No novo episódio da série “A Voz das Mulheres”, que vai ao ar no News Noite, parlamentares e ex-candidatas relatam enfrentar ameaças, agressões verbais e ataques à reputação, tanto nas redes sociais quanto em espaços institucionais e durante atividades públicas. De diferentes partidos e posições ideológicas, elas concordam que a presença feminina na política precisa ser ampliada, mas divergem sobre a forma como o incentivo à mulher nos espaços de poder deve ser feito.
“Eu passei a ser perseguida por um grupo de homens, conhecidos como red pill. Invadiram o meu gabinete, ameaçaram a minha assessoria na rua, me ameaçaram várias vezes”, conta a vereadora de Campinas e ex-candidata a deputada federal Guida Calixto (PT).
Ela conta que as ameaças começaram após apresentar um projeto de lei voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher e do feminicídio.
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A internet também é apontada como espaço de ataques coordenados. A deputada estadual reeleita por São Paulo Mônica Seixas (PSOL) afirma que grupos organizados usam as redes para promover violência moral e tentar destruir a reputação de mulheres que atuam na vida pública.
“Eles operam na internet para destruir e fazer violência moral, destruir reputação”, disse.
Mônica conta ainda que, durante a eleição anterior, a equipe precisou incorporar homens como forma de aumentar a segurança.
“Eu adoraria ter uma equipe só de mulheres, mas foi necessário incorporar homens na nossa equipe para a gente se sentir mais segura”, afirmou. Segundo a parlamentar, a presença masculina ajudava a afastar pessoas que se aproximavam da equipe para xingar e intimidar.
Ameaças de morte e agressões durante o trabalho
A influenciadora digital Luciana Lippi (União), ex-candidata a deputada estadual por São Paulo, relata ter sido agredida fisicamente enquanto fazia uma gravação na rua. Ela entrevistava um homem quando outra pessoa se aproximou e começou a discutir com o entrevistado. Ao movimentar o microfone entre os dois, a profissional levou um tapa na mão, que fez o equipamento voar.
“Foi a primeira vez que eu fui agredida nesses quase dois anos de trabalho de rua”, contou.
Nas redes sociais, segundo Luciana, as ameaças são frequentes. Ela afirma receber mensagens de morte por diferentes canais, inclusive por e-mail e WhatsApp. Entre as ofensas, estão insultos relacionados à atuação pública e cobranças para que ela abandonasse o trabalho e se dedicasse à família.
“Dizem que eu deveria estar em casa, não arrumando confusão, cuidando do seu filho, enfim. Na verdade isso daí são rótulos que colocam”, disse.
Apesar das intimidações, ela diz que não pretende interromper a carreira. “Para me parar é presa ou morta”, declarou.
A delegada de polícia Raquel Gallinati também identifica diferenças entre as ameaças dirigidas a homens e mulheres. Segundo ela, enquanto os homens costumam ser ameaçados de morte, as mensagens contra mulheres frequentemente incluem referências a estupro e outras formas de violência sexual.
“Vou te estuprar, vou te esquartejar, vou te torturar e vou te matar”, relatou, ao reproduzir o teor das ameaças.
Os ataques também atingem mulheres por identidade religiosa e posicionamento político.
“Eu sofro muita agressão, muita agressão, porque além de ser mulher, eu sou judia”, disse a advogada e ex-candidata a deputada estadual por São Paulo, Monica Rosenberg (PSD).
Já a empresária Babi Mendes (PL), eleita segunda suplente de deputada federal, relata receber críticas e ofensas de adversários políticos, inclusive com referências à sua identidade racial e à posição ideológica. Ela afirma, porém, não interpretar os ataques necessariamente como uma questão de gênero, mas como uma reação à sua atuação e ao fato de ser uma mulher negra que não se alinha à esquerda.
“Eles não podem ver uma pessoa preta que não seja de esquerda. Eles não suportam isso”, afirmou.
A vereadora em Sorocabana e ex-candidata a deputada federal, Tatiane Costa (PL) também diz que não atribui os xingamentos que recebe ao fato de ser mulher, mas pelo seu posicionamento político à direita.
“Você merece ser morta, espancada na rua, a gente não faria nada por você”, contou, reproduzindo uma das frases que diz ter ouvido.
Machismo e disputas por espaço
O ambiente majoritariamente masculino dos parlamento é um desafio para a deputada federal reeleita, Adriana Ventura (Novo), que relata as interrupções de fala na Câmara.
“Se fosse um homem, líder ou alguém que o suporta nas decisões, ele (Hugo Motta) não faria isso. Então existe uma questão também de sim, temos às vezes machismo dentro da Câmara, passar por cima porque é mulher. Ou passam por cima porque são mal-educados, eu não sei definir direito”, disse.
A Voz das Mulheres: ameaças, ataques e machismo na políticaEx-candidatas e parlamentares contam sobre agressões e ameaças nas redes, e discutem como ampliar a presença feminina no legislativo brasileiro
Política2026-10-14T21:48:07.991ZNo novo episódio da série “A Voz das Mulheres”, que vai ao ar no News Noite, parlamentares e ex-candidatas relatam enfrentar ameaças, agressões verbais e ataques à reputação, tanto nas redes sociais quanto em espaços institucionais e durante atividades públicas. De diferentes partidos e posições ideológicas, elas concordam que a presença feminina na política precisa ser ampliada, mas divergem sobre a forma como o incentivo à mulher nos espaços de poder deve ser feito. “Eu passei a ser perseguida por um grupo de homens, conhecidos como red pill. Invadiram o meu gabinete, ameaçaram a minha assessoria na rua, me ameaçaram várias vezes”, conta a vereadora de Campinas e ex-candidata a deputada federal Guida Calixto (PT). Ela conta que as ameaças começaram após apresentar um projeto de lei voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher e do feminicídio. A internet também é apontada como espaço de ataques coordenados. A deputada estadual reeleita por São Paulo Mônica Seixas (PSOL) afirma que grupos organizados usam as redes para promover violência moral e tentar destruir a reputação de mulheres que atuam na vida pública. “Eles operam na internet para destruir e fazer violência moral, destruir reputação”, disse. Mônica conta ainda que, durante a eleição anterior, a equipe precisou incorporar homens como forma de aumentar a segurança. “Eu adoraria ter uma equipe só de mulheres, mas foi necessário incorporar homens na nossa equipe para a gente se sentir mais segura”, afirmou. Segundo a parlamentar, a presença masculina ajudava a afastar pessoas que se aproximavam da equipe para xingar e intimidar. Ameaças de morte e agressões durante o trabalho A influenciadora digital Luciana Lippi (União), ex-candidata a deputada estadual por São Paulo, relata ter sido agredida fisicamente enquanto fazia uma gravação na rua. Ela entrevistava um homem quando outra pessoa se aproximou e começou a discutir com o entrevistado. Ao movimentar o microfone entre os dois, a profissional levou um tapa na mão, que fez o equipamento voar. “Foi a primeira vez que eu fui agredida nesses quase dois anos de trabalho de rua”, contou. Nas redes sociais, segundo Luciana, as ameaças são frequentes. Ela afirma receber mensagens de morte por diferentes canais, inclusive por e-mail e WhatsApp. Entre as ofensas, estão insultos relacionados à atuação pública e cobranças para que ela abandonasse o trabalho e se dedicasse à família. “Dizem que eu deveria estar em casa, não arrumando confusão, cuidando do seu filho, enfim. Na verdade isso daí são rótulos que colocam”, disse. Apesar das intimidações, ela diz que não pretende interromper a carreira. “Para me parar é presa ou morta”, declarou. A delegada de polícia Raquel Gallinati também identifica diferenças entre as ameaças dirigidas a homens e mulheres. Segundo ela, enquanto os homens costumam ser ameaçados de morte, as mensagens contra mulheres frequentemente incluem referências a estupro e outras formas de violência sexual. “Vou te estuprar, vou te esquartejar, vou te torturar e vou te matar”, relatou, ao reproduzir o teor das ameaças. Os ataques também atingem mulheres por identidade religiosa e posicionamento político. “Eu sofro muita agressão, muita agressão, porque além de ser mulher, eu sou judia”, disse a advogada e ex-candidata a deputada estadual por São Paulo, Monica Rosenberg (PSD). Já a empresária Babi Mendes (PL), eleita segunda suplente de deputada federal, relata receber críticas e ofensas de adversários políticos, inclusive com referências à sua identidade racial e à posição ideológica. Ela afirma, porém, não interpretar os ataques necessariamente como uma questão de gênero, mas como uma reação à sua atuação e ao fato de ser uma mulher negra que não se alinha à esquerda. “Eles não podem ver uma pessoa preta que não seja de esquerda. Eles não suportam isso”, afirmou. A vereadora em Sorocabana e ex-candidata a deputada federal, Tatiane Costa (PL) também diz que não atribui os xingamentos que recebe ao fato de ser mulher, mas pelo seu posicionamento político à direita. “Você merece ser morta, espancada na rua, a gente não faria nada por você”, contou, reproduzindo uma das frases que diz ter ouvido. Machismo e disputas por espaço O ambiente majoritariamente masculino dos parlamento é um desafio para a deputada federal reeleita, Adriana Ventura (Novo), que relata as interrupções de fala na Câmara. “Se fosse um homem, líder ou alguém que o suporta nas decisões, ele (Hugo Motta) não faria isso. Então existe uma questão também de sim, temos às vezes machismo dentro da Câmara, passar por cima porque é mulher. Ou passam por cima porque são mal-educados, eu não sei definir direito”, disse.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/a-voz-das-mulheres-ameacas-ataques-e-machismo-na-politica