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Ucrânia acusa Rússia de violar cessar-fogo energético

Moscou não se pronunciou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que havia um acordo entre os dois países

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André de Sena, com informações da Reuters
Conflito entre Ucrânia e Rússia já dura quatro anos. | Reprodução

Conflito entre Ucrânia e Rússia já dura quatro anos. | Reprodução

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse nesta segunda-feira (12) que a Rússia violou o cessar-fogo de ataques a infraestrutura energética imediatamente após o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

De acordo com Zelensky, Moscou atacou uma usina elétrica em Kharkiv. O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, acrescentou que também ocorreram ofensivas contra uma infraestrutura de gás na mesma região e uma subestação de energia em Zhytomyr.

O presidente ucraniano disse que seu país apoia um cessar-fogo energético e está pronto para assinar um acordo com garantias, mas que a Rússia também precisa mostrar que concorda com essa ideia. Ele também pediu que Washington pressione Moscou.

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"Precisamos de pressão americana sobre a Rússia, não de alívio de sanções, não de concessões, mas de pressão real para que possamos alcançar pelo menos o que o presidente americano anunciou ontem: um cessar-fogo energético", afirmou Zelensky durante sua participação por videoconferência no Fórum de Segurança de Varsóvia.

Sybiha participou da reunião dos Ministros das Relações Exteriores da União Europeia. No encontro, ele disse que ninguém deve acreditar nas palavras do presidente russo, Vladimir Putin. "Observem suas ações", pediu. "Palavras não detêm mísseis. Decisões, sim. Após algumas manobras desconcertantes nos últimos dias, a Europa deve se posicionar e agir com firmeza", argumentou em outro momento de sua fala.

Na reunião, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia decidiram adotar quase 1.600 novas sanções contra o complexo militar-industrial da Rússia.

Anúncio dos Estados Unidos

O cessar-fogo energético foi anunciado repentinamente no domingo (11) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já vinha pressionando a Ucrânia a interromper seus ataques contra a refinaria de petróleo russas. Ele culpa essas ofensivas pelo aumento do preço do diesel, o que causa descontentamento da população americana com seu governo às vésperas das eleições de meio de mandato, que vão ocorrer em novembro.

O Kremlin não fez qualquer declaração a respeito do cessar-fogo anunciado por Trump. Já Kiev se mostrou favorável à medida, mas não deixou de adotar um tom crítico contra Trump.

"Um cessar-fogo energético e outras medidas para reduzir a escalada do conflito e garantir a segurança são realmente necessárias aqui na realidade, não apenas nas redes sociais", disse Zelensky, que ainda aguarda os detalhes do acordo.

Reação europeia

O presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou que não há indícios de que a Rússia esteja respeitando qualquer acordo e que um debate sobre a situação energética só poderá ser reaberto se houver um cessar-fogo real. Ele também disse que vai conversar com Trump em breve.

"A Rússia continua bombardeando civis e infraestrutura na Ucrânia. Portanto, sim à busca por um cessar-fogo em relação à energia – e, eu acrescentaria, no Mar Negro – e à retomada das negociações de paz; mas não a ceder, em última instância, à ameaça russa", afirmou Macron

O presidente da Polônia, Donald Tusk, disse que a Rússia não está interessada em um cessar-fogo e que vai viajar a Bruxelas para instar seus parceiros europeus "a considerarem seriamente o aumento das sanções" contra Moscou.

"A Ucrânia não será derrotada nem intimidada. A Polônia não será derrotada nem intimidada. A Europa, a OTAN e todo o mundo livre não serão derrotados nem intimidados. Esta mensagem deve ser transmitida hoje de todas as capitais, de Varsóvia a Washington", afirmou o polonês durante o Fórum de Segurança de Varsóvia.

Ceticismo da população

A população ucraniana demonstra ceticismo em relação ao anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos

"Ele [Trump] pode apresentar uma coisa hoje e outra completamente diferente amanhã. Já houve muitos casos em que foi anunciado um cessar-fogo ou uma trégua, mas continuamos sendo atacados", disse uma moradora de Kiev ouvida pela agência de notícias Reuters.

"Bem, eu não sei que tipo de cessar-fogo (o presidente dos EUA, Donald) Trump tem em mente. Nós certamente não sentimos isso. Não acho que devamos esperar um tão cedo", afirmou outra residente da capital ucraniana.

Enquanto o cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos dá sinais de que não vai se concretizar, os ataques russos continuam a fazer estragos.

Nessa segunda-feira (12), uma ofensiva realizada por Moscou atingiu uma área residencial em Kharkiv, deixando três mortos e 22 feridos, incluindo duas crianças.

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