Cidades

Brasileiros vítimas de tráfico humano na fronteira de Mianmar e Tailândia são libertados

Itamaraty alerta para riscos de propostas de emprego no Sudeste Asiático; centrais de golpe viram locais de trabalho forçado e violência

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SBT News
11/02/2025, 22:37 • Atualizado em 11/02/2025, 22:39
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Luckas Viana | Reprodução/Redes sociais

Luckas Viana | Reprodução/Redes sociais

O Itamaraty confirmou nesta terça-feira (11) a liberação de dois brasileiros vítimas de tráfico de pessoas na fronteira entre Mianmar e Tailândia. Luckas Viana Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, haviam perdido contato com a família após aceitar uma oferta de trabalho no Sudeste Asiático. Caso foi revelado em novembro em reportagem do SBT News.

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O Ministério das Relações Exteriores não divulgou os detalhes das vítimas, mas informa que vinha pedindo esforços das autoridades por meio das embaixadas em Yangon, no Mianmar, e em Bangkok, na Tailândia, para a liberação dos cidadãos brasileiros e se manteve em contato permanente com as famílias das vítimas.

Phelipe de Moura Ferreira | Reprodução/Redes sociais
Phelipe de Moura Ferreira | Reprodução/Redes sociais

O Itamaraty tem alertado os brasileiros sobre os riscos específicos das ofertas de emprego no Sudeste Asiático. A região, como mostra reportagem do SBT News, se tornou um dos principais destinos de tráfico humano para abastecer empresas de crimes virtuais, que fazem vítimas em diversas partes do mundo.

Países como Mianmar, Filipinas, Camboja e Tailândia atraem cada vez mais pessoas em busca de emprego, mas que acabam vítimas da violência física e psicológica, aprisionadas em dívidas com agenciadores e contratantes.

O brasileiro Luckas Viana Santos, de 31 anos, foi uma dessas vítimas. A família de Luckas relata que, desde o início de outubro, ele estava refém de cibercriminosos e agenciadores de mão de obra escrava, em um centro de golpes virtuais, na divisa de Mianmar com a Tailândia.

"Luckas foi para Filipinas o ano passado, em outubro, para trabalhar. Em setembro foi para Tailândia, o sonho dele era conhecer Tailândia, e foi para trabalhar num hostel. Aí ele arrumou para trabalhar atendendo e fazendo atendimento com os brasileiros. O motorista foi buscar ele. Aí já escreveu uma mensagem meio estranha", afirmou a mãe Cleide Viana, em entrevista exclusiva ao SBT News.

Com mensagens de aplicativo de celular recebidas de um amigo, que está na Ásia, primos, amigos e a mãe de Luckas buscaram ajuda no Itamaraty, na Polícia Federal e no Ministério Público Federal (MPF) para tentar localizar, resgatar e repatriar o paulistano. A repatriação acontece quando o governo providencia e custeia o retorno de um brasileiro que está em outro país, em condições precárias.

O SBT News teve acesso às mensagens, entrevistou a mãe do brasileiro, Cleide Viana, a prima Ana Paula, conversou com dois amigos brasileiros e consultou as autoridades. O caso é acompanhado pelo Ministério das Relações Exteriores, que informou que "está em contato com as autoridades locais competentes e presta assistência consular aos familiares do brasileiro".

Com mensagens de aplicativo de celular recebidas de um amigo, que está na Ásia, primos, amigos e a mãe de Luckas buscaram ajuda no Itamaraty, na Polícia Federal e no Ministério Público Federal (MPF) para tentar localizar, resgatar e repatriar o paulistano.

A outra vítima, Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, desapareceu na Tailândia após aceitar uma oferta de trabalho para atuar em um call center no Camboja, de onde foi traficado para o mesmo centro onde estava Luckas.

O pai do rapaz falou ao vivo com o Primeiro Impacto sobre o caso. Segundo Antônio Carlos Ferreira, o jovem morava no Uruguai quando recebeu a proposta para trabalhar no Camboja, com um salário de US$ 2 mil.

Ele estava hospedado em um hotel antes de ser levado por um carro ao suposto local de trabalho. Phelipe enviou sua última localização, indicando que estava em uma área rural perto da fronteira com Mianmar, e desapareceu. Dias depois, ele conseguiu entrar em contato com a família e afirmou que estava sendo usado em trabalho forçado. Nas mensagens, ele contou ao pai que era torturado e ameaçado de morte.

"Eles estão em sofrimento total. Levam pauladas, são castigados, maltratados", disse Antônio Carlos.

Centro de crime virtual

A história de Luckas e Phelipe é idêntica à de milhares de brasileiros, vietnamitas, tailandeses, cambojanos, capturados pelas redes de tráfico humano e trabalho forçado. O serviço de telemarketing é um dos oferecidos como oportunidade em convites de redes sociais e aplicativos de conversa. Na prática, eles atendem as chamadas de quem investiu e busca resgatar o dinheiro, que não existe mais, e também novos clientes e divulgadores das plataformas de jogos, de investimentos e relacionamentos, entre outros.

O epicentro do problema no sudeste asiático é Mianmar, um dos países mais pobres da região, que faz divisa com a China. Desde 2021, o país sofre com um golpe militar sangrento e conflitos internos entre milícias.

Bem na divisa da Tailândia e o país, o KK Park concentraria os golpes cibernéticos, as fraudes digitais e o tráfico de pessoas e de órgãos, controlado por mafiosos chineses. É o que mostra um processo penal de 2023, da Justiça Federal, em São Paulo.

O Ministério Público Federal denunciou um cearense, em abril de 2023, por aliciar mão de obra escrava para esses centros no sudeste asiático. Seis brasileiros vítimas foram resgatados em novembro de 2022, em Mianmar, pelo governo brasileiro, depois de um alerta das autoridades dos Estados Unidos, e trazidos de volta. O chefe do esquema foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP), ao chegar de uma viagem.

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