"PEC do BC é uma forma de enfrentar Toffoli", diz relator da autonomia financeira
Plínio Valério prepara discurso para tentar destravar pauta no Congresso em meio a crise no STF


Eduardo Gayer
O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM), prepara o discurso para tentar destravar a pauta com a volta dos trabalhos no Congresso. Ele tentará convencer os pares de que a aprovação do texto é uma forma de "enfrentar" o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob desgaste pela condução do inquérito do banco Master.
"O meu discurso será esse: a PEC é uma forma de enfrentar Dias Toffoli. Se dermos autonomia financeira ao Banco Central, os técnicos vão 'voar' e cada vez mais fazer o que precisa ser feito, sem temores", afirmou o senador ao SBT News. Valério diz estar otimista com a tramitação da proposta, que está travada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
A PEC que dá autonomia financeira e administrativa ao BC, autarquia que enfrenta baixo orçamento e pessoal, foi apresentada pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) no fim de 2023, mas enfrenta desafios pra passar no Congresso.
Apesar do otimismo do senador, nos bastidores do Banco Central e do governo há ceticismo com o andamento da proposta. A avaliação é de que a ofensiva da autoridade monetária sobre o conglomerado de Daniel Vorcaro, incluindo a liquidação do Master e do Will Bank, azedou a relação entre BC e Congresso, onde o banqueiro exerce forte influência junto a parlamentares.
Questionado se o caso Master não é a pá de cal na PEC, Plínio Valério diz que é preciso "sentir a temperatura" no retorno do recesso.
A tentativa do relator de usar o caso Master para viabilizar a PEC do BC reflete o desgaste enfrentado por Toffoli nas últimas semanas. O magistrado tem sido pressionado a deixar a relatoria do inquérito no STF desde que pegou carona num jatinho privado ao lado de Augusto de Arruda Botelho, advogado de Luiz Bull, um dos diretores do Master.
A pressão cresceu após o jornal O Estado de S.Paulo revelar que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná.
Procurado para comentar a declaração de Plínio Valério, o gabinete do ministro Toffoli não comentou.









