Saúde

Câncer de endométrio: entenda qual o melhor tratamento

Avanços na classificação molecular e na imunoterapia redefinem estratégias contra o tumor; saiba mais

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Entenda os melhores tratamentos para câncer no endométrio | Reprodução

Entenda os melhores tratamentos para câncer no endométrio | Reprodução

O câncer de endométrio foi considerado por muitos anos uma doença com bom prognóstico quando identificada em fases iniciais, mas com poucas alternativas terapêuticas para pacientes com tumores avançados ou recorrentes. A evolução do conhecimento sobre a biologia da doença trouxe novas possibilidades para esses casos, especialmente a partir da identificação de diferentes perfis moleculares do tumor.

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A compreensão atual mostra que o câncer de endométrio não corresponde a uma única doença. Tumores que surgem no mesmo órgão podem apresentar alterações genéticas distintas, comportamentos diferentes e respostas variadas aos tratamentos. Por isso, a avaliação das características moleculares passou a integrar a definição da melhor estratégia para cada paciente.

O endométrio é o tecido que reveste a parte interna do útero e é o local de origem da maioria dos cânceres que acometem esse órgão. A doença ocorre com maior frequência após a menopausa, embora também possa afetar mulheres mais jovens.

O envelhecimento da população e o aumento de condições metabólicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, estão entre os fatores associados ao crescimento da incidência em diferentes países.

Qual é a relação com os fatores metabólicos?

O tecido adiposo participa da produção de estrogênio fora dos ovários. A exposição prolongada do endométrio a esse hormônio pode favorecer alterações celulares relacionadas ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

A obesidade e outros fatores metabólicos têm relação com o risco da doença, mas isso não significa que todas as mulheres com essas condições desenvolverão câncer de endométrio. O surgimento do tumor envolve a combinação de diferentes fatores, incluindo aspectos hormonais, genéticos e ambientais.

Sangramento após a menopausa merece investigação

O sangramento vaginal anormal é o principal sinal de alerta, especialmente após a menopausa. Qualquer episódio de sangramento nessa fase deve ser avaliado por um médico, mesmo quando ocorre uma única vez, apresenta pequena intensidade ou não vem acompanhado de dor.

Mulheres que ainda menstruam também devem procurar avaliação diante de alterações persistentes no padrão menstrual, como sangramentos mais intensos, prolongados ou fora do período habitual.

A presença desses sintomas não significa necessariamente a existência de câncer, mas a investigação permite identificar a causa e iniciar o tratamento adequado quando necessário.

A biologia do tumor orienta a escolha do tratamento

A classificação do câncer de endométrio foi baseada por décadas principalmente na análise das células tumorais ao microscópio. Esse método continua essencial, mas atualmente pode ser complementado por testes moleculares capazes de identificar características relacionadas ao comportamento da doença, ao risco de recorrência e à resposta aos tratamentos.

Entre os principais perfis avaliados estão:

· tumores com deficiência nos mecanismos de reparo do DNA, conhecidos como dMMR e frequentemente associados à instabilidade de microssatélites (MSI-H);

· tumores com mutações no gene POLE;

· tumores com alterações relacionadas à proteína p53.

Essas características podem estar associadas a diferentes prognósticos e respostas terapêuticas. Na prática, duas pacientes com tumores semelhantes na análise microscópica podem apresentar doenças com comportamentos distintos.

A definição do tratamento considera não apenas o perfil molecular, mas também o estágio da doença, o tipo histológico, a extensão do tumor e as condições clínicas da paciente.

Imunoterapia amplia as opções para casos avançados

A imunoterapia representa uma das principais novidades no tratamento do câncer de endométrio avançado ou recorrente. Esses medicamentos estimulam o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.

Estudos recentes demonstraram que a associação entre imunoterapia e quimioterapia pode melhorar o controle da doença em determinados grupos de pacientes, especialmente naqueles com alterações nos mecanismos de reparo do DNA.

A indicação depende da avaliação individual de cada caso. Pacientes diagnosticadas em fases iniciais frequentemente têm a cirurgia como principal tratamento, enquanto outras podem precisar de terapias complementares conforme o risco de recorrência e as características do tumor.

A medicina de precisão no câncer de endométrio

O tratamento do câncer de endométrio considera hoje não apenas o órgão afetado, mas também as características biológicas do tumor. A classificação molecular auxilia na estimativa de risco, na escolha das terapias e no acompanhamento das pacientes.

A medicina de precisão utiliza essas informações para orientar decisões mais adequadas a cada situação clínica. Apesar dos avanços, o diagnóstico precoce continua sendo fundamental, principalmente diante de sintomas como sangramento após a menopausa.

A investigação desses sinais permite identificar a doença em fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento e controle são maiores.

** Larissa Müller Gomes é oncologista clínica e membro Brazil Health

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