Brasil rebaixa relação com Argentina após ataques de Milei
Após argentino aumentar os ataques a Lula, governo brasileiro decidiu manter apenas um encarregado de negócios em Buenos Aires, sem embaixador, decisão inédita

O presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente Lula | Ricardo Stuckert/Presidência
O Brasil decidiu rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina após o presidente do país vizinho, Javier Milei, intensificar os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos dias. O governo brasileiro vai manter apenas um encarregado de negócios em Buenos Aires, sem embaixador, uma situação inédita na história recente dos dois países. A informação foi divulgada pelo jornal argentino Clarín e confirmada ao SBT News por fontes da diplomacia brasileira.
Após Milei ofender Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, em São Paulo, o Brasil chamou seu embaixador na Argentina, Julio Bitelli, de volta a território nacional para consultas. De acordo com fontes da diplomacia, Bitelli continuará no Brasil até que o presidente argentino pare de atacar Lula e haja uma nova avaliação do governo brasileiro sobre a crise.
O governo brasileiro vinha evitando escalar a crise. Em conversa com a Coluna na semana passada, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, considerou que as declarações do argentino foram “descabidas”, mas ponderou que a “maioria esclarecida” do país vizinho não concorda com as ofensas a Lula.
Milei, contudo, voltou a chamar Lula de "corrupto" e "ladrão" nos últimos dias. Na convenção do PL, no último dia 25, o presidente argentino havia se referido ao presidente brasileiro como “ex-presidiário”. Além disso, Milei defendeu a candidatura de Flávio e chamou Moraes de “lixo careca”.
O Itamaraty reagiu, chamou o episódio de “infamante” e classificou as frases de Milei como “impropérios”, mas tentou conter o atrito. O presidente argentino também acusou o Brasil de financiar, juntamente com o México e o Partido Democrata dos EUA, uma campanha “anti-Argentina”.
























