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Santiago Peña é transferido para base militar após protesto

Ex-presidente paraguaio foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção, por questões de segurança; ele deve ir ao Ministério Público ainda hoje

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Por Hariane Bittencourt - enviada especial a Assunção
Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña |  César Olmedo/Reuters

Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña | César Olmedo/Reuters

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido durante a madrugada deste sábado (7) para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar das Forças Armadas, em Assunção. Antes, ele estava preso em casa.

A mudança ocorreu por questões de segurança, depois que moradores e manifestantes passaram a noite em frente à residência onde ele estava, em prisão domiciliar.

Os protestos foram marcados por momentos de tensão e confrontos com a polícia. Os manifestantes exigiam que Peña fosse levado à Penitenciária de Tacumbú, a principal unidade prisional do país, e não permanecesse em casa.

A transferência foi realizada em meio a um forte esquema de segurança, com uma escolta de veículos. Segundo a imprensa paraguaia, as forças policiais avaliaram que não havia condições de garantir a segurança do imóvel diante da concentração de pessoas e dos incidentes registrados no local.

Peña deve permanecer na unidade militar até ser levado neste sábado à sede do Ministério Público, onde é esperado para prestar depoimento no âmbito de uma investigação criminal.

A ordem de detenção contra o ex-presidente foi expedida no contexto das investigações sobre o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de liquidação após o Banco Central do Paraguai identificar problemas nos indicadores de solvência e irregularidades relacionadas a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

O caso provocou uma crise política no país. Peña, que deixou de ser acionista do grupo proprietário do banco em março de 2025, é investigado por suspeitas de lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. As suspeitas ainda estão em investigação.

A crise culminou na destituição de Peña pelo Senado paraguaio, após um processo de impeachment relacionado ao escândalo financeiro.

A oposição acusa o ex-presidente de conflito de interesses e de responsabilidade política pela crise que atingiu a instituição, que concentrava depósitos públicos e privados e atendia milhões de clientes.

A defesa de Peña afirma que ele vai colaborar com as autoridades e questiona a necessidade de uma eventual prisão preventiva.

Após o depoimento, caberá ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos no processo e decidir sobre os próximos passos da investigação.

Manifestantes tentam invadir casa de ex-presidente do Paraguai | Reprodução/redes sociais
Manifestantes tentam invadir casa de ex-presidente do Paraguai | Reprodução/redes sociais

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