Política

Ministros esvaziam projeto defendido por Motta e pedem fim da escala 6x1 em até 3 meses

Luiz Marinho e Guilherme Boulos querem pressa em bandeira eleitoral de Lula, que passa por mau momento nas pesquisas

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Hariane Bittencourt
15/04/2026, 15:00 • Atualizado em 15/04/2026, 15:08
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Luiz Marinho e Boulos em coletiva de imprensa para detalhar projeto de lei do governo Lula (PT) sobre fim da escala 6x1 enviado à Câmara | Reprodução/CanalGov

Luiz Marinho e Boulos em coletiva de imprensa para detalhar projeto de lei do governo Lula (PT) sobre fim da escala 6x1 enviado à Câmara | Reprodução/CanalGov

Os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, pediram nesta quarta-feira (15) que o Congresso seja rápido na análise do projeto de lei (PL) sobre o fim da escala 6x1, enviado ontem à Câmara dos Deputados.

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O tema é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula, que passa por um mau momento nas pesquisas eleitorais.

Com acenos à camada mais pobre da população, os ministros defenderam que o texto seja aprovado em até três meses, fizeram comparações com o governo de Javier Milei, na Argentina, e afirmaram que o texto é "o projeto da família trabalhadora", em referência à defesa da família — uma das principais bandeiras do bolsonarismo.

A ação do governo contraria o ritmo definido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que defende a tramitação de uma PEC, atualmente na Comissão de Constituição e a Justiça (CCJ) da Casa.

Na noite desta terça-feira (14), Motta disse que o envio do projeto do governo não vai alterar a tramitação da PEC e que deixou isso claro durante almoço com Lula.

"É o projeto da família trabalhadora. Porque quem defende a família no Brasil defende que o trabalhador e a trabalhadora possam ficar mais tempo com a sua família. Tempo para cuidar dos filhos, para ter lazer, para descansar, para amar", disse Boulos.

O projeto de lei foi enviado ao Legislativo em regime de urgência, com a expectativa de aprovação em até 90 dias. Com a urgência, estabelece-se um prazo máximo de 45 dias para análise na Câmara e o mesmo período para análise no Senado.

O texto reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, prevê dois dias de descanso remunerado e proíbe que haja redução salarial.

Em entrevista concedida no Palácio do Planalto, os ministros sustentaram que não há competição do projeto com a PEC. Mas que o PL enviado pela gestão petista tem a capacidade de "acelerar o processo", com tramitação mais ágil.

O fim da escala 6x1 é uma das apostas de Lula para alavancar sua popularidade neste ano eleitoral. No governo, há a avaliação de que a PEC será atrasada pelo centrão com o objetivo de evitar a votação do tema no ano eleitoral.

Para o ministro do Trabalho e Emprego, apesar da resistência de parte do empresariado, a redução da jornada vai aumentar a produtividade.

Boulos comparou a intenção do governo Lula com o cenário na Argentina, país governado por Javier Milei, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele fez críticas a Jair Bolsonaro e ao presidente de seu partido, o PL, Valdemar Costa Neto.

"O presidente do partido do Bolsonaro disse para uma plateia de empresários recentemente, junto com Antônio Rueda [presidente do União Brasil], que eles iam dar a vida para que a escala 6x1 não fosse votada esse ano antes da eleição, para defender o interesse dos privilegiados", disse.

A reforma trabalhista do governo Milei na Argentina foi aprovada no início de 2026 e, apesar de resistências judiciais, propôs aumentar a jornada diária de trabalho de 8 para até 12 horas.

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