Vorcaro nega violência e pede liberdade após depoimento à PF
Ex-dono do Banco Master prestou esclarecimentos por cerca de duas horas e afirma que não há vítimas dos supostos crimes investigados

Vorcaro presta depoimento e pede liberdade | Divulgação
Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30), em uma investigação que apura a suposta atuação de grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”. Segundo a defesa, o ex-dono do Banco Master negou ter praticado, ordenado ou participado de atos de violência, intimidação, perseguição ou ameaça.
Em nota divulgada após o depoimento, os advogados afirmaram que, depois de oito meses de investigação, não há vítima identificada relacionada aos fatos descritos na portaria que instaurou o inquérito.
A defesa também negou que “A Turma” e “Os Meninos” fossem grupos organizados. Segundo os advogados, as expressões não representariam estruturas específicas e não haveria, nos elementos aos quais tiveram acesso, evidências de prática criminosa atribuível a Vorcaro.
Ainda de acordo com a defesa, Vorcaro afirmou que conhecia apenas Luiz Phillipi Mourão, com quem mantinha um contrato formal de prestação de serviços de inteligência e segurança digital. Os advogados dizem que o relacionamento era lícito.
Mensagens
A defesa também afirmou que eventuais mensagens usadas na investigação como indícios de ameaça ou intimidação foram retiradas de conversas privadas e seriam “desabafos” feitos em momentos de indignação.
Segundo os advogados, essas manifestações não tiveram consequências práticas nem representaram risco real a terceiros. A defesa sustenta que a análise da íntegra das conversas demonstraria esse contexto.
Os advogados também afirmaram que Vorcaro sempre recorreu a mecanismos oficiais quando tinha problemas com terceiros, como registros de ocorrência, notificações e queixas formais. Segundo a defesa, ele não pediu acesso indevido a sistemas restritos nem determinou providências ilegais.
Suposto plano de fuga
Outro ponto abordado pela defesa foi a suspeita de que Vorcaro teria planejado fugir do país.
Os advogados negam essa hipótese e afirmam que a viagem havia sido comunicada previamente a autoridades. Segundo a nota, havia reservas antecipadas de hotel e salas de reunião, além de registro de plano de voo.
A defesa afirma que a ordem de prisão foi expedida às 15h29 de 17 de novembro de 2025, depois de essas providências terem sido tomadas.
Os advogados também dizem que o conhecimento de informações sobre procedimentos investigatórios ocorreu por meios considerados legítimos, como o acompanhamento de advogados e assessores e notícias publicadas pela imprensa.
Pedido de liberdade
A defesa voltou a pedir que Vorcaro responda às investigações em liberdade. Os advogados argumentam que ele está preso preventivamente sem ter sido formalmente denunciado e que as circunstâncias que fundamentaram a prisão já não estariam presentes.
Na nota, a defesa cita ainda o dia 4 de março de 2026, quando, segundo os advogados, Vorcaro estava em prisão domiciliar, cumpria as medidas cautelares impostas e já havia assinado um termo de colaboração com as investigações.
Os advogados afirmam que a manutenção da prisão preventiva seria desnecessária e pedem a soltura do empresário, com a possibilidade de imposição de condições determinadas pela Justiça.
A defesa também questionou o uso de mensagens trocadas entre Vorcaro e seus advogados. Segundo os advogados, conteúdos protegidos por sigilo profissional teriam sido acessados e vazados de forma ilegal.
Vorcaro está preso preventivamente no Distrito Federal. A investigação integra as apurações relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master e seus negócios.
























