"Drive-thru" da droga: reportagem do SBT flagra venda de entorpecentes em uma das regiões mais ricas de São Paulo
No esquema “pegue e pague”, criminosos ficam em viela nos arredores da avenida Roberto Marinho e atraem usuários de todos os tipos
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Marco Pagetti, Cristian Mendes, André Paino
13/11/2024, 13:15 • Atualizado em 13/11/2024, 13:19
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Em uma das regiões mais ricas de São Paulo, uma denúncia: criminosos montaram um sistema no estilo “drive-thru” de venda de drogas. A situação ocorre a céu aberto, nos arredores da avenida Roberto Marinho, zona sul da capital paulista.
O “pegue e pague” do tráfico, pela comodidade, atrai consumidores variados: desde usuários em carros de luxo ou em carros populares, taxistas, trabalhadores com uniforme de trabalho ou mesmo a pé, sem preocupação.
Em determinado momento, a reportagem flagrou a polícia desmontando barricadas feitas com portas e tapumes de madeira, como um “bunker”, usadas pelos traficantes. Em sete minutos, porém, os criminosos ergueram tudo novamente, recomeçando a rotina.
De mão em mão
Para comprar a droga, como em uma lanchonete, os clientes não precisam nem descer do carro. Basta um aceno e o entorpecente é entregue nas mãos de quem dá dinheiro aos traficantes. Tudo é feito em segundos.
Os traficantes ficam na entrada de uma viela, atentos ao movimento e controlando quem entra e quem sai da favela. O crime é cometido na presença de outras pessoas e até mesmo crianças.
Nem a chuva ou o horário do almoço interrompe o “trabalho” dos criminosos. Quando os bandidos recebem a informação de que há viaturas na região, abandonam o “bunker” e se escondem na viela.
Mudança na lei levanta discussões
A situação levanta debates, sobretudo após a mudança na legislação que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal e definiu a quantia de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes.
Para alguns especialistas em segurança pública, a alteração impede uma atuação mais firme das polícias, além de dificultar o controle de pontos de tráfico no chamado “varejo da droga”.
Os traficantes vendem a maconha em pequenas porções, para facilitar o processo de venda e evitar um possível flagra, já que a quantidade está dentro do limite estabelecido em lei. O “drive-thru” também vende crack, cocaína e drogas sintéticas.
Nesse contexto, a situação se torna um braço importante do crime organizado, já que, de forma pulverizada, alimenta o vício dos usuários e lucra com a venda dos entorpecentes nas “biqueiras”. Por outro lado, um desafio para as autoridades no combate a esse tipo de crime.
Órgãos públicos se manifestam
A Guarda Civil Metropolitana da capital afirmou que a situação é responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Já a Polícia Militar não respondeu aos questionamentos da reportagem até exibição.
O Governo do Estado informou que tem aplicado as ações e implementado políticas públicas integradas e voltadas à requalificação das cenas abertas de uso e venda de drogas, com intervenções de zeladoria, saúde, assistência social e segurança pública.
Ainda de acordo com a nota, as forças de segurança monitoram constantemente a região e o trabalho realizado resultaram na apreensão de 356 quilos de drogas e mais de 2,8 mil pessoas foram presas ou apreendidas. Além disso, foi registrada queda de 10% de roubos na área, ainda segundo o governo paulista.
O Batalhão da 1ª Companhia do 12º Batalhão de Polícia Militar fica a 700 metros - ou aproximadamente cinco quadras - da viela exibida na reportagem. Um dos policiais questionou a presença da equipe do SBT na frente ao local, para entrada ao vivo no Primeiro Impacto. Em uma segunda vez, outro agente pediu os documentos e dados pessoais do repórter Marco Pagetti, dizendo que "foi solicitado pelo comando" e que ali era uma área militar. Segundo Pagetti, a abordagem não é comum.
"Drive-thru" da droga: reportagem do SBT flagra venda de entorpecentes em uma das regiões mais ricas de São Paulo No esquema “pegue e pague”, criminosos ficam em viela nos arredores da avenida Roberto Marinho e atraem usuários de todos os tipos Cidades2024-11-13T13:15:31.451Z Em uma das regiões mais ricas de São Paulo, uma denúncia: criminosos montaram um sistema no estilo “drive-thru” de venda de drogas. A situação ocorre a céu aberto, nos arredores da avenida Roberto Marinho, zona sul da capital paulista. O “pegue e pague” do tráfico, pela comodidade, atrai consumidores variados: desde usuários em carros de luxo ou em carros populares, taxistas, trabalhadores com uniforme de trabalho ou mesmo a pé, sem preocupação. Em determinado momento, a reportagem flagrou a polícia desmontando barricadas feitas com portas e tapumes de madeira, como um “bunker”, usadas pelos traficantes. Em sete minutos, porém, os criminosos ergueram tudo novamente, recomeçando a rotina. De mão em mão Para comprar a droga, como em uma lanchonete, os clientes não precisam nem descer do carro. Basta um aceno e o entorpecente é entregue nas mãos de quem dá dinheiro aos traficantes. Tudo é feito em segundos. Os traficantes ficam na entrada de uma viela, atentos ao movimento e controlando quem entra e quem sai da favela. O crime é cometido na presença de outras pessoas e até mesmo crianças. Nem a chuva ou o horário do almoço interrompe o “trabalho” dos criminosos. Quando os bandidos recebem a informação de que há viaturas na região, abandonam o “bunker” e se escondem na viela. Mudança na lei levanta discussões A situação levanta debates, sobretudo após a mudança na legislação que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal e definiu a quantia de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes. Para alguns especialistas em segurança pública, a alteração impede uma atuação mais firme das polícias, além de dificultar o controle de pontos de tráfico no chamado “varejo da droga”. Os traficantes vendem a maconha em pequenas porções, para facilitar o processo de venda e evitar um possível flagra, já que a quantidade está dentro do limite estabelecido em lei. O “drive-thru” também vende crack, cocaína e drogas sintéticas. Nesse contexto, a situação se torna um braço importante do crime organizado, já que, de forma pulverizada, alimenta o vício dos usuários e lucra com a venda dos entorpecentes nas “biqueiras”. Por outro lado, um desafio para as autoridades no combate a esse tipo de crime. Órgãos públicos se manifestam A Guarda Civil Metropolitana da capital afirmou que a situação é responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Já a Polícia Militar não respondeu aos questionamentos da reportagem até exibição. O Governo do Estado informou que tem aplicado as ações e implementado políticas públicas integradas e voltadas à requalificação das cenas abertas de uso e venda de drogas, com intervenções de zeladoria, saúde, assistência social e segurança pública. Ainda de acordo com a nota, as forças de segurança monitoram constantemente a região e o trabalho realizado resultaram na apreensão de 356 quilos de drogas e mais de 2,8 mil pessoas foram presas ou apreendidas. Além disso, foi registrada queda de 10% de roubos na área, ainda segundo o governo paulista. O Batalhão da 1ª Companhia do 12º Batalhão de Polícia Militar fica a 700 metros - ou aproximadamente cinco quadras - da viela exibida na reportagem. Um dos policiais questionou a presença da equipe do SBT na frente ao local, para entrada ao vivo no Primeiro Impacto. Em uma segunda vez, outro agente pediu os documentos e dados pessoais do repórter Marco Pagetti, dizendo que "foi solicitado pelo comando" e que ali era uma área militar. Segundo Pagetti, a abordagem não é comum. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/drive-thru-da-droga-reportagem-do-sbt-flagra-venda-de-entorpecentes-em-uma-das-regioes-mais-ricas-de-sao-paulo
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