Saúde

Cannabis pode ajudar no combate à demência?

Sintomas em casos como o de Maurício Kibrusly podem ser amenizados com uso da substância, dizem estudos

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Brazil Health
03/12/2024, 10:25 • Atualizado em 03/12/2024, 15:26
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Cannabis pode ajudar no combate à demência?

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O jornalista Maurício Kubrusly, diagnosticado com demência frontotemporal, chegou a cogitar eutanásia quando a doença começou a se agravar. A ciência ainda não oferece uma cura ou reversão em casos como o dele, mas muitas pesquisas começam a mostrar que o uso medicinal da cannabis é uma opção promissora no tratamento de diversos sintomas associados à demência. A planta, que possui mais de 100 compostos canabinoides diferentes, tem demonstrado potencial significativo no manejo de sintomas comportamentais e físicos que afetam pacientes com diferentes formas de demência.

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Estudos recentes têm evidenciado que os canabinoides podem auxiliar na redução da agitação e da agressividade, sintomas comuns que causam grande sofrimento tanto para pacientes quanto para cuidadores. O canabidiol (CBD), em particular, tem se destacado por suas propriedades ansiolíticas e anti-inflamatórias, contribuindo para a melhora do humor e a diminuição da ansiedade, sem os efeitos psicoativos tradicionalmente associados à planta.

No controle de sintomas físicos, a cannabis tem mostrado resultados promissores no alívio da dor crônica, frequentemente presente em pacientes idosos com demência. Além disso, seus compostos podem auxiliar na regulação do sono e no estímulo do apetite, aspectos fundamentais para a qualidade de vida desses pacientes.

O uso da cannabis no contexto da demência requer cautela e acompanhamento médico especializado, assim como qualquer outro tratamento. Os efeitos podem variar significativamente entre indivíduos, e existem riscos a serem considerados, como possíveis interações medicamentosas e efeitos colaterais, incluindo sonolência e alterações na pressão arterial. A dosagem adequada ainda é objeto de estudo, e a resposta individual ao tratamento pode ser bastante variável. O tratamento deve ser individualizado, assim como a busca pela dosagem terapêutica.

A regulamentação do uso medicinal da cannabis tem avançado em diversos países, estabelecendo frameworks importantes para sua prescrição e uso seguro. No entanto, é essencial que o tratamento seja conduzido por médicos capacitados, com experiência no manejo desses medicamentos e conhecimento aprofundado das particularidades de cada paciente.

Estudos clínicos em andamento continuam investigando os mecanismos de ação dos canabinoides no cérebro e seu potencial neuroprotetor. Algumas pesquisas sugerem que, além do controle sintomático, certos compostos da cannabis podem ter efeitos benéficos na progressão da doença, embora mais evidências sejam necessárias para confirmar essas observações.

O sucesso do tratamento com cannabis medicinal em pacientes com demência depende de uma abordagem individualizada, considerando o perfil específico de sintomas, outras doenças (comorbidades) e medicações em uso. O monitoramento regular e os ajustes de dosagem são fundamentais para otimizar os benefícios e minimizar possíveis riscos.

À medida que mais evidências científicas surgem e a regulamentação se aprimora, a cannabis medicinal se estabelece como uma opção terapêutica complementar promissora no manejo dos sintomas da demência. Para que isso aconteça, é crucial manter uma abordagem baseada em evidências, com foco na segurança e na eficácia do tratamento, sempre sob orientação médica especializada.

* Ionata Smikadi é médica, atua na medicina da dor e prescreve cannabis medicinal para os mais variados tipos de doenças – CRM RJ 123320-3

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