Política

PT abre Congresso com divergência sobre excluir ou não debate sobre reforma no Judiciário e nas Forças Armadas

Ala do partido defende tirar temas controversos da mesa de discussões para evitar desgastes ao presidente Lula

Imagem da noticia PT abre Congresso com divergência sobre excluir ou não debate sobre reforma no Judiciário e nas Forças Armadas
Lula (PT) em evento de aniversário de 46 anos do PT | Reprodução/YouTube

O Partido dos Trabalhadores (PT) começará o 8º Congresso Nacional da legenda nesta sexta-feira (24) dividido sobre enfrentar ou não o debate sobre a necessidade de uma reforma do Judiciário brasileiro.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Inicialmente, o objetivo do encontro seria apresentar um extenso programa que debateria desde questões externas, como a “desestabilização da ordem geopolítica” provocada pelos Estados Unidos, a temas domésticos, como a proposta de criação de um código de ética e de conduta para tribunais superiores - medida que encontra resistência entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A inclusão de ajustes no Judiciário acontece em meio a uma inédita crise de imagem da Suprema Corte após tornarem-se públicas as ligações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e de seus parentes com o Banco Master, alvo de investigação por uma fraude bilionária ao sistema financeiro.

Diante do desgaste do Supremo perante a opinião pública, Lula passou a fazer questionamentos a Toffoli e Moraes e voltou a defender o estabelecimento de mandatos para ministros do STF. A versão preliminar do programa político do PT também defende uma revisão de privilégios corporativos das instituições judiciais.

O programa partidário foi capitaneado pelo ex-ministro José Dirceu. Não houve, no entanto, consenso interno sobre discutir temas controversos em um ano eleitoral e com potencial de trazer desgaste para o presidente Lula, que enfrenta um cenário incerto para a sua reeleição.

Ao SBT News, Dirceu disse que serão discutidos durante o encontro apenas táticas, conjunturas e o programa de governo. Os demais temas, reforçou, devem ficar para a segunda fase do Congresso, que ocorrerá em 2027.

Outra ala do partido, porém, reforça que o presidente Lula e também o dirigente da legenda, Edinho Silva, já deram declarações públicas em defesa de uma reformulação do Judiciário e defende que seja aprovado ao menos um indicativo sobre a necessidade de uma reforma. Os detalhes sobre a reformulação, porém, ficariam para um outro momento.

A versão inicial do programa também defende a retomada da discussão sobre o estabelecimento de uma agenda de reforma e modernização das Forças Armadas, passando por mudanças na formação dos militares.

As alterações curriculares dos militares já foram defendidas pelo PT e causam desgaste dentro das Forças Armadas por serem consideradas uma ingerência indevida da legenda.

O texto também traz críticas à “política fiscal restritiva” que limita a capacidade de investimento do Estado. O programa propõe a construção de um novo arranjo fiscal, com a revisão dos limites impostos aos gastos públicos, o que foi recebido como uma munição para a oposição questionar o compromisso fiscal do governo.

Últimas Notícias