Política

Nossa Senhora volta à campanha sob cautela dos rivais

Lula e Flávio vão voltar a abordar padroeira, mas querem evitar tom eleitoreiro; Presidente terá missa no Alvorada, enquanto senador irá à Catedral de Brasília

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Túlio Amâncio
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil; e Fernando Frazão/Agência Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil; e Fernando Frazão/Agência Brasil

Nossa Senhora Aparecida voltará ao centro da campanha presidencial nesta segunda-feira (12), dia dedicado à padroeira do Brasil. Depois da polêmica que marcou a reta final do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretendem abordar novamente o tema, mas com cautela para evitar que as manifestações religiosas sejam interpretadas como exploração eleitoral da fé.

Segundo apuração da coluna, as duas campanhas avaliam que o assunto ainda é sensível e querem evitar uma nova controvérsia. A orientação é preservar o caráter religioso da data, sem transformar as homenagens à santa em ataques políticos ou pedidos explícitos de votos.

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Lula vai participar de uma missa no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, em Brasília. Flávio, por sua vez, participará de uma celebração na Catedral Metropolitana da capital federal, às 11h, conduzida pelo arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa.

As duas chapas também estarão representadas no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo. O candidatos a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB) e deputados apoiadores de Flávio, vão participar das celebrações em homenagem à padroeira.

A movimentação ocorre em meio à disputa pelo eleitorado católico, considerado estratégico pelas duas campanhas na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Apesar da cautela, a avaliação é que a data não pode passar despercebida pelos presidenciáveis, especialmente depois de Nossa Senhora Aparecida ter se transformado em um dos principais temas do debate eleitoral nas últimas semanas.

Polêmica no primeiro turno

Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço na disputa presidencial na reta final do primeiro turno, depois que publicações nas redes sociais associaram Flávio Bolsonaro a uma proposta para retirar da santa o título de padroeira do Brasil.

A informação era falsa. O projeto citado nas publicações havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado no ano seguinte. Flávio não participou da proposta e negou qualquer intenção de retomá-la.

A controvérsia provocou uma batalha judicial, com decisões sobre a retirada de publicações que associavam o candidato do PL à proposta.

O episódio também gerou atritos entre Flávio e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O senador acusou a entidade de favorecer a campanha petista, o que foi rejeitado pela instituição religiosa.

Desde então, Flávio tem procurado reforçar sua aproximação com o eleitorado católico. Na semana passada, o senador e seu vice, Alfredo Gaspar, foram recebidos pelo cardeal Paulo Cezar Costa, em Brasília, e ganharam uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Do lado de Lula, a participação de Alckmin nas celebrações em Aparecida também reforça a ligação do vice-presidente com a Igreja Católica. Alckmin costuma frequentar o santuário e participar das homenagens à padroeira.

A disputa pelo voto católico ganhou importância no segundo turno. As duas campanhas buscam ampliar o diálogo com segmentos religiosos, mas reconhecem o risco de que manifestações de fé sejam interpretadas como tentativas de instrumentalização política da religião.

A CNBB tem reiterado que as celebrações religiosas não devem ser transformadas em palanques eleitorais. A orientação não impede a participação de candidatos nas cerimônias, mas busca preservar o caráter religioso das atividades.

É nesse cenário que Nossa Senhora Aparecida volta à campanha presidencial. Desta vez, a preocupação dos dois lados é evitar que o dia dedicado à padroeira seja marcado por um novo embate político.

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