"Não podemos votar em nenhum homem que agride mulheres", afirma ministra Márcia Lopes em entrevista ao SBT News
Ministra das Mulheres defende renovação da Câmara dos Deputados e critica estados que não aderiram a plano do governo federal contra feminicídio



Basília Rodrigues
Victoria Abel
Soane Guerreiro
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou ao SBT News que os políticos devem dar exemplo à população sobre como tratar as mulheres. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, a ministra falou de situações em que as mulheres, principalmente no Congresso Nacional, têm o papel reduzido, e fez um apelo para que o eleitor não vote em agressores.
“Eu tenho dito isso, que este ano nós não podemos votar em nenhum homem que agride mulheres, que é grosso com mulheres, em nenhum deputado assim. Chega, nós precisamos renovar essa Câmara, né? A Câmara, o Congresso como um todo, as assembleias legislativas, a mesma coisa”, afirmou. “É um sistema difícil que a gente também precisa do Congresso. Imagina um deputado que vota contra a lei que nós votamos?”, criticou.
Márcia também reagiu à declaração da ex-ministra da pasta, Damares Alves, sobre integrantes do governo Bolsonaro confundirem combate ao feminicídio com feminismo. O próprio governo Lula também é alvo de cobranças sobre a falta de mais mulheres em cargos estratégicos. A ministra rebateu.
“Não há comparação, né? Não há comparação entre aquele presidente (Bolsonaro) e o nosso presidente Lula. O presidente Lula pauta todas essas questões, sem moralismo, sem falso moralismo, né? Com muita ética, com muito cuidado, com muita humanidade. Infelizmente, né? O governo anterior não tem moral nenhuma para dizer as coisas porque ele destruiu o Brasil. Infelizmente. Eu falo isso como uma militante, como uma assistente social, né? Nem sonhava em vir pro governo e mas sempre apoiei muito porque a nossa pauta é uma pauta da democracia”, disse.
Em recente reunião ministerial, Lula cobrou os outros ministros, a maioria formada por homens, a atenderem as ligações de Márcia Lopes. Em 2025, houve demissão de ministras do Turismo, Esportes e Saúde. Márcia Lopes ressaltou que, ao mesmo tempo, houve a entrada de mulheres no comando das pastas de Direitos Humanos e Relações Institucionais - o que reequilibrou a presença feminina na Esplanada. A ministra destacou também que há muitas mulheres nas secretarias executivas, que é o segundo cargo mais importante nas pastas.
Em 8 meses de gestão, Márcia diz ter ido a 21 estados para tratar da pauta feminina com políticos locais. A agenda de viagens continua. Nem todos estados aderiram, porém, até agora um plano de diretrizes do governo federal contra feminicídio.
“Há uma ignorância intencional, porque há uma questão, sim, ideológica de marcar e dar nomes, até de vulgarizar processos. Não quero pensar que seja por isso, vamos continuar buscando diálogo”, disse.









