Dor no pé que não passa? Pode ser trinca no osso de quem caminha ou corre muito
Dor que começa de leve e piora ao treinar pode ser fratura oculta; a ortopedista Dra. Marina Melhado explica como reconhecer, tratar e evitar


Brazil Health
Dor persistente no pé ou no tornozelo, que surge aos poucos e piora com a atividade física, é um sintoma muitas vezes ignorado. Muitas pessoas continuam treinando ou caminhando, acreditando tratar-se apenas de cansaço muscular. No entanto, esse quadro pode indicar uma fratura por estresse – uma lesão óssea causada pelo excesso de carga repetitiva, sem tempo adequado para a recuperação.
Diferentemente das fraturas traumáticas, que acontecem após uma queda ou impacto direto, as fraturas por estresse se desenvolvem de forma progressiva. Pequenas microfissuras surgem no osso quando ele é submetido a esforço repetido além de sua capacidade de adaptação, especialmente em atividades como corrida, caminhada prolongada, dança ou esportes de impacto.
Por que a fratura por estresse acontece
O osso é um tecido vivo, que se adapta às cargas a que é submetido. Quando há equilíbrio entre estímulo e descanso, ele se fortalece. O problema surge quando o aumento de volume ou intensidade da atividade física ocorre de forma rápida, sem tempo suficiente para a recuperação óssea.
Fatores como mudanças bruscas na rotina de treino, calçados inadequados, alterações biomecânicas do pé, superfícies rígidas e falta de fortalecimento muscular contribuem para o surgimento dessas lesões. Além disso, condições clínicas como osteopenia, osteoporose, deficiência de vitamina D e baixo consumo de cálcio aumentam o risco, especialmente em mulheres e pessoas acima dos 40 anos.
Nos pés e tornozelos, os ossos mais frequentemente afetados são o metatarso, o calcâneo e a tíbia distal, regiões que absorvem grande parte do impacto durante a marcha e a corrida.
Sintomas que não devem ser ignorados
O principal sintoma da fratura por estresse é a dor localizada, que piora progressivamente com a atividade e tende a melhorar com o repouso nos estágios iniciais. Com a continuidade do esforço, a dor pode persistir mesmo em repouso, acompanhada de sensibilidade ao toque e, em alguns casos, inchaço local.
Um sinal importante é a dor pontual em uma área específica do osso, diferente da dor muscular difusa. Ignorar esses sinais e manter a atividade pode levar à progressão da lesão, transformando uma fratura incompleta em fratura completa, com necessidade de afastamento prolongado e, em situações mais graves, intervenção cirúrgica.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. Em fases iniciais, exames como a ressonância magnética são mais sensíveis do que o raio X simples, que pode não mostrar alterações nas primeiras semanas. A avaliação com um ortopedista especialista em pé e tornozelo permite identificar a lesão e orientar o tratamento adequado.
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e envolve repouso da atividade de impacto, ajuste da carga, uso de calçados adequados e, quando necessário, imobilização temporária. A correção de fatores associados, como deficiência de vitamina D e desequilíbrios musculares, faz parte do processo de recuperação.
A prevenção passa pelo aumento gradual da carga de treino, alternância de atividades, fortalecimento muscular e atenção aos sinais do corpo. A dor persistente não deve ser normalizada. Reconhecer precocemente uma fratura por estresse é essencial para preservar a saúde óssea e garantir retorno seguro às atividades.
Dra. Marina Melhado – CRM/SP 179.632 | RQE 121.033
Ortopedista e traumatologista
Membro da Brazil Health









