Tecnologia

Como Musk usou tecnologia da SpaceX em carro voador da Tesla

Documentos mostram contratos e investimento entre as empresas; uso do Grok no esportivo ainda não foi confirmado

Avatar de Exame.com
Exame.com
"Carro voador da Tesla" | Reprodução AFP

"Carro voador da Tesla" | Reprodução AFP

Oito anos depois de mandar um Tesla ao espaço, Elon Musk trouxe um pouco da SpaceX para dentro de um carro. Na noite desta quinta-feira (15), no centro de testes de foguetes de McGregor, no Texas, um Roadster percorreu uma rampa invertida, girou no ar e voltou ao chão com auxílio de propulsores.

O esportivo era o resultado de um encontro entre as duas empresas comandadas pelo bilionário: a fabricante de automóveis elétricos e a companhia que constrói foguetes.

O “carro voador” nasceu dessa mistura. Engenheiros da Tesla e da SpaceX trabalharam juntos para incorporar propulsores de gás comprimido ao novo Roadster, acrescentando à engenharia automotiva uma forma de controlar movimentos que não depende do contato dos pneus com o asfalto. 🤳Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Em 2018, o carro de Musk havia sido a carga de demonstração do primeiro voo do Falcon Heavy. Agora, a tecnologia espacial participa do funcionamento do próprio veículo.

As imagens convidam a imaginar um futuro acima dos congestionamentos, mas o que a Tesla demonstrou é mais restrito. O Roadster realizou saltos e manobras aéreas breves, sem motorista, em uma área controlada.

Não foi apresentada como uma aeronave para transportar passageiros pela cidade — e a configuração Rocket, capaz de sair do chão, não está aprovada para circular em vias públicas.

A parceria entrou na engenharia do produto

Para Musk, o novo Roadster é uma demonstração do que as equipes de suas duas empresas conseguem desenvolver juntas. “Este é o resultado de um trabalho incrível da Tesla e da SpaceX”, afirmou durante a apresentação. Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos da montadora, reforçou essa origem ao explicar que parte da tecnologia usada nas manobras veio da companhia espacial.

A colaboração aparece em um problema que vai além da aceleração de um esportivo: como controlar um automóvel quando suas rodas deixam de tocar o chão. Para isso, o Roadster combina seus sistemas automotivos com reservatórios de gás pressurizado, propulsores e mecanismos de acionamento capazes de aplicar forças em diferentes direções. O trabalho envolve acomodar esses componentes na carroceria e coordenar sua atuação durante os movimentos do veículo.

É nessa integração que a aproximação entre as companhias ganha forma. A tecnologia espacial deixa de ser apenas uma referência na apresentação do carro e passa a participar de seu funcionamento. Isso demonstra uma colaboração entre equipes de engenharia, sem representar, por si só, uma fusão entre Tesla e SpaceX ou uma mudança na estrutura societária das empresas.

Como a tecnologia espacial ajuda o carro a sair do chão?

Os propulsores de gás frio aproveitam o princípio de ação e reação: ao expulsar gás em uma direção, o veículo recebe uma força no sentido oposto. A posição dos bocais determina como essa força pode ser utilizada, seja para acrescentar aceleração, produzir movimento vertical ou corrigir a orientação do carro no ar. Segundo a Tesla, atuadores elétricos permitem pequenos ajustes rápidos no empuxo para ajudar a estabilizar o Roadster.

Durante a apresentação, Moravy descreveu dois reservatórios com capacidade total de 600 litros, cerca de 250 quilos de ar e dez saídas de gás no sistema demonstrado. Diferentemente dos grandes motores de foguetes, que queimam combustível, os propulsores apresentados para o automóvel utilizam gás armazenado sob pressão. São os números e a descrição fornecidos pela equipe para explicar o equipamento, ainda sem uma avaliação independente de seu desempenho.

A manobra na rampa depende também de outro recurso. Ventiladores retiram ar da região inferior da carroceria, criando uma diferença de pressão que aumenta a força do carro contra a superfície.

A Tesla associa esse sistema de sucção à capacidade de manter o veículo aderido à estrutura invertida, inclusive parado. Sua função é diferente da dos propulsores: enquanto a sucção ajuda a preservar o contato com a pista, os jatos podem modificar o movimento depois que esse contato termina.

Essa distinção também ajuda a interpretar as imagens. A velocidade adquirida antes de deixar a rampa influencia a trajetória inicial, e os propulsores podem acrescentar força durante o percurso pelo ar. A demonstração, sozinha, não permite separar a contribuição de cada elemento nem estabelecer quanto tempo o veículo consegue permanecer nessa condição — informações necessárias para avaliar o alcance da expressão “carro voador”.

O nome Roadster reúne configurações diferentes

As capacidades anunciadas variam entre as três configurações, e a diferença começa antes das manobras aéreas. A Performance tem dois lugares, aerodinâmica ativa e sucção para aumentar a força do carro contra o solo.

A Thrust mantém os dois assentos e acrescenta propulsores traseiros, que a fabricante associa à promessa de acelerar de zero a 60 milhas por hora em menos de um segundo. O número é uma especificação anunciada pela Tesla.

A configuração Rocket concentra a proposta de sair do chão: tem um assento, acesso por convite e propulsores distribuídos ao redor da carroceria para movimentos verticais e rotações. É também a versão acompanhada do aviso de que não está aprovada para vias públicas. Por isso, as imagens da apresentação não descrevem automaticamente o que todos os compradores poderão fazer com o esportivo.

Do espetáculo à fabricação, ainda há um caminho

A demonstração acrescenta um resultado visível a uma espera que começou em novembro de 2017, quando a Tesla apresentou o projeto da segunda geração do Roadster. Na ocasião, a previsão era iniciar a produção em 2020. O prazo não se cumpriu, e os sucessivos adiamentos mantiveram o esportivo entre as promessas da montadora por quase nove anos.

Agora, Musk aponta 2028 como o próximo marco. “Entramos em produção em 2028”, afirmou durante o evento. Entre a apresentação no centro de testes da SpaceX e a chegada aos compradores, a Tesla ainda precisa transformar os sistemas demonstrados em um produto fabricado nas configurações anunciadas.

A previsão de produção não estabelece uma data específica de entrega nem garante que todas as capacidades exibidas poderão ser reproduzidas nas condições de uso permitidas para cada versão.

Últimas notícias