Ucrânia retoma ataques contra refinarias de petróleo russas
Zelensky critica Donald Trump por fechar acordo comercial para comprar diesel produzido pela Rússia

Incêndios em refinaria de petróleo em Moscou | Stringer/Reuters
A Ucrânia retomou nesta quinta-feira (15) os ataques contra refinarias de petróleo russas. O governador da província de Ryazan, Pavel Malkov, informou que uma grande ofensiva com drones ucranianos provocou um incêndio em uma instalação da região.
“Os danos materiais estão sendo avaliados neste momento. As equipes de emergência estão trabalhando no local”, reportou Malkov através de uma mensagem no Telegram.
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No domingo (11), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um anúncio surpresa afirmando que Kiev e Moscou iriam aderir a um cessar-fogo energético. Desde então, a Ucrânia deixou de atacar as refinarias de petróleo da Rússia. No entanto, as forças russas não fizeram o mesmo.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, 600 mil ucranianos ficaram sem energia elétrica na quarta-feira (14) por conta das contínuas agressões perpetradas pela Rússia. Ele alertou que Kiev não suspenderia seus próprios ataques indefinidamente se Moscou não fizesse o mesmo.
Em uma entrevista publicada pelo jornal britânico Financial Times nessa quinta-feira (15), Zelensky afirmou que a paciência da Ucrânia havia se esgotado. “A restrição [dos ataques a refinarias] acabou. Chega”, disse.
Na conversa com o Financial Times, ele também criticou a iniciativa de Washington de fechar um acordo comercial com Moscou e a aparente admiração de Trump pelo presidente russo, Vladimir Putin.
No sábado (10), o líder americano havia pedido que a Ucrânia elegesse um novo líder no lugar de Zelensky, após anunciar um acordo para que a Rússia fornecesse diesel para os Estados Unidos e o restante do mundo, o que afrouxa as sanções econômicas impostas contra Moscou.
O Kremlin informou nessa quinta-feira (15) que o diesel produzido na Rússia já começou a chegar aos mercados globais.
Estados Unidos retiram apoio
Autoridades da Ucrânia também se queixaram de não terem recebido nenhum alerta antecipado dos Estados Unidos sobre mísseis balísticos russos nos últimos dias. Segundo Zelensky, oficiais militares ucranianos foram avisados por seus homólogos norte-americanos de que Washington bloquearia o acesso a informações de inteligência, a menos que os ataques contra a infraestrutura energética russa fossem suspensos.
Além disso, Kiev afirmou que a versão militar do serviço de internet via satélites Starlink, da empresa SpaceX, teve sua velocidade reduzida, o que prejudicou as operações na linha de frente e os ataques de médio alcance contra alvos militares russos.
O proprietário da SpaceX é um aliado de Trump: o bilionário Elon Musk. Na quarta-feira (14), o magnata fez uma postagem na rede social X alegando que o Starshield - a versão militar da Starlink - está sob o controle do governo dos Estados Unidos, que tem poder para decidir sobre quaisquer limites de velocidade.
Na entrevista ao Financial Times, Zelensky afirmou que a limitação da velocidade foi apresentada a Kiev como uma falha técnica, mas alegou que não acredita nessa explicação. “Não foi um problema técnico, foi uma decisão deliberada”, disse.
Ativos russos congelados
Ainda de acordo com o Financial Times, os Estados Unidos propuseram que a União Europeia repasse a Washington parte dos ativos financeiros russos que foram confiscados após o início da guerra. Esse plano teria sido apresentado pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e pelo genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, na tentativa de retomar as negociações por um acordo de paz.
A proposta foi rechaçada pelo chanceler alemão Friedrich Merz. "Esses são ativos que estão congelados na Europa e devem permanecer congelados na Europa. Isso é assunto nosso e cabe a nós decidir", disse antes de uma cúpula da União Europeia em Bruxelas.
O bloco europeu bloqueou cerca de 210 bilhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia. Cerca de 185 bilhões desse montante estão guardados na Euroclear, a central depositária de valores mobiliários sediada em Bruxelas. Alguns países querem que esses recursos sejam repassados à Ucrânia.















