Resenha: 'Final Fantasy VII Remake Intergrade' no Nintendo Switch 2 é a experiência definitiva para fãs de RPG
Clássico da Square Enix chega ao novo console da Nintendo com performance sólida, conteúdo completo e uma das histórias mais marcantes da indústria dos games

Vinícius Gobira
Final Fantasy VII não é apenas um jogo. Para uma geração inteira de jogadores, ele representa um ponto de virada na forma como os videogames passaram a contar histórias. Lançado originalmente em 1997, o clássico da Square redefiniu o gênero RPG e criou personagens que atravessaram décadas no imaginário popular.
Agora, com a chegada de Final Fantasy VII Remake Intergrade ao Nintendo Switch 2, essa obra-prima ganha uma nova vida em um dos consoles mais aguardados dos últimos anos, e entrega uma experiência que honra tanto a nostalgia quanto a modernização da franquia.
Mais do que um simples port, trata-se da versão mais completa do remake, incluindo a expansão protagonizada por Yuffie, novos episódios de história e melhorias técnicas que tornam Midgar ainda mais viva do que era em 1997.
Um jogo que mudou uma geração
Para muitos jogadores, Final Fantasy VII foi o primeiro contato real com narrativas complexas nos games. Foi o jogo que mostrou que videogames também podiam emocionar, chocar e marcar para sempre.

Cloud, Tifa, Aerith, Barret e Sephiroth formam um dos elencos mais memoráveis da história da indústria, dentro de uma trama que mistura política, ecologia, guerra, identidade e destino. É com certeza um jogo que reacende a chama dentro de um gamer, caso ela tenha se apagado ou esteja fraca.
O remake, dividido em três partes, Remake, Rebirth e um terceiro capítulo ainda em produção, reconstrói essa jornada, a expande, aprofunda e transforma.
Bem-vindo de volta a Midgar
Final Fantasy VII Remake se passa inteiramente em Midgar, a icônica cidade industrial dominada pela corporação Shinra. A decisão de transformar as cinco horas iniciais do jogo original em uma aventura de mais de 40 horas se mostrou acertada.
A cidade ganha camadas, vida e densidade narrativa. Os setores, o Mercado Murado, a igreja de Aerith, o bar Seventh Heaven e os bairros pobres sob a “pizza” de aço da Shinra criam um dos cenários mais marcantes já vistos em um RPG.
Cada área foi recriada com um nível de detalhe impressionante. É impossível não se emocionar ao caminhar pela igreja ouvindo o tema de Aerith ou revisitar os becos do setor 7 com uma trilha sonora totalmente reorquestrada.
Um remake que vai além do conceito tradicional
Diferente de outras recriações da indústria, Final Fantasy VII Remake não se limita a atualizar gráficos e jogabilidade. Ele reconstrói a narrativa com novos diálogos, cenas inéditas e capítulos inteiros dedicados ao desenvolvimento dos personagens.

Biggs, Wedge e Jessie, quase figurantes no jogo original, ganham profundidade emocional. A relação entre Cloud, Tifa, Aerith e Barret é muito mais íntima, humana e carregada de nuances.
Além disso, o jogo introduz os chamados “Murmúrios do Destino”, um novo elemento narrativo que sugere mudanças importantes no rumo da história, abrindo espaço para surpresas até mesmo para os fãs mais antigos.
Intergrade e a história de Yuffie: conteúdo essencial
A versão do Nintendo Switch 2 chega com o pacote Final Fantasy VII Remake Intergrade, que inclui a expansão Episode Intermission, protagonizada por Yuffie.
A DLC funciona como um capítulo paralelo da história principal, mostrando o ponto de vista da ninja de Wutai durante os eventos em Midgar. Além de introduzir uma nova protagonista jogável, a expansão traz:
- Novo sistema de combate com foco em agilidade
- Personagens inéditos
- Conexões diretas com os próximos capítulos da trilogia
- Uma narrativa que adiciona ainda mais camadas políticas ao conflito com a Shinra
É um conteúdo que complementa e se torna essencial para entender os próximos passos da saga.
Combate: ação e estratégia no equilíbrio perfeito
O sistema de combate é um dos grandes triunfos do remake. Ele mistura ação em tempo real com comandos táticos, criando uma experiência que agrada tanto fãs de RPG clássico quanto quem prefere jogos mais dinâmicos. É possível trocar de personagem em tempo real, usar habilidades especiais, magias, invocações e explorar as fraquezas dos inimigos com estratégia. As batalhas contra chefes são cinematográficas, intensas e exigem planejamento.
As invocações, como Ifrit, Shiva, Leviathan e o icônico Chocobo Gordo, são um espetáculo à parte, dominando a tela e mudando completamente o ritmo dos confrontos.
O sistema de Matéria continua sendo um dos mais criativos da história dos RPGs, permitindo combinações que alteram completamente o estilo de jogo de cada personagem.
Performance no Nintendo Switch 2: sólida e confiável
A adaptação para o Nintendo Switch 2 é, no geral, muito bem-sucedida. Diferente da versão de PC no lançamento, que sofreu com problemas de otimização, o port do novo console da Nintendo se mostra estável. Porém, durante os testes, foram registrados:
- Pequenas quedas de frame no início da gameplay
- Algumas texturas e cutscenes com leve pixelização
Ainda assim, o desempenho se manteve sólido durante combates, exploração e cenas mais pesadas, garantindo uma experiência fluida na maior parte do tempo.

Portátil ou dock? Eis a questão
O Nintendo Switch 2 é maior, mais robusto e confortável que seu antecessor. Ainda assim, sessões longas no modo portátil podem cansar, mesmo com os controles bem adaptados ao jogo.
A melhor forma de aproveitar Final Fantasy VII Remake Intergrade é no modo dock, jogando na TV, onde os gráficos, a trilha sonora e a escala das batalhas realmente brilham. Ainda assim, jogar no portátil é uma experiência excelente, com uma tela muito bonita do Switch 2. Fica a recomendação de não estender longas horas de gameplay neste modo.
Replay, desafios e longevidade
Além da campanha principal, o jogo oferece:
- Modo New Game+
- Dificuldade Hard
- Desafios extras
- Simuladores de combate
- Missões secundárias
É uma experiência que facilmente ultrapassa 100 horas e convida o jogador complecionista a revisitar Midgar com novos desafios e estratégias.
Conclusão: um jogo obrigatório no Switch 2
Final Fantasy VII Remake Intergrade no Nintendo Switch 2 é a forma definitiva de vivenciar um dos maiores clássicos da história dos videogames em uma plataforma moderna, portátil e versátil.
Com narrativa emocionante, personagens inesquecíveis, trilha sonora impecável, combate refinado e uma expansão essencial, o jogo se torna uma experiência quase que obrigatória para qualquer dono do novo console da Nintendo.
Para quem nunca jogou Final Fantasy VII, este é o melhor ponto de entrada possível. Já para quem conhece a história, é uma chance de se apaixonar novamente.
E para quem, como eu, teve a vida marcada por esse jogo, é a prova de que algumas histórias nunca envelhecem, apenas ficam melhores com o tempo.









