Grupo ligado a facção carioca usava festas comunitárias e delivery para esconder tráfico no DF
Segundo a polícia, a estratégia tinha o objetivo de reduzir denúncias e fortalecer o domínio territorial da organização na região


Pedro Canguçu
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), uma operação para desarticular uma organização criminosa armada investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Samambaia. Cerca de 200 policiais participaram da ação, que cumpriu 39 mandados judiciais, sendo 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Samambaia e Ceilândia.
Segundo as investigações da 26ª Delegacia de Polícia, o grupo atuava principalmente na região da QR 421 e utilizava uma estrutura considerada sofisticada para manter o tráfico de drogas e dificultar a atuação policial. De acordo com a PCDF, além da venda de entorpecentes como crack, cocaína, lança-perfume, haxixe e diferentes tipos de maconha, a organização também utilizava comércios de fachada para esconder drogas e lavar dinheiro do tráfico.
Segundo a polícia, padarias, distribuidoras de bebidas e quiosques eram usados para camuflar as atividades criminosas. Em um dos estabelecimentos investigados, a suspeita é a de que a mesma balança usada para pesar pães também era utilizada para fracionar drogas.
As apurações apontam ainda que o grupo tentava conquistar apoio da comunidade por meio de ações assistencialistas. Os investigados chegaram a financiar festas em datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia das Crianças, utilizando recursos provenientes do narcotráfico. Segundo a polícia, a estratégia tinha o objetivo de reduzir denúncias e fortalecer o domínio territorial da organização na região.
Delivery de drogas
As investigações revelaram também que o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para comercializar entorpecentes. Os criminosos divulgavam “cardápios” de drogas e realizavam entregas no sistema delivery. Para despistar a polícia, os entorpecentes eram escondidos em embalagens de delivery do McDonald's. Os pagamentos eram feitos via PIX para contas de terceiros, usados como “laranjas” para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Violência e possível ligação com facção
Apesar da tentativa de criar uma imagem de proximidade com moradores, a investigação aponta que o grupo agia com violência. Policiais identificaram integrantes ostentando armas de grosso calibre e também investigam casos de espancamentos ligados ao chamado “tribunal do tráfico”.
Durante as apurações, um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá, em fevereiro deste ano. As circunstâncias da morte seguem sob investigação.
A PCDF também apura uma possível ligação do grupo com o Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa do Rio de Janeiro. Símbolos associados à facção, como a Estrela de Davi, foram encontrados em imóveis ligados aos investigados.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de prisão.









