Celso Amorim diz que Brasil precisa se defender para não repetir o ocorrido com Maduro
Assessor especial de Lula também afirmou que se preocupa com risco de uma guerra mundial


Lucas Carvalho
Assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula (PT), o embaixador Celso Amorim disse nesta sexta-feira (24) que o Brasil precisa mostrar capacidade de dissuasão para evitar “que sejamos vítimas como outros países estão sendo”.
Ele citou como exemplo o que aconteceu com o ditador Nicolás Maduro, que foi capturado na Venezuela pelas forças de segurança dos Estados Unidos em janeiro.
O comentário de Amorim foi feito durante cerimônia na qual recebeu o título de doutor honoris causa da UFABC (Universidade Federal do ABC).
No evento, o embaixador disse que “estamos vivendo um mundo em carne viva” e que “a ordem internacional que conhecemos acabou”. Ele também fez referências às guerras no Irã e na Ucrânia.
“O interesse bruto se revela de forma escancarada, e antigas ilusões, como a esperança na prevalência do direito internacional, caíram por terra. A retração do espaço de diálogo e a centralidade da força são as características marcantes do período que vivemos”, disse Amorim.
Sobre Maduro, Amorim disse que “pegar o presidente do país, raptá-lo e levá-lo para ser julgado em outro país não é concebível” e é sem precedentes. Segundo ele, “para evitar isso, temos que estar preparados. Não basta dizer ao mundo que o Brasil é pacífico. É preciso que seja também um país com capacidade de dissuasão”.
“No mundo em que estamos vivendo, com minerais críticos, inteligência artificial, a importância da energia limpa. Há muitos fatores que podem levar uma potência externa, qualquer que seja, não vou nominar nenhuma, a ter uma ação agressiva contra nós”, complementou.
Ele ainda disse que o país precisa ter uma “capacidade mínima de dissuasão, de mostrar que vai causar dano e que eles [outros países] terão que botar corpos dentro de plásticos para levar para casa”.
Sobre a guerra no Irã, Amorim afirmou que coloca o mundo inteiro em alerta e que é grave por diversos motivos.
“Flagrante desrespeito ao direito internacional, o grande número de países envolvidos, as graves perturbações ao fluxo de comércio e a possibilidade de entrelaçamento com outras guerras em curso”.
Em entrevista ao SBT News após o evento, ele destacou que se preocupa com o potencial de que o conflito se transforme em uma guerra mundial.
Hoje você tem uma guerra. Eu espero que isso não ocorra, mas tem um potencial de virar uma guerra mundial. Um descuido, uma pessoa que aja de maneira um pouco além do que se espera… Quando você ouve [alguém] dizer que quer acabar com uma civilização de 3.000 anos você tem que ficar preocupado”, afirmou.
O comentário do embaixador está relacionado à fala do presidente norte-americano Donald Trump, feita no começo do mês, de que uma civilização inteira morreria no dia 7 de abril, em meio à escalada do conflito com o Irã.








