Flávio: Não permitirei que Lula indique mais 4 Moraes ao STF
Em ato pelo 7 de Setembro na Paulista, candidato do PL disse que, caso eleito, subirá a rampa ao lado do pai, condenado por tentativa de golpe de Estado

Flávio discurso ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, durante ato na Avenida Paulista | Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou atrelar o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante ato nesta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, pelo 7 de Setembro.
Moraes, pivô da maior crise da história recente do Supremo, é citado em relatório da Polícia Federal (PF) por troca de mensagens com o então banqueiro Daniel Vorcaro, inclusive no dia de sua prisão, em novembro de 2025. O episódio desencadeou uma guerra aberta com o colega André Mendonça, relator do caso Master. O relatório, feito a pedido de Mendonça, traz menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Diante de milhares de pessoas que se reuniram em São Paulo, em dia frio e tempo nublado em São Paulo, Flávio disse que votar em Lula é também votar em Moraes.
“Nós não vamos permitir que o Lula indique mais quatro Alexandres de Moraes. Eu vou indicar cinco ministros, porque Moraes vai cair", disse o candidato do PL, defendendo o impeachment do ministro no Senado.
O próximo presidente eleito terá a prerrogativa, na verdade, de indicar pelo menos dois ministros, já que Luiz Fux (2028) e Cármen Lúcia (2029) atingirão a idade limite de 75 anos e terão de se aposentar compulsoriamente. Já Gilmar Mendes atingirá a idade no fim de dezembro de 2030 – ou seja, caso não decida deixar a Corte antes, a indicação ficará para quem for eleito nas próximas eleições.
Segundo Flávio, suas indicações para o Supremo priorizarão nomes que sejam contrários ao aborto, ao uso de drogas, à “ideologia de gênero nas escolas”, que “não persigam adversários políticos" e que “ajudem a resgatar a credibilidade do STF".
Jair solto
Ao longo do discurso, Flávio fez diversas menções ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por condenação a 27 anos e três meses de pena por tentativa de golpe de Estado. O senador afirmou que, caso eleito, vai anistiar o ex-presidente, o levará ao seu lado para passar a faixa presidencial na rampa do Palácio do Planalto e deixar o Brasil “nas mãos do senhor Jesus".
“Pai, em algum momento quando você puder assistir ao que está acontecendo aqui, não que você se orgulhe do seu filho, mas pai, que você se orgulhe de cada brasileiro que está aqui na Paulista hoje, porque eles estão seguindo o seu pedido: não vamos desistir do Brasil. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos. Até a vitória", afirmou.
Flávio disse que a condenação pelos atos golpistas foi a “segunda facada” sofrida pelo pai, em referência ao atentado de 2018 em Juiz de Fora que completou oito anos no domingo (6). Também falou de uma “terceira facada”, representada por uma tentativa de interferir nas eleições contra si e aliados, sem especificar a quem se referia.
O senador voltou a dizer que faz campanha com colete à prova de balas por temer ser alvo de um ataque pela esquerda. “Eu coloco meu peito na frente do povo brasileiro porque eu sei que, no fundo, vocês são o coletivo do Brasil, o colete que defende a nossa democracia hoje".
Maioridade penal e mulheres
Outro tema com destaque no discurso foi o endurecimento no combate ao crime organizado. Flávio prometeu dar encaminhamento à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, aprovar a castração química para condenados por abuso sexual de mulheres e aumentar a pena para ladrões de celular para “no mínimo, oito anos".
“Ah, o Flávio é radical. Nessas pautas eu vou ser radical. Não gostou, vota nessa porcaria que está aí e continuem reclamando”, disparou.
Ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, que precedeu o marido no discurso, Flávio também fez acenos às mulheres ao citar o combate ao feminicídio, a abertura de creches e a redução na fila de espera para cirurgias. “O SUS será padrão Einstein", prometeu.
Outros discursos
- Tarcísio de Freitas: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que as revelações envolvendo Alexandre de Moraes “exigem uma resposta” institucional. “Está na hora do tribunal não se dividir para se defender, [mas] se unir para apurar, para dar resposta que a sociedade precisa”, disse;
- Nikolas Ferreira: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu a prisão de Moraes, chamou Gonet de “frouxo” e prometeu fazer um ato no Amapá no domingo (13) para pressionar o senador Davi Alcolumbre (União-AP) a abrir um processo de impeachment contra o ministro;
- Alfredo Gaspar: candidato a vice na chapa de Flávio, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) disse que Lula é um representante do “passado” e que o petista não tem diferença para Moraes. “Não existe Alexandre sem Lula, nem Lula sem Alexandre”;
- Daniella Marques: principal porta-voz da equipe econômica de Flávio, Marques ironizou ao dizer que o PT “prometeu picanha e entregou pizza parcelada”. “Ninguém aguenta mais pagar a conta de Brasília”, disse;
- Silas Malafaia: o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, defendeu que não querer ver o Supremo “desmoralizado” porque isso contribuiria para “arrebentar com a democracia e com a República”. Malafaia pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que afaste Moraes e argumentou que, se Moraes incluiu Mendonça em um inquérito, o mesmo poderia ser feito pelo ministro com os demais no futuro;
- Ricardo Nunes: o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) criticou Moraes e afirmou que os eleitores terão a responsabilidade de “resgatar o Brasil” nas eleições de outubro. “O Supremo é o povo brasileiro”;
- Valdemar Costa Neto: o presidente do PL afirmou que, se Flávio perder em outubro, Bolsonaro poderá permanecer preso por mais 10 anos, mas que, no caso de vitória do senador, o ex-presidente estará solto “no dia seguinte”.










