Política

Senador manda Marina Silva se colocar em seu lugar e ela responde: "Não sou mulher submissa"

Após ser ofendida por parlamentares e abandonada por governistas, ministra do Meio Ambiente deixa audiência no Senado

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SBT News
27/05/2025, 17:49 • Atualizado em 27/05/2025, 18:15
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Parlamentares governistas abandonaram a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em debate na Comissão de Infraestrutura do Senado e ela acabou deixando a audiência após sofrer uma série de críticas, algumas com tons machistas, na manhã desta terça-feira (27).

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Na ocasião, ao discutir com o senador Marcos Rogério (PL-RO), Marina Silva afirmou que não é uma mulher submissa. O parlamentar cortou o microfone da ministra seguidas vezes. Ainda falou ironicamente com ela.

A ministra afirmou que Marcos Rogério queria que ela "fosse uma mulher submissa". "Eu não sou", afirmou a ministra. Presidindo a sessão, Marcos Rogério disparou: "Me respeite, ministra, se ponha no teu lugar".

As declarações de Marcos Rogério provocaram um tumulto na audiência. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) tentou amenizar o ambiente e foi cortada por Rogério. Ela foi a única que tentou defender Marina.

Marcos Rogério tentou dar outro sentido ao seu discurso. E afirmou que estava se referindo ao "lugar" de Marina como ministra do Meio Ambiente.

Marina ainda debateu com o senador Omar Aziz (PSD-AM) e Plínio Valério (PSDB-AM). Por fim, a ministra disse que só seguiria na comissão caso Valério se desculpasse com ela, o que ele não fez.

Em março passado, o senador tucano disse que pensou em enforcá-la. “Imagina o que é tolerar Marina por seis horas e dez minutos sem enforcá-la”. Marina, então, decidiu se levantar e deixou a audiência.

Marcos Rogério, então, disse que iria botar em votação um requerimento de convocação dela para a próxima sessão. Enquanto convidada, ela pode se retirar da audiência. Como convocada, ela é obrigada a comparecer e não pode abandonar o debate.

Sobre o comportamento dos senadores, a ministra foi enfática: "Respeito todos, mas não aceito que digam quem sou ou onde é meu lugar. Meu lugar é na defesa do meio ambiente e da democracia." E completou, dirigindo-se à imprensa: "O que aconteceu hoje muitas jornalistas já viveram no governo anterior. É a mesma tentativa de silenciar quem faz seu trabalho."

Questionada sobre medidas legais, Marina ponderou: "Já analisávamos as declarações anteriores do senador sobre 'enforcamento'. Hoje ele agravou a situação ao desrespeitar minha função ministerial. Avaliaremos nossos direitos."

Antes de encerrar, a ministra reforçou seu compromisso: "Seguiremos dialogando com todos os setores para um licenciamento ágil, mas qualificado. O povo brasileiro precisa entender que não se trata de mim, mas do futuro do país."

O pano de fundo dessa discussão é a aprovação pelo Senado das mudanças na lei do licenciamento ambiental.

Em declaração ao final da sessão, Marina tratou deste tema. “O licenciamento ambiental é uma conquista da sociedade brasileira e nesse momento, sinceramente, só o povo brasileiro pode evitar esse desmonte que está sendo proposto. Eles pensam que estão agredindo uma pessoa, estão agredindo um povo, o futuro de um povo, os direitos de um povo e até mesmo os interesses econômicos e estratégicos de um povo com esse tipo de atitude”, declarou.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, manifestou repúdio ao tratamento dado à ministra Marina. "Foi um ataque desrespeitoso não só à ministra, mas à mulher e à cidadã", afirmou Gleisi, em solidariedade explícita à colega de governo. A declaração reforça o posicionamento do governo Lula em defesa de Marina Silva após a sessão conturbada, marcada por falas agressivas e interrupções constantes à fala da ministra.

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