Política

Polícia apura uso de verba de Wi-Fi de SP no Dark Horse

Inquérito fala em R$ 26 milhões pagos pela gestão Nunes por serviços não prestados; Prefeitura de São Paulo nega irregularidades

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Valentina Moreira
01/06/2026, 18:53 • Atualizado em 02/06/2026, 21:36
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Polícia apura uso de verba de Wi-Fi de SP no Dark Horse

A Polícia Civil afirma que a Prefeitura de São Paulo pagou R$ 26 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) por serviços não prestados. A investigação é sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado para instalação de pontos de Wi-Fi pela capital paulista.

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O ICB é ligado a Karina Ferreira da Gama, sócia da empresa Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.

Ainda de acordo com a polícia, “há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”.

De acordo com o inquérito, ao qual o SBT News teve acesso, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) antecipou pagamentos para garantir a execução dos serviços durante as eleições em que o político concorreu à reeleição, em 2024. Depois desse período, no entanto, o ICB “desacelerou bruscamente” os trabalhos, segundo a polícia.

A Prefeitura nega irregularidades e diz que pagou apenas pelos pontos instalados. Afirma também que o valor adicional serviu para manutenção dos pontos já em funcionamento. Em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, o prefeito Ricardo Nunes argumenta que o serviço foi prestado e o pagamento foi feito, sem nenhuma irregularidade. "O que a pessoa faz com o recurso lá do ganho dela não nos compete", afirmou.

Nunes argumentou que adiantamentos são comuns em contratos com entidades sem capital de giro, para viabilizar a execução inicial dos serviços. Ele afirmou que os valores são posteriormente ajustados na prestação de contas.

"É feito um adiantamento do valor, de uma parte do adiantamento do valor, para que eles possam fazer os serviços: ir lá nas comunidades, fazer o levantamento, ver onde vai pôr o ponto, contratar as pessoas que vão lá fazer todas essas entrevistas, o levantamento desses locais. E aí, na prestação de contas, é apresentado tudo aquilo que eles gastaram, e a gente faz os ajustes", afirmou Nunes.

O delegado responsável pela investigação, no entanto, afirma que, com base no balanço apresentado, a gestão municipal deveria ter pago cerca de “R$ 43 milhões pelos meses em que houve o fornecimento efetivo de internet aos pontos ativos”, mas “foram transferidos R$ 69 milhões, resultando em uma diferença de R$ 26 milhões, pagos por serviços não prestados.”

O inquérito questiona a capacidade técnica da contratada para realizar os serviços em questão, o preço acordado e também os serviços não executados ”e que podem evidenciar o desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público municipal.”

“Diante disso, o rastreamento do fluxo financeiro é o único meio capaz de descortinar a destinação final das verbas recebidas pelo Instituto Conhecer Brasil —ICB e repassadas de forma suspeita a empresas subcontratadas e às contas pessoais da investigada Karina Ferreira da Gama e de suas firmas individuais, como a Go Up Entertainment”, afirmou o delegado Antonio Carlos Munuera Silveira.

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