Partidos de direita e de centro pressionam Flávio Bolsonaro e ameaçam pulverizar candidaturas à Presidência
Siglas voltaram a passar mensagem de que única candidatura de consenso seria a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas


Iander Porcella
Partidos de centro-direita iniciaram nos últimos dias um novo movimento coordenado para pressionar Flávio Bolsonaro a recuar de sua candidatura à Presidência. Com o argumento de que a rejeição do senador no eleitorado é impeditiva para uma vitória no segundo turno, siglas como PSD e União Brasil rechaçam apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e dobram a aposta em candidaturas próprias.
O recado é claro: se Flávio insistir em disputar o Palácio do Planalto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá uma pulverização de candidatos de oposição nas eleições de outubro. As siglas voltaram a passar a mensagem de que a única candidatura de consenso na direita seria a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem dado sinais de que ainda não desistiu completamente de uma eventual empreitada presidencial.
O movimento mais evidente é o do PSD. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, fez uma série de reuniões nos últimos dias com Ratinho Júnior (PSD) para articular a candidatura do governador do Paraná ao Planalto. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 14, Ratinho disse que aceitará o desafio se essa for a vontade de seu partido.
Aliados do governador do Paraná afirmaram ao SBT News, sob reserva, que a candidatura ainda precisa passar por trâmites internos na sigla, mas está realmente avançando. A avaliação é de que as ressalvas a Flávio abrem brecha para a centro-direita tentar uma "última cartada".
Vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto também reitera que o partido terá candidato próprio ao Planalto e resiste a uma aliança com Flávio. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), já lançou sua pré-candidatura à Presidência e pretende mantê-la. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), é outro que se mantém na disputa.
Os partidos de centro-direita apontam como fraqueza da candidatura de Flávio, além da rejeição, o racha na própria família Bolsonaro. Nesta semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro curtiu nas redes sociais um comentário da primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, que foi visto como estímulo para que Tarcísio dispute a Presidência. "Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido!", escreveu Cristiane.
Pressionado pela reação de bolsonaristas, Tarcísio declarou nesta quinta-feira, 15, que apoia Flávio ao Planalto, mas aliados dizem que ele ainda não perdeu as esperanças de uma reviravolta na disputa presidencial.
Procurado pela coluna, o senado Flávio Bolsonaro não quis comentar.









