PF estica caso do INSS para mirar Lulinha, diz advogado
Ao SBT News, Guilherme Suguimori afirmou que ainda não teve acesso aos autos, mas que vê indícios de “pesca probatória” para tentar incriminar cliente
Victor Schneider, Amanda Klein, Eduardo Gayer, Marcela Mattos
O advogado Guilherme Suguimori representa a defesa de Lulinha | Reprodução
O advogado Guilherme Suguimori, que representa a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, disse ao SBT News nesta sexta-feira (31) que o novo inquérito aberto contra o seu cliente na quinta (30) pode configurar uma expansão indevida da investigação sobre fraudes contra aposentados e pensionistas no INSS com o intuito específico de atingi-lo.
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Suguimori disse que não teve acesso aos autos do processo e que deve fazer essa solicitação ainda nesta sexta ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Porém, afirmou ver indícios preliminares da chamada “pesca probatória" – termo jurídico para a busca indiscriminada por provas sem indícios concretos ou objeto investigativo previamente definido, na expectativa de encontrar alguma evidência de crime.
Lulinha virou alvo de nova investigação no STF para apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência. O inquérito foi autorizado por Mendonça a pedido da Polícia Federal, que vê indícios de que o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria usado de sua influência para autorizar a comercialização de medicamentos à base de cannabis em programas do Ministério da Saúde, inclusive com ramificações no gabinete da Presidência da República.
A descoberta da atuação do filho do presidente no mercado de cannabis se deu no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos associativos indevidos e não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A PF disse que a evidência coletada nessa operação encaminhou o novo inquérito, enquanto a defesa diz que essa decisão, se confirmada, configura uma ilegalidade no processo.
“É assim que o inquérito funciona: você investiga algo, esse algo se mostra fracassado, que não era verdade. A investigação, em vez de acabar, se estica: um, dois, três, quatro meses. Nós não temos acesso ao que está acontecendo, isso não foi informado facilmente nos autos do inquérito, tanto é que eu não vi a quebra [dos sigilos de Lulinha] até agora. Então a questão da pesca probatória começa a surgir na nossa mente aí", afirmou o advogado.
Suguimori voltou a afirmar que Fábio Luís teve relação pontual com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS", por intermédio de sua amiga pessoal, a empresária Roberta Luchsinger.
Investigações da PF citam diversas viagens feitas por Lulinha com o “Careca do INSS” e Luchsinger, mas o advogado diz que há confusão sobre as relações. Enquanto a empresária de fato seria próxima de Lulinha e de sua família, que hoje mora na Espanha, o contato com “Careca” teria se limitado a uma viagem a convite para Portugal, em novembro de 2024, para visita a uma fábrica de produtos canábicos de cunho medicinal.
O advogado afirmou que Fábio tem familiares que fazem o uso de remédios com essa base e que buscava conhecer fornecedores confiáveis e alternativas no mercado.
“Dessa viagem não resultou convite para sociedade, sociedade de fato, trabalho, não resultou conexão. O Fábio foi a convite para conhecer a empresa e aceitou, porque na época não existia essa figura de ‘Careca do INSS’ [...] Era um convite de um empresário bem-sucedido e supostamente confiável, de renome”, disse Suguimori.
Outro ponto citado pelo advogado é se a investigação de fato compete ao STF, já que Lulinha não tem foro privilegiado, mas que fará essa avaliação após ler o processo. "Se o fundamento for absurdo, inexistente ou ilegal, certamente não justifica ser competência do STF, e é minha função como advogado requerer o envio à instância adequada".
Roberta Luchsinger foi alvo da PF em uma das fases da operação Sem Desconto, em dezembro de 2025, após a corporação identificar que ela teria recebido R$ 1,5 milhão do "Careca do INSS". A corporação apontou indícios de que a empresaria teria atuado como intermediária para conectá-lo a Lulinha, que atuaria como sócio oculto do lobista.
A relação com o filho do presidente Lula é uma menção a um pagamento de R$ 300 mil do “Careca” ao “filho do rapaz", que a investigação da PF acreditava ser Lulinha.
A defesa do empresário, porém, nega qualquer relação de seu cliente com as fraudes no INSS e diz que a investigação não conseguiu comprovar repasses indevidos ou qualquer prova de atuação de seu cliente na Previdência.
Em 14 de julho, a PF deixou Lulinha e Roberta Luschinger de fora do pedido de indiciamento de 48 pessoas, dentre as quais o “Careca", em um dos inquéritos da Operação Sem Desconto.
PF estica caso do INSS para mirar Lulinha, diz advogadoAo SBT News, Guilherme Suguimori afirmou que ainda não teve acesso aos autos, mas que vê indícios de “pesca probatória” para tentar incriminar cliente
Política2026-07-31T18:19:22.243ZO advogado Guilherme Suguimori, que representa a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, disse ao SBT News nesta sexta-feira (31) que o pode configurar uma expansão indevida da investigação sobre fraudes contra aposentados e pensionistas no INSS com o intuito específico de atingi-lo. Suguimori disse que não teve acesso aos autos do processo e que deve fazer essa solicitação ainda nesta sexta ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Porém, afirmou ver indícios preliminares da chamada “pesca probatória" – termo jurídico para a busca indiscriminada por provas sem indícios concretos ou objeto investigativo previamente definido, na expectativa de encontrar alguma evidência de crime. + Lulinha virou alvo de nova investigação no STF para apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência. O inquérito foi autorizado por Mendonça a pedido da Polícia Federal, que vê indícios de que o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria usado de sua influência para autorizar a comercialização de medicamentos à base de cannabis em programas do Ministério da Saúde, inclusive com ramificações no gabinete da Presidência da República. A descoberta da atuação do filho do presidente no mercado de cannabis se deu no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos associativos indevidos e não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A PF disse que a evidência coletada nessa operação encaminhou o novo inquérito, enquanto a defesa diz que essa decisão, se confirmada, configura uma ilegalidade no processo. “É assim que o inquérito funciona: você investiga algo, esse algo se mostra fracassado, que não era verdade. A investigação, em vez de acabar, se estica: um, dois, três, quatro meses. Nós não temos acesso ao que está acontecendo, isso não foi informado facilmente nos autos do inquérito, tanto é que eu não vi a quebra [dos sigilos de Lulinha] até agora. Então a questão da pesca probatória começa a surgir na nossa mente aí", afirmou o advogado. Suguimori voltou a afirmar que Fábio Luís teve relação pontual com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS", por intermédio de sua amiga pessoal, a empresária Roberta Luchsinger. Investigações da PF citam diversas viagens feitas por Lulinha com o “Careca do INSS” e Luchsinger, mas o advogado diz que há confusão sobre as relações. Enquanto a empresária de fato seria próxima de Lulinha e de sua família, que hoje mora na Espanha, o contato com “Careca” teria se limitado a uma viagem a convite para Portugal, em novembro de 2024, para visita a uma fábrica de produtos canábicos de cunho medicinal. O advogado afirmou que Fábio tem familiares que fazem o uso de remédios com essa base e que buscava conhecer fornecedores confiáveis e alternativas no mercado. “Dessa viagem não resultou convite para sociedade, sociedade de fato, trabalho, não resultou conexão. O Fábio foi a convite para conhecer a empresa e aceitou, porque na época não existia essa figura de ‘Careca do INSS’ [...] Era um convite de um empresário bem-sucedido e supostamente confiável, de renome”, disse Suguimori. Outro ponto citado pelo advogado é se a investigação de fato compete ao STF, já que Lulinha não tem foro privilegiado, mas que fará essa avaliação após ler o processo. "Se o fundamento for absurdo, inexistente ou ilegal, certamente não justifica ser competência do STF, e é minha função como advogado requerer o envio à instância adequada". Roberta Luchsinger foi alvo da PF em uma das fases da operação Sem Desconto, em dezembro de 2025, após a corporação identificar que ela teria recebido R$ 1,5 milhão do "Careca do INSS". A corporação apontou indícios de que a empresaria teria atuado como intermediária para conectá-lo a Lulinha, que atuaria como sócio oculto do lobista. A relação com o filho do presidente Lula é uma menção a um pagamento de R$ 300 mil do “Careca” ao “filho do rapaz", que a investigação da PF acreditava ser Lulinha. A defesa do empresário, porém, nega qualquer relação de seu cliente com as fraudes no INSS e diz que a investigação não conseguiu comprovar repasses indevidos ou qualquer prova de atuação de seu cliente na Previdência. Em 14 de julho, a PF deixou Lulinha e Roberta Luschinger de fora do dentre as quais o “Careca", em um dos inquéritos da Operação Sem Desconto.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pf-estica-caso-do-inss-para-mirar-lulinha-diz-advogado