Política

Senado aprova projeto que acaba com "saidinha" de presos em feriados

Estacionada há anos, proposta foi retomada após morte de policial; texto voltará para a Câmara dos Deputados

G
Guilherme Resck
20/02/2024, 23:38 • Atualizado em 21/02/2024, 01:57
compartilhar
Senado aprova projeto que acaba com "saidinha" de presos em feriados

O plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (20), o Projeto de Lei (PL) que proíbe as "saidinhas" de presos em feriados e datas comemorativas. O placar foi de 62 votos favoráveis, dois contra a proposta e uma abstenção. O texto mantém a saída temporária apenas para inscritos em cursos de educação ou profissionalizantes.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Ele estava em tramitação no Congresso desde 2013, mas ganhou força nas últimas semanas por causa da morte do policial militar Roger Dias da Cunha, de 29 anos, baleado na cabeça, em Belo Horizonte, por um criminoso que deixou a cadeia durante a saída temporária de Natal.

A versão do projeto aprovada no Senado seguiu sugestão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto o texto ainda estava na Comissão de Segurança Pública. Ele também definiu que a proposta será chamada "Lei Sargento MP Dias", em homenagem ao policial mineiro.

O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, mas agora precisará passar por uma nova análise de parlamentares por ter passado por mudanças no Senado.

Na Casa Alta, ficou definido que a manutenção do benefício da saída temporária será mantido apenas para inscritos em cursos de educação ou profissionalizantes, o que flexibilizou a proposta da Câmara.

"A proposição em exame, do nosso ponto de vista, é conveniente, oportuna e adequada sua aprovação", defendeu Flávio Bolsonaro durante a votação desta terça-feira (20).

O senador também disse que a população fica em risco ao permitir que detentos ainda não reintegrados voltem ao convívio social, mas ponderou que a medida pode ser positiva em casos de formação educacional: "Por outro lado, privar o acesso do condenado por crimes não violentos a cursos que o habilitem para o trabalho ou aperfeiçoem a sua educação formal, dificulta a sua ressocialização".

Antes do início da votação, o líder do PT no Senado, Fabiano Contarato (ES), se posicionou contra a saída temporária e liberou os senadores para votar como preferissem.

"Eu não sairia daqui com a minha consciência tranquila não votando contra a saída temporária, por entender que é mais um benefício dado e que vai passar não a sensação, mas a certeza da impunidade", pontuou.

O Projeto de Lei ainda prevê a realização de exame criminológico para a progressão de regime; e torna possível a determinação de fiscalização por tornozeleira eletrônica para a concessão do regime aberto ou semiaberto ou para a progressão a eles, bem como quando houver concessão do livramento condicional ou quando o juiz aplicar a pena restritiva de direitos que estabeleça limitação de frequência a locais específicos.

Críticas

Ao SBT News, especialistas em segurança criticaram o projeto e defenderam a saída temporária como um caminho de ressocialização. O advogado Marcelo Buttelli, mestre e doutor em ciências criminais, classificou o PL como "bastante equivocado", inconsistente em termos de argumentação e inconstitucional.

Ele também considera que o discurso para restrição de liberdade é genérico, e afirma que casos de fuga não são constantes entre os que são beneficiados pela saída temporária.

"Em 2015, um levantamento amplamente divulgado pela imprensa, apontou que a média nacional de taxa de evasão é de 4,66%, então, de um universo de 100%, apenas quatro não voltam. Dados mais recentes, de São Paulo, por exemplo, 2018, dão conta de uma taxa de regresso, não de evasão, superior a 95%", detalha, Buttelli, que também é coordenador-adjunto do Departamento de Política Legislativa Penal do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

De acordo com o especialista, uma argumentação superficial de que a saída temporária tem gerado problemas para execução da pena, de que milhares de presos são liberados, com o benefício, e de que muitos dos contemplados com a saidinha não retornam é "imprestável para autorizar uma supressão de um direito que já está estabelecido há décadas".

"É importante lembrar que o objetivo primário de uma execução de pena no Estado Democrático de Direito é a ressocialização do preso. Em que pese todas as dificuldades, é ainda ressocialização do preso."

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Copa de 2026 escancarou a relação entre futebol e política

Copa de 2026 escancarou a relação entre futebol e política

Imagem da notícia: Galvão Bueno narra última final de Copa após 52 anos

Galvão Bueno narra última final de Copa após 52 anos

Imagem da notícia: Argentina pode repetir feito que não acontece desde 1962

Argentina pode repetir feito que não acontece desde 1962

Imagem da notícia: Espanha x Argentina: veja tudo sobre a final da Copa 2026

Espanha x Argentina: veja tudo sobre a final da Copa 2026

Imagem da notícia: Copa de 2026 escancarou a relação entre futebol e política

Copa de 2026 escancarou a relação entre futebol e política

Imagem da notícia: Galvão Bueno narra última final de Copa após 52 anos

Galvão Bueno narra última final de Copa após 52 anos

Imagem da notícia: Argentina pode repetir feito que não acontece desde 1962

Argentina pode repetir feito que não acontece desde 1962

Imagem da notícia: Espanha x Argentina: veja tudo sobre a final da Copa 2026

Espanha x Argentina: veja tudo sobre a final da Copa 2026

Últimas notícias

Advogado é investigado por atropelar idoso e fugir em SP

Motorista é suspeito de atropelar motociclista, passar novamente sobre a vítima e fugir. Polícia pediu a prisão temporária

Governadora do DF vê condenação de ex-presidente do BRB

Para Celina Leão, ex-governador Ibaneis Rocha teve acertos e erros gravíssimos. Em campanha, ela acredita que população percebe diferença entre os dois

EUA atacam Irã após morte de militares na Jordânia

Novos bombardeios elevam tensão no Oriente Médio após ataque iraniano que matou dois militares norte-americanos e deixou outro desaparecido

Prefeito de NY sugere prender Netanyahu durante Assembleia

Zohran Mamdani afirma que discute com a equipe jurídica a possibilidade de deter o premiê israelense durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro

Mbappé supera Messi e vira maior artilheiro das Copas

Atacante francês chega a 22 gols em Copas do Mundo, ultrapassa Lionel Messi e também assume a liderança isolada da artilharia da edição de 2026

Celina: Flávio e Michelle no palanque “tem que ser possível”

Para governadora do DF, não há como Michelle não se candidatar ao Senado. Apesar de desentendimento com Flavio, a expectativa é de que os dois apoiem Celina