Política

Plano de Flávio ignora Mercosul e quer reaproximar Israel

Programa indica prioridade na retomada da adesão à OCDE e faz duas menções à China, principal parceiro comercial do Brasil

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Victor Schneider
O senador Flávio Bolsonaro | REUTERS/Mateus Bonomi

O senador Flávio Bolsonaro | REUTERS/Mateus Bonomi

O programa de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República indica que sua gestão deve virar as costas para a vizinhança e priorizar parcerias para além do Atlântico.

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Sem qualquer menção ao Mercosul, o plano estabelece como prioridade a retomada do processo de adesão à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), congelado durante o governo Lula (PT). A linha diplomática sugerida é de reaproximação com Argentina, Estados Unidos e Israel. O programa critica a atual gestão ao dizer que a relação com esses países foi levada “ao limite do rompimento”. Há também só duas menções à China, principal parceiro comercial do Brasil.

“Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil. Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro, não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo", diz o programa, tornado público nesta quinta-feira (13).

Ao longo do atual governo, o Brasil se distanciou paulatinamente dos três países. No caso de Israel, Lula tornou-se persona non grata em 2024, quando comparou as incursões israelenses na Faixa de Gaza ao Holocausto. O episódio rendeu a convocação mútua de embaixadores, e os países hoje têm relação rebaixada a nível de encarregados de negócios.

Já a crise com Argentina e EUA se intensificou nos últimos meses, com ataques de Javier Milei e a suspensão do visto diplomático da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti. O Planalto monitora se haverá atuação ativa do Departamento de Estado americano para favorecer Flávio depois de o Itamaraty barrar dois assessores que viriam fazer coro a supostas brechas na urna eletrônica.

No governo Jair Bolsonaro, no que pese o distanciamento com a Casa Rosada (então comandada pelo peronista Alberto Fernández) e a Casa Branca (do democrata Joe Biden), houve um alinhamento com Israel similar ao que faz Milei atualmente.

Bolsonaro visitou o país em 2019, rezou no Muro das Lamentações e assinou acordos de parceria estratégica com Netanyahu. A promessa de mover a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, contudo, não foi levada a cabo.

Bolsonaro ao lado de Benjamin Netanyahu no Muro das Lamentações | Allan Santos/PR
Bolsonaro ao lado de Benjamin Netanyahu no Muro das Lamentações | Allan Santos/PR

OCDE

A OCDE é tida como um “clube de países ricos” e adeptos a boas práticas de gestão. Para entrar na lista, hoje formada por 38 nações, é exigida a conformidade com uma série de instrumentos de governança, transparência, fiscalização e sustentabilidade. São 268 ao todo, dos quais o Brasil cumpria, até o último governo, ao menos 118.

O processo de alinhamento regulatório foi formalizado em outubro de 2022, no governo Jair Bolsonaro (PL), mas deixado de lado com a chegada de Lula ao Planalto. A razão é que, ao entrar na OCDE, o Brasil deixa de ter poder de barganha comercial com barreiras protecionistas, como faz no âmbito do Mercosul.

Flávio diz em seu programa que uma das primeiras medidas a serem tomadas é encerrar a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em remessas de dinheiro ou conversão cambial para fora do país, uma das exigências de conformidade da OCDE.

Nessa linha, o plano fala em uma preparação para abrir o mercado interno e integrar-se às cadeias dando prioridade à “agroindústria avançada, os minerais críticos, a saúde e a economia digital”.

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