Política

Moraes manda soltar Márcio Canella, preso com fuzil no carro

Ex-prefeito de Belford Roxo está em Bangu 8; ministro disse que investigação não esclareceu quem era o dono da arma e determinou uso de tornozeleira

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Victor Schneider
Márcio Canella foi prefeito de Belford Roxo | Divulgação/Prefeitura de Belford Roxo

Márcio Canella foi prefeito de Belford Roxo | Divulgação/Prefeitura de Belford Roxo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar na noite de sexta-feira (10) o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, preso em flagrante na terça (7) por posse ilegal de um fuzil durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal (PF).

Em sua defesa, Canella disse que a arma encontrada em seu carro durante as diligências pertencia a um policial responsável por sua segurança pessoal. Além do fuzil, a PF também apreendeu revólveres, pistola, munição e relógios de luxo na residência do político, uma casa em condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

No alvará de soltura, Moraes disse que a investigação ainda precisava esclarecer a quem pertence o fuzil.

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Fuzil encontrado com Márcio Canella | Divulgação/PF
Fuzil encontrado com Márcio Canella | Divulgação/PF

Canella havia sido transferido do Presídio José Frederico Marques, no bairro de Benfica, para a unidade Pedrolino Werling de Oliveira, popularmente conhecido como Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó.

O ex-prefeito terá agora que cumprir medidas cautelares enquanto responde em liberdade, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar o país e a suspensão do porte de arma.

Em nota ao SBT News, a defesa disse que a prisão "não se sustentava", já que a arma apreendida "era legalizada e registrada em nome de seu segurança".

"Todos os documentos foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal, que subsidiaram a correta decisão. Marcio continua a disposição para prestar todos os esclarecimentos a investigação", diz comunicado assinado pelos advogados Pierpaolo Cruz Bottini, Sheila Lustosa e Davi Lefer.

Recentemente, Canella deixou a Prefeitura de Belford Roxo para disputar uma vaga no Senado, movimento que teve aval do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). Aliados do senador dizem que Canella, que estava confirmado na chapa e que teria a mãe de Flávio como suplente, não tem mais condições de participar da eleição.

Unha e Carne

A Operação Unha e Carne investiga uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Grande Rio de Janeiro para lavar dinheiro.

Além de Canella, que também é presidente estadual do União Brasil, também foram alvos da operação Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio, o inspetor da Polícia Civil, Jukiá Felix Ferreira e Juracy Alves Prudêncio, que já ocupou cargos na administração de Belford Roxo na gestão de Canella.

O grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As investigações também apuram a participação de agentes públicos no esquema.

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