Brasil

Fronteira do Brasil com a Venezuela amanhece esvaziada após captura de Nicolás Maduro

Em Pacaraima (RR), dia seguinte à prisão do líder venezuelano é marcado por baixo fluxo, presença militar reforçada e clima de alívio misturado à incerteza

A fronteira entre o Brasil e a Venezuela amanheceu com movimento reduzido neste domingo (4), um dia após a captura do ditador Nicolás Maduro. Em Pacaraima, no norte de Roraima, a circulação de pessoas ficou abaixo do habitual.

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Apesar da liberação da passagem do lado venezuelano ainda na tarde de sábado (3), o vai-e-vem entre Pacaraima e Santa Elena seguiu discreto nas primeiras horas do dia. Um militar das Forças Armadas da Venezuela, posicionado na área de fronteira, confirmou à reportagem que a circulação estava autorizada, mas não quis dar entrevistas.

Autoridades brasileiras se preparam para um possível aumento do fluxo migratório nos próximos dias. O Ministério da Justiça e Segurança Pública monitora o cenário diante da expectativa de novas entradas, em um contexto de insegurança alimentar e instabilidade política no país vizinho. Em Boa Vista, capital de Roraima, moradores chegaram a celebrar a prisão de Maduro em ato público.

Entre os venezuelanos que cruzaram a fronteira, o sentimento relatado foi de alívio, mas também de cautela. Uma família ouvida pela reportagem disse evitar declarações públicas por medo de represálias contra parentes que permanecem na Venezuela – receio comum entre críticos do governo.

O cenário observado contrasta com a rotina da região. Dados de organizações humanitárias indicam que, em dias normais, famílias chegam a pé ou de carro e se concentram nos postos de triagem, onde passam por vacinação obrigatória e regularização documental junto à Polícia Federal. Neste domingo, filas e aglomerações deram lugar a um espaço quase vazio, com presença majoritária de militares brasileiros e veículos do Exército.

A segurança foi reforçada após a captura de Maduro, com foco no controle de fronteira e no combate ao tráfico de drogas. O SBT News apurou que cerca de 2,3 mil militares das Forças Armadas atuam na área de Roraima, dentro de um contingente aproximado de 10 mil militares mobilizados na Amazônia.

O clima regional segue tenso. Enquanto aliados dos Estados Unidos, como a Argentina, celebraram a operação que resultou na prisão do líder venezuelano, países como Colômbia, além de Rússia e Irã, criticaram a ação por considerarem uma ameaça à soberania nacional. Na fronteira, porém, o semblante de quem passa é de expectativa: entre a esperança de mudança e a incerteza sobre o futuro da Venezuela.

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