitas que somam mais de 1 milhão de euros.
Além de jogadores, empresários, celebridades e até um piloto de Fórmula 1 são citados na investigação. Em escutas telefônicas, um dos investigados aparece solicitando a presença de uma acompanhante.
Segundo o inquérito, mais de 100 mulheres teriam participado do esquema. Parte delas atuava como acompanhantes, modelos ou recepcionistas.
As autoridades investigam denúncias de exploração, incluindo relatos de mulheres que seriam obrigadas a trabalhar e ficavam com apenas parte dos valores pagos pelos clientes.
Ainda segundo os investigadores, durante os eventos era comum o uso de óxido nitroso, conhecido como “gás do riso”.
A substância, apesar de não ser detectada em exames antidoping tradicionais, levanta preocupações sobre o ambiente das festas.









