Centrão isola Flávio Bolsonaro em dia de tripla derrota
Recusa de apoio do Republicanos, União-PP e Podemos força escolha de vice do próprio partido; neutralidades tiram da campanha tempo de TV e rádio
Victor Schneider
Flávio Bolsonaro é candidato a presidente pelo PL | Vittor Sales/Flickr
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu um baque triplo nesta terça-feira (4), penúltimo dia de convenções partidárias, com uma série de recusas de partidos do Centrão em se somar às fileiras do PL na disputa pela Presidência.
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Ainda sem vice definido, Flávio e articuladores apostaram na atração do Republicanos nos últimos dias com a oferta de composição na chapa, mirando preferencialmente a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, nome com boa entrada na Faria Lima e em setores do empresariado. Outra opção ventilada foi a senadora Damares Alves (DF). Ambas cumprem a condição central da escolha: Flávio quer uma mulher como vice para melhorar o desempenho aquém ao do presidente Lula (PT) entre o público feminino.
Nenhuma das duas foi viável, porém, diante da recusa do presidente da sigla, Marcos Pereira, em romper com a decisão colegiada do Republicanos: 17 diretórios estaduais optaram pela neutralidade, formalizada na convenção nacional do partido na manhã desta terça, em Brasília.
Damares se justificou, em vídeo nas redes sociais após o encontro, dizendo ter falhado na tentativa de viabilizar o apoio junto à ala bolsonarista do Republicanos – da qual fazem parte, dentre outros nomes, o governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo. Mas que, apesar disso, a neutralidade não implica romper com apoios avulsos a Flávio dentro do partido.
Também hoje, o União Brasil, em nome da federação com o Progressistas, oficializou seu alinhamento ao grupo dos nem Flávio, nem Lula. A decisão já havia sido sinalizada pelo PP de Ciro Nogueira, que barrou a articulação do PL para atrair a senadora Tereza Cristina (MS) como vice. A pressão por Tereza partiu do agronegócio e de setores empresariais – a senadora foi ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro.
Como mostrou a Coluna do Iander Porcella, Ciro guarda mágoas de Flávio e teme retaliação do PT em cima de sua candidatura à reeleição no Piauí, onde a disputa pelas duas vagas está embolada com os governistas Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). Outras lideranças do partido, como os deputados Arthur Lira (AL) e Aguinaldo Ribeiro (PB), também foram contrários à aliança nacional com o PL.
A terceira negativa veio no final da tarde do Podemos, da deputada Renata Abreu (SP), cartada final do PL. "Fizemos aquilo que mais acreditamos: antes de decidir, é preciso ouvir. E quanto mais ouvimos, mais tivemos a certeza de uma coisa: que os desafios que o país está enfrentando são muito maiores do que a disputa político-ideológica que estamos vendo", disse Abreu em vídeo.
Flávio durante convenção nacional do PL, em 25 de julho, em São Paulo | Vittor Sales/Flickr
Juntos, Republicanos, Podemos e a Federação União-PP têm, hoje, 167 deputados e 19 senadores. Em termos de tempo de rádio e televisão para a propaganda, a falta de apoio representa consideravelmente menos tempo para a campanha de Flávio em cada bloco do horário eleitoral. Cada partido tem direito a minutagem proporcional ao tamanho de sua bancada.
A neutralidade é parte de uma estratégia por maior flexibilidade nos estados e na expansão dos partidos no Congresso. Permite, por exemplo, que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), use do alto prestígio de Lula na Paraíba ser reeleito e levar o pai Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, ao Senado. E, no Paraná, que o líder da bancada do agro, Pedro Lupion (Republicanos), atrele o nome ao de Flávio Bolsonaro em busca de um novo mandato.
Em sabatina promovida pelo portal O Antagonista durante a manhã, o senador minimizou a ausência de alianças partidárias em torno de sua candidatura e avaliou que, apesar da posição adotada pelas direções nacionais, sua campanha contaria com o apoio de importantes lideranças locais, com palanque confirmado em 22 estados.
“Os caciques políticos estão com algumas preocupações, mas os principais quadros desses partidos estão conosco no projeto”, declarou.
O isolamento é sem precedentes no bolsonarismo: em 2018, Jair Bolsonaro, então no PFL (hoje União Brasil após fusão com o DEM) teve aliança com o PRTB. Quatro anos depois, o PL esteve junto com o Republicanos e o PP.
Do outro lado, Lula atraiu a maior frente de partidos de cunho progressista desde a sua primeira eleição, em 1989: além de PC do B e PV, parte da Federação Brasil da Esperança, também estão na coligação PSB, PDT, Psol e Rede Sustentabilidade, dando ao petista o maior tempo de rádio e TV na campanha presidencial.
Centrão isola Flávio Bolsonaro em dia de tripla derrotaRecusa de apoio do Republicanos, União-PP e Podemos força escolha de vice do próprio partido; neutralidades tiram da campanha tempo de TV e rádioPolítica2026-08-04T22:40:00.687ZA campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu um baque triplo nesta terça-feira (4), penúltimo dia de convenções partidárias, com uma série de recusas de partidos do Centrão em se somar às fileiras do PL na disputa pela Presidência. Ainda sem vice definido, Flávio e articuladores apostaram na atração do Republicanos nos últimos dias com a oferta de composição na chapa, mirando preferencialmente a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, nome com boa entrada na Faria Lima e em setores do empresariado. Outra opção ventilada foi a senadora Damares Alves (DF). Ambas cumprem a condição central da escolha: Flávio quer uma mulher como vice para melhorar o desempenho aquém ao do presidente Lula (PT) entre o público feminino. Nenhuma das duas foi viável, porém, diante da recusa do presidente da sigla, Marcos Pereira, em romper com a : 17 diretórios estaduais optaram pela neutralidade, do partido na manhã desta terça, em Brasília. Damares se justificou, em após o encontro, dizendo ter falhado na tentativa de viabilizar o apoio junto à ala bolsonarista do Republicanos – da qual fazem parte, dentre outros nomes, o governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo. Mas que, apesar disso, a neutralidade não implica romper com apoios avulsos a Flávio dentro do partido. Também hoje, o União Brasil, em nome da federação com o Progressistas, . A decisão já havia sido sinalizada pelo PP de Ciro Nogueira, que barrou a articulação do PL para atrair a senadora Tereza Cristina (MS) como vice. A pressão por Tereza partiu do agronegócio e de setores empresariais – a senadora foi ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro. Como mostrou a , Ciro guarda mágoas de Flávio e teme retaliação do PT em cima de sua candidatura à reeleição no Piauí, onde a disputa pelas duas vagas está embolada com os governistas Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). Outras lideranças do partido, como os deputados Arthur Lira (AL) e Aguinaldo Ribeiro (PB), também foram contrários à aliança nacional com o PL. A terceira negativa veio no final da tarde do Podemos, da deputada Renata Abreu (SP), cartada final do PL. "Fizemos aquilo que mais acreditamos: antes de decidir, é preciso ouvir. E quanto mais ouvimos, mais tivemos a certeza de uma coisa: que os desafios que o país está enfrentando são muito maiores do que a disputa político-ideológica que estamos vendo", disse Abreu em vídeo. Juntos, Republicanos, Podemos e a Federação União-PP têm, hoje, 167 deputados e 19 senadores. Em termos de tempo de rádio e televisão para a propaganda, a falta de apoio representa consideravelmente menos tempo para a campanha de Flávio em cada bloco do horário eleitoral. Cada partido tem direito a minutagem proporcional ao tamanho de sua bancada. A neutralidade é parte de uma estratégia por maior flexibilidade nos estados e na expansão dos partidos no Congresso. Permite, por exemplo, que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), use do alto prestígio de Lula na Paraíba ser reeleito e levar o pai Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, ao Senado. E, no Paraná, que o líder da bancada do agro, Pedro Lupion (Republicanos), atrele o nome ao de Flávio Bolsonaro em busca de um novo mandato. Em sabatina promovida pelo portal O Antagonista durante a manhã, o senador minimizou a ausência de alianças partidárias em torno de sua candidatura e avaliou que, apesar da posição adotada pelas direções nacionais, sua campanha contaria com o apoio de importantes lideranças locais, com palanque confirmado em 22 estados. “Os caciques políticos estão com algumas preocupações, mas os principais quadros desses partidos estão conosco no projeto”, declarou. A recusa às coligações deixa o PL sem escolha a não ser o lançamento de uma chapa pura, com vice do próprio partido. O O isolamento é sem precedentes no bolsonarismo: em 2018, Jair Bolsonaro, então no PFL (hoje União Brasil após fusão com o DEM) teve aliança com o PRTB. Quatro anos depois, o PL esteve junto com o Republicanos e o PP. Do outro lado, Lula atraiu a maior frente de partidos de cunho progressista desde a sua primeira eleição, em 1989: além de PC do B e PV, parte da Federação Brasil da Esperança, também estão na coligação PSB, PDT, Psol e Rede Sustentabilidade, dando ao petista o maior tempo de rádio e TV na campanha presidencial. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/centrao-isola-flavio-bolsonaro-em-dia-de-tripla-derrota
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