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Simone Tebet diz que Brasil trabalha para 'encurtar distâncias' na América do Sul

Ministra do Planejamento de Lula está com o presidente em Cúpula do Caribe, na Guiana, e falou ao SBT

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Nathalia Fruet, Camila Pergentino
28/02/2024, 23:03 • Atualizado em 28/02/2024, 23:20
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simone tebet

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira (28) que o governo federal trabalha para "encurtar distâncias" na América do Sul. Tebet acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 46ª Cúpula de Chefes de Governo da Comunidade do Caribe (Caricom), em Georgetown, capital da Guiana. A ministra falou com exclusividade ao SBT.

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Tebet citou a proximidade entre a Guiana e a fronteira com o Brasil e destacou a falta de caminhos adequados atualmente – como estradas asfaltadas. “A partir do momento que encurtamos a distância, fica mais barato importar e exportar."

A delegação brasileira aproveitou a Cúpula do Caribe para intensificar o debate sobre o projeto das rotas de integração sul-americanas, que vão incentivar o comércio nacional entre países da América do Sul e diminuir tempo e o custo do transporte de mercadorias entre o Brasil, os países latinos que fazem fronteira, e a Ásia.

O projeto inclui a construção de infraestruturas de comunicação, rodovias, pontes, portos, hidrovias, aeroportos, ferrovias e linhas de transmissão de energia elétrica, para facilitar a troca de commodities. O foco desse primeiro encontro foi discutir a Rota da Ilha das Guianas, desenhada pelo Ministério do Planejamento, que integrará o norte do Brasil com a Guiana e Suriname.

'Nós estamos na Guiana, junto com o Suriname, e nós vamos ter uma trilateral agora. Eles estão muito interessados em ver de qual forma podem financiar esses projetos”, explicou Tebet.

Essa primeira rota formará uma relação entre Brasil, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Tebet observa a relevância da troca, considerando que Guiana é o país com o PIB que mais cresce no mundo nos últimos anos.

“Eles podem importar do Brasil os produtos que chegariam muito mais baratos, porque o crescimento do país trouxe encarecimento para a vida das pessoas. Então, os trabalhadores da Guiana têm mais dificuldade, porque eles têm dificuldade de plantar. Além de nós podermos exportar para a Guiana commodities, nós também estamos exportando maquinário pesado para auxiliar na área da construção civil”, disse a ministra.

Entenda a proposta da integração de rotas sul-americanas

O Ministério do Planejamento e Orçamento, em parceria com 11 Estados brasileiros que fazem fronteiras com países latinos, traçaram cinco rotas para estimular a troca de commodities. Além da Rota da Ilha das Guianas, estão inclusas:

  • Rota Multimodal Manta-Manaus, contemplando inteiramente o Estado do Amazonas e partes dos territórios de Roraima, Pará e Amapá, interligada por via fluvial à Colômbia, Peru e Equador;
  • Rota do Quadrante Rondon, formado pelos Estados do Acre e Rondônia e por toda a porção oeste de Mato Grosso, conectada com Bolívia e Peru;
  • Rota de Capricórnio, desde os Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, ligada, por múltiplas vias, a Paraguai, Argentina e Chile; e
  • Rota Porto Alegre-Coquimbo, abrangendo o Rio Grande do Sul, integrado à Argentina, Uruguai e Chile.

O projeto terá o aporte de US$ 50 bilhões (US$ 10 bilhões). O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) vão investir R$ 15 bilhões, o que totalizará R$ 30 bilhões. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aplicará R$ 17 bilhões. O Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Plata (Fonplata), R$ 3 bilhões.

Os recursos do BNDES serão para projetos no Brasil e os demais bancos vão apoiar projetos nos demais países, mas também podem financiar obras no Brasil.

O ministério informou que as obras estão incluídas nas outras 9,2 mil do Novo PAC. Para o projeto de integração sul-americana, serão construídos 124 empreendimentos. “É um PAC, com valores para se colocar à disposição dos países vizinhos”, explicou Tebet.

A agenda de discussões também conta com a presença dos ministros da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e dos Transportes, Renan Filho.

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