EUA investigam delegado brasileiro por crimes análogos a abuso de autoridade
Marcelo Ivo atuava como oficial de ligação junto ao ICE, o serviço de imigração americano; ele foi expulso do país



Leandro Magalhães
Cézar Feitoza
A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, investiga o delegado brasileiro Marcelo Ivo por supostos crimes análogos aos de abuso de autoridade, segundo uma autoridade americana informou ao SBT News.
A investigação foi aberta sob a alegação de que o delegado da Polícia Federal teria enviado informações falsas ao ICE para a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Marcelo Ivo é investigado por cinco supostos crimes que, na legislação brasileira, seriam equivalentes a abuso de autoridade, ação controlada ilegal, denunciação caluniosa, falsidade ideológica e improbidade administrativa.
Ramagem foi detido na segunda-feira (13) por questões migratórias. Ele estava com o visto vencido e perdeu o direito ao passaporte diplomático após a cassação de seu mandato como deputado federal.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o assessor Darren Beattie foram procurados pelo jornalista Paulo Figueiredo e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e teriam intercedido em favor de Ramagem.
Dois dias após a detenção, Ramagem foi liberado pelo ICE. Em reunião com representantes da Polícia Federal, a direção do órgão de imigração americano afirmou que o pedido de asilo político do ex-deputado garante a ele o direito de permanência provisória no país.
Retirada do país
O governo americano anunciou nesta segunda-feira (20) que Marcelo Ivo será obrigado a deixar os Estados Unidos.
“Não permitiremos que estrangeiros manipulem nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição ou prolongar perseguições políticas em território americano”, afirmou um perfil do Departamento de Estado nas redes sociais.
O delegado atuava no país como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao ICE — cargo criado a partir de um acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos.
Foi com base nessa atuação que a Polícia Federal brasileira anunciou a prisão de Ramagem na semana passada, como resultado de uma “cooperação policial internacional”.









