Congresso tem divergência entre comissões sobre tarifaço
Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado adotam postura diferente sobre tarifa dos EUA contra Brasil


Congresso Nacional | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Responsáveis pelo mesmo assunto, as Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado adotaram tons opostos, nesta quinta-feira (16), no posicionamento sobre o tarifaço americano.
Enquanto a comissão formada por senadores defendeu solução negociada e que ainda é possível diálogo, a comissão de mesmo nome formada por deputados afirmou que o governo brasileiro abandonou a negociação e que o Itamaraty agiu a serviço de conveniências ideológicas.
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A comissão de relações exteriores da Câmara é presidida pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), que faz oposição ao governo. Em nota, ele repudiou o que chamou de “forma irresponsável” com que o governo brasileiro conduziu as negociações comerciais.
“A imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros representa uma grave derrota diplomática e comercial para o Brasil. Não se trata de um fato inevitável, mas do resultado direto de uma política externa ideologizada, confrontacionista e incapaz de proteger os interesses concretos do setor produtivo nacional”, disse.
A nota reitera argumentos utilizados pelo governo americano contra o Brasil. “Segundo informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas, o fracasso das tratativas decorreu da postura de má-fé adotada pelo governo brasileiro, que teria priorizado ganhos políticos e eleitorais em detrimento de uma negociação técnica, responsável e orientada pela defesa da economia brasileira”, ressaltou.
Com outro olhar sobre o problema, o presidente da comissão de relações exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), chamou atenção para o fato de que “a decisão dos Estados Unidos foi menos severa do que a proposta inicial. Ampliamos a lista de exceções incluindo diálogo institucional, mobilização dos setores”.
“A comissão que eu presido no Senado tem trabalhado para manter o diálogo aberto com o Congresso americano, assim, o setor produtivo e as autoridades dos Estados Unidos também entram nessa seara”, disse.
A comissão do Senado, assim como o governo, defende a lei de reciprocidade como um dos caminhos possíveis, desde que aplicada com responsabilidade, o que permitiria uma resposta tarifária do Brasil sobre produtos americanos.
“Esse não é um tema para disputas ideológicas ou mesmo partidárias. É uma questão de interesse nacional que envolve nossa indústria, nosso trabalhador, e as famílias que dependem desses empregos. O Brasil é muito maior do que qualquer divergência política e esse momento exige a todos responsabilidade e união”, ressaltou.





















