Política

Unicef: candidatos ignoram prevenção à violência infantil

Levantamento aponta que planos de governo dão mais espaço à punição e segurança, deixando em segundo plano medidas de proteção de crianças e adolescentes

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Hariane Bittencourt
Em 2025, país registrou 23.919 casos de desaparecimentos de crianças e adolescentes | Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em 2025, país registrou 23.919 casos de desaparecimentos de crianças e adolescentes | Divulgação/Tânia Rêgo/Agência Brasil

As principais candidaturas à Presidência da República têm propostas para enfrentar violências contra crianças e adolescentes, mas a maioria prioriza medidas de resposta à criminalidade em vez de ações de prevenção.

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A avaliação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que analisou os planos de governo de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

O levantamento considerou os primeiros dias da campanha e identificou 178 menções a crianças e adolescentes nos cinco programas.

Educação foi o tema mais citado, com 42 referências, seguida por violência e segurança pública (39), saúde (30), proteção social (28) e esporte (8).

Para Zema, Flávio Bolsonaro e Renan Santos, educação é o tema relacionado à infância mais presente nos programas. Nos planos de Lula e Caiado, o principal foco é o enfrentamento da violência.

Quatro dos cinco candidatos — Lula, Caiado, Zema e Flávio — tratam explicitamente da violência contra crianças e adolescentes. Renan Santos não faz referência direta ao tema.

Segundo o Unicef, entre os programas que abordam a questão, há predominância de propostas de resposta à criminalidade e são menos frequentes medidas de prevenção e ações conjuntas entre diferentes áreas do governo.

Os programas de Flávio Bolsonaro e Zema se concentram em punição e resposta às violências. O plano de Caiado prioriza investigação e responsabilização dos autores, mas também prevê medidas intersetoriais de prevenção. Já o programa de Lula dá maior ênfase à prevenção da violência contra crianças e adolescentes.

"Para proteger crianças e adolescentes é fundamental também agir antes que a violência aconteça, por meio de políticas de educação e oportunidades para jovens. Todas as candidaturas ainda podem integrar melhor a proteção da infância e da adolescência em seus programas, reconhecendo esse público como prioridade absoluta", afirmou Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil.

A violência sexual aparece nos programas de Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado. Riscos no ambiente digital e violência doméstica são citados apenas nos planos de Lula e Caiado.

Os homicídios de crianças e adolescentes, especialmente em áreas urbanas, aparecem somente no programa de Caiado.

O Unicef não identificou propostas específicas para enfrentar mortes decorrentes de intervenções policiais nessa faixa etária.

O levantamento também aponta poucas referências aos diferentes impactos da violência sobre crianças e adolescentes. As propostas específicas para adolescentes estão concentradas na redução da maioridade penal e em mudanças no sistema socioeducativo.

A redução da maioridade penal é defendida por Caiado, Zema e Flávio Bolsonaro como resposta à criminalidade. Segundo o Unicef, os programas não apresentam evidências ou dados que demonstrem a eficácia da medida para alcançar os resultados pretendidos.

Violência contra crianças no Brasil

Em 2025, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no Brasil, quase seis por dia. A maioria das vítimas era adolescente, do sexo masculino e negra.

Dentro de casa, os casos de maus-tratos aumentaram 106% entre 2024 e 2025, chegando a mais de 38 mil registros no último ano.

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