Homem em surto psiquiátrico morre após abordagem policial em Porto Alegre
Vítima foi atingida por disparo de arma de choque; é a quarta morte envolvendo policiais no estado apenas neste mês
Eduardo Pinzon
Um homem de 39 anos, em surto psiquiátrico, morreu durante uma abordagem policial em Porto Alegre. Ele foi atingido por um disparo de arma de choque. Somente neste mês, é a quarta morte envolvendo policiais no Rio Grande do Sul.
Câmeras gravaram parte da abordagem. Dois policiais militares tentam conter o homem. As imagens não mostram o momento exato, mas ele foi atingido por um disparo de arma de choque, sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.
Ainda em janeiro, outras duas pessoas em surto psiquiátrico foram mortas em ações semelhantes, em Santa Maria, no interior do estado, e em Viamão. Também neste mês, o produtor rural Marcos Nornberg foi morto dentro de casa durante uma abordagem policial na zona rural de Pelotas. Ele dormia com a esposa quando dezoito policiais cercaram o local.
Os policiais militares foram até a propriedade após uma denúncia de que no local haveria um depósito de drogas e carros roubados.
Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil e pela corregedoria da Polícia Militar.
A secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana Regina da Costa, afirmou que há investimento constante na capacitação dos policiais. Segundo ela, os casos estão sendo investigados e não refletem a totalidade das abordagens realizadas pelas instituições.
Os episódios reacenderam o debate sobre o uso da força e o preparo dos policiais em situações de alta tensão. A Brigada Militar confirmou que pretende ampliar, ainda neste ano, o uso de câmeras corporais, hoje concentrado apenas na região metropolitana.
Especialistas alertam que a falta de preparo aumenta o risco de abordagens mal conduzidas e de desfechos trágicos em casos que envolvem pessoas com transtornos psiquiátricos. A psicóloga Fernanda Bassani afirma que muitos policiais não recebem treinamento na área de saúde mental e acabam sendo acionados para lidar com situações complexas de adoecimento psíquico.
A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, Isabel Figueiredo, informou que um protocolo nacional para esse tipo de ocorrência já foi criado. Segundo ela, os estados podem aderir ao projeto, e o Rio Grande do Sul é um dos que aderiram, assumindo o compromisso de atualizar suas normas quando necessário.









