Canella é 'patrono político' de grupo ligado ao CV, diz PF
Deputado estadual reeleito e ex-prefeito de Belford Roxo é acusado de participar de organização que lava dinheiro por meio de uma rede de combustíveis no RJ
Carla Araújo
Preso nesta quinta-feira (15) na oitava fase da operação Unha e Carne, o deputado estadual reeleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) é descrito pela Polícia Federal como “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma organização criminosa ligada à facção Comando Vermelho. A investigação da PF afirma que o grupo lava dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, a organização criminosa teria um “ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais”. A corporação afirma que o grupo estabeleceu “pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política”.
A representação que embasou sua prisão também aponta supostos acordos entre a Prefeitura de Belford Roxo, comandada por Canella de janeiro de 2025 a abril de 2026, e lideranças do Comando Vermelho.
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De acordo com os investigadores, a negociação previa a retirada de barricadas instaladas por traficantes para permitir a realização de obras públicas de urbanização. Em contrapartida, a administração municipal e o intermediário policial teriam garantido a redução das incursões policiais na região e a devolução do controle territorial aos criminosos depois da conclusão das obras.
A PF afirma que as intervenções poderiam ser exploradas politicamente pela prefeitura. A representação apresenta a suposta negociação como parte de uma relação entre o poder público e integrantes do tráfico de drogas.
Relação com milícia
A investigação também aponta proximidade entre Canella e Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, identificado pela PF como principal liderança do grupo miliciano Somos Comunidade, que atua na Baixada Fluminense.
Segundo a representação, a relação incluía a nomeação de Giane Prudêncio, mulher de Jura, para um cargo comissionado no gabinete parlamentar de Canella na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Lavagem de dinheiro
Canella é investigado por suposta participação em uma organização que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026, segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A PF aponta que o grupo utilizava uma rede de postos de combustíveis para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita, com participação de empresários e agentes públicos. Canella é descrito como um elo entre o núcleo econômico da organização e estruturas políticas e administrativas.
A representação cita movimentações financeiras atribuídas ao político, incluindo cerca de R$ 2,59 milhões em créditos entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido transferido pela empresa Brumar Empreendimentos e Participações. Segundo a investigação, não foi possível identificar a origem primária dos recursos.
Anotações manuscritas apreendidas pela PF também registrariam repasses em dinheiro a Canella provenientes de postos de combustíveis investigados. Os valores identificados nesses registros superariam R$ 139 mil, segundo a polícia.
A oitava fase da Operação Unha e Carne também prendeu o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amin e outros investigados. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens e suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada.
Canella é 'patrono político' de grupo ligado ao CV, diz PFDeputado estadual reeleito e ex-prefeito de Belford Roxo é acusado de participar de organização que lava dinheiro por meio de uma rede de combustíveis no RJPolítica2026-10-15T15:20:35.225ZPreso nesta quinta-feira (15) na oitava fase da operação Unha e Carne, o deputado estadual reeleito Márcio Canella (União Brasil-RJ) é descrito pela Polícia Federal como “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma organização criminosa ligada à facção Comando Vermelho. A investigação da PF afirma que o grupo lava dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Segundo a PF, a organização criminosa teria um “ecletismo econômico e pragmatismo geopolítico que transcendem cisões faccionais”. A corporação afirma que o grupo estabeleceu “pontes operacionais com milícias e com o tráfico de drogas para fins de perenidade territorial e blindagem política”. A representação que embasou sua prisão também aponta supostos acordos entre a Prefeitura de Belford Roxo, comandada por Canella de janeiro de 2025 a abril de 2026, e lideranças do Comando Vermelho. De acordo com os investigadores, a negociação previa a retirada de barricadas instaladas por traficantes para permitir a realização de obras públicas de urbanização. Em contrapartida, a administração municipal e o intermediário policial teriam garantido a redução das incursões policiais na região e a devolução do controle territorial aos criminosos depois da conclusão das obras. A PF afirma que as intervenções poderiam ser exploradas politicamente pela prefeitura. A representação apresenta a suposta negociação como parte de uma relação entre o poder público e integrantes do tráfico de drogas. Relação com milícia A investigação também aponta proximidade entre Canella e Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, identificado pela PF como principal liderança do grupo miliciano Somos Comunidade, que atua na Baixada Fluminense. Segundo a representação, a relação incluía a nomeação de Giane Prudêncio, mulher de Jura, para um cargo comissionado no gabinete parlamentar de Canella na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Lavagem de dinheiro Canella é investigado por suposta participação em uma organização que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026, segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A PF aponta que o grupo utilizava uma rede de postos de combustíveis para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita, com participação de empresários e agentes públicos. Canella é descrito como um elo entre o núcleo econômico da organização e estruturas políticas e administrativas. A representação cita movimentações financeiras atribuídas ao político, incluindo cerca de R$ 2,59 milhões em créditos entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido transferido pela empresa Brumar Empreendimentos e Participações. Segundo a investigação, não foi possível identificar a origem primária dos recursos. Anotações manuscritas apreendidas pela PF também registrariam repasses em dinheiro a Canella provenientes de postos de combustíveis investigados. Os valores identificados nesses registros superariam R$ 139 mil, segundo a polícia. A oitava fase da Operação Unha e Carne também prendeu o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amin e outros investigados. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens e suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/canella-e-patrono-politico-de-grupo-ligado-ao-cv-diz-pf